O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta terça-feira (15) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante o julgamento que discute atos praticados na investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Ao comentar a decisão que determinou a saída temporária de Andrei do cargo, Gilmar afirmou que a medida não deveria ter sido adotada e classificou a situação como um "vexame" para a instituição.

"Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o presidente da Nasa ou tirar o comandante do Exército", declarou. Gilmar afirmou que já esperava que o afastamento provocasse reação dentro do tribunal e disse que uma medida desse porte não deveria ter sido adotada contra o chefe da Polícia Federal.

Em seguida, o ministro elevou o tom das críticas. "Sujeito tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa. Quando ele tiver a tentação, tem que pedir que Deus interceda e não faça", afirmou.

Fachin rebate Dino e nega que 'houve avocação' As críticas foram dirigidas à decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal. Segundo Gilmar, a decisão submeteu a Polícia Federal a um "vexame" institucional. "Submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem a este tipo de vexame é de uma falta de emoção, de uma gravidade que eu jamais vi", disse.

As declarações foram dadas enquanto os ministros discutiam a condução dos procedimentos relacionados ao relatório produzido pela Polícia Federal e as decisões conflitantes tomadas no caso por integrantes da Corte. Antes da fala de Gilmar, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que havia decisões divergentes de ministros sobre a situação do diretor-geral da PF e que a Presidência não poderia "se imobilizar" diante desse cenário.

Gilmar Mendes defende que delegados da PF sejam impedidos de trabalhar para ministros do STF Jornal Nacional/ Reprodução Fux vê 'anomalia' na atuação da PF Após a fala de Gilmar Mendes, o ministro Luiz Fux afirmou que a Segunda Turma considerou anômala a atuação da Polícia Federal no episódio e disse que a situação poderia contaminar julgamentos relacionados ao caso. "Eu sou ministro há 16 anos. Eu nunca vi a Polícia Federal peitar ministro do Supremo Tribunal Federal.

Nós entendemos que isso foi uma anomalia e ia contaminar todos os julgamentos em relação a fatos graves noticiados", afirmou. Segundo Fux, houve uma estrutura montada para monitorar integrantes da Corte. "Criaram ali uma agência própria para se dedicar à arapongagem de ministros do Supremo", declarou.

O ministro também defendeu que o Judiciário precisava reagir diante da situação. "Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal.

Peitando ministro do STF", afirmou.