Pai e filho são suspeitos de matar jovem acreditando que ele era 'canaimé' A Justiça manteve presos Erinel Clementino, de 63 anos, e o filho dele, Francinildo Clementino, de 25, suspeitos de matar José da Silva Santana, de 25. A vítima foi assassinada porque os suspeitos acreditavam que ela era o "canaimé", uma figura maligna na crença indígena. Pai e filho tiveram a prisão preventiva decretada em audiência de custódia nesta quinta-feira (5), em Pacaraima, no Norte de Roraima.
O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos. Erinel e Francinildo confessaram o crime na delegacia e respondem pelo crime de homicídio triplamente qualificado. Eles foram presos em flagrante pela Polícia Militar.
O assassinato ocorreu na comunidade indígena Caracanã, em Uiramutã, ao Norte, nessa terça-feira (3). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Na audiência, o juiz plantonista da Vara Criminal de Pacaraima, Marcelo Batistela Moreira, entendeu que a gravidade do crime, a violência empregada contra a vítima e o risco à ordem pública justificavam a prisão preventiva. Ele também considerou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes neste momento.
"Pela violência e o modo de agir em relação à vítima e a própria gravidade concreta do suposto delito", disse em trecho da decisão, acrescentando que "a medida [prisão] é imperiosa para melhor análise e mais ampla elucidação étnica, cultural e situacional do caso concreto". O juiz também determinou a elaboração de um laudo antropológico para analisar as particularidades culturais e sociais dos investigados, identificados na decisão como indígenas do povo Macuxi.
Ele também determinou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a liderança da comunidade dos suspeitos sejam comunicados para participar das movimentações no processo. Requintes de crueldade José foi assassinado com requintes de crueldade: foi atingido por um tiro na cabeça, golpeado com uma foice e uma faca. Depois, o corpo foi incendiado.
Ele também foi decapitado. Parte do crime foi registrado em vídeo. Após a confissão dos suspeitos, o delegado do caso, Arthur França, autuou os dos dois por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Além disso, também respondem pelos crimes de destruição e ocultação de cadáver e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Entenda: na crença indígena, o canaimé é visto como um ser do mau, uma figura associada a poderes sobrenaturais e à prática de feitiços, rezas e venenos que pode causar sofrimento ou morte. Segundo a crença, ele pode ficar invisível ou se transformar em animais para perseguir e atacar pessoas, geralmente à noite.
Além disso, quando mata alguém, o canaimé rasga e enfia folhas dentro do corpo da vítima. A Polícia Militar apreendeu uma espingarda e uma foice na casa dos suspeitos, e uma faca no local do crime. Além disso, os suspeitos atearam fogo no corpo da vítima.
LEIA TAMBÉM: Pai e filho confessam assassinato de jovem que acreditavam ser 'canaimé' e vão responder por homicídio triplamente qualificado Jovem é assassinado após suspeitos acreditarem que ele era o 'canaimé', figura maligna na crença indígena Depoimentos Em depoimento à Polícia Civil, Francinildo afirmou que atirou contra a vítima com uma espingarda calibre .28, que pertencia ao pai, Erinel. Ele disse que a vítima corria no momento do disparo e foi atingida na região da nuca e da cabeça.
O pai confirmou que o filho fez o disparo. Ele afirmou que, depois que a vítima caiu, usou uma foice para dar dois golpes no pescoço e cerca de três no abdômen. Segundo a versão apresentada por ele, o jovem já estava morto quando recebeu os golpes.
Ainda em depoimento, Erinel disse que a ordem para atear fogo no corpo partiu de um segurança da comunidade, identificado por ele como "Osmar". O suspeito relacionou a decisão a uma suposta "puçanga", que seria amuleto enfeitiçado que pertencia à vítima. Além disso, segundo o depoimento de Francinildo, José foi capturado por integrantes da comunidade e levado inicialmente para a comunidade Flexal, onde seria ouvido por lideranças sobre ser o canaimé.
No entanto, ele conseguiu escapar. Depois, José foi localizado novamente. Francinildo disse ainda que familiares e integrantes da comunidade já haviam decidido matá-lo.
Já Erinel apresentou outra versão: disse que a decisão de matar José ocorreu no momento da captura. A Polícia Civil segue em investigação para descobrir se houve a participação de outras pessoas no caso. O assassinato A Polícia Militar foi até a comunidade Caracaranã por volta das 14h de terça após receber denúncia que havia ocorrido o homicídio.
No local, agentes foram guiados por moradores até o corpo de José. Após confirmar a morte, a equipe isolou a área e iniciou buscas para localizar os suspeitos. Conforme o depoimento dos suspeitos, a dupla levava a vítima da comunidade Flexal quando ela tentou fugir, e eles o mataram.
De acordo com a PM, a versão apresentada pelos suspeitos foi reforçada por vídeos gravados por eles mesmos. As imagens foram compartilhadas em grupos de WhatsApp. Em um dos vídeos, José aparece confirmando ser o canaimé e diz ter a "capacidade de se transformar em animais." A Polícia Civil de Pacaraima foi comunicada sobre o caso por volta das 20h de terça.
A perícia criminal e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados e chegaram à comunidade por volta das 14h55 desta quarta-feira (4). O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil. Armas apreendidas pela Polícia Militar Arquivo pessoal Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
