Quatro pessoas foram presas nesta terça-feira (1º) durante uma operação que investiga um esquema de fraude em registros e transferências de veículos na Bahia. Segundo a Polícia Civil, entre os presos estão um sargento da Polícia Militar que, na época investigada, trabalhava cedido ao Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) e dois servidores comissionados que ocupavam cargos de chefia na unidade do órgão em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A Operação Giratina também cumpriu dez mandados de busca e apreensão em cidades baianas e outros quatro no Ceará. Os nomes dos presos não foram divulgados. As ações ocorreram em Simões Filho, Madre de Deus, Camaçari e Lauro de Freitas, além de endereços ligados a uma empresa e a pessoas investigadas no Ceará.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação começou depois que o próprio Detran-BA comunicou suspeitas identificadas durante procedimentos internos na unidade de Simões Filho. Como funcionava o esquema A investigação apontou que carros de empresas verdadeiras, registrados em estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, eram usados como base para criar registros falsos na Bahia.
Para isso, os suspeitos apresentavam documentos falsificados, realizavam ou validavam vistorias e inseriam informações no sistema nacional de registro de veículos, o Renavam. Também eram emitidos documentos necessários para formalizar as transferências. A participação de servidores do Detran-BA em etapas como vistoria, conferência de documentos e emissão dos registros é investigada como uma forma de fazer com que os veículos fraudulentos parecessem regulares.
Depois de registrados na Bahia, os veículos eram usados, em poucos dias, para conseguir financiamentos junto a empresas do Ceará. A suspeita é de que os bancos e financeiras liberavam o crédito usando os veículos como garantia sem saber que os documentos haviam sido fraudados. Os carros, na realidade, pertenciam a empresas que não tinham conhecimento das operações.
A polícia informou que três pessoas foram presas em Madre de Deus e uma em Simões Filho. Um dos presos é parente de um dos investigados. Na casa dele, durante o cumprimento de um dos mandados, os policiais encontraram uma arma de fogo irregular.
Por isso, ele também foi preso em flagrante. Durante a operação, foram apreendidos uma pistola, um revólver, celulares e documentos que devem ser analisados pelos investigadores. A apuração ainda investiga a possível participação de outras pessoas e a prática de crimes em diferentes estados.
Os investigados são suspeitos de crimes como inserção de informações falsas em sistemas, falsidade ideológica, corrupção e associação criminosa.
