Gracindo Junior canta 'Ne me quitte pas' no 'Fantástico' Gracindo Júnior, que morreu aos 83 anos, nesta terça-feira (1), no Rio de Janeiro, teve uma participação marcante em uma das fases de transformação do Fantástico. No início dos anos 1980, o ator e diretor foi um dos responsáveis pela direção e também apresentou os primeiros clipes musicais produzidos e exibidos pelo programa. LEIA TAMBÉM: Gracindo Jr., ator e diretor que participou da inauguração da TV Globo, morre no Rio aos 83 anos Gracindo Jr.
participou da inauguração da Globo, atuou com o pai em novela e dirigiu ‘Os Trapalhões’ Famosos lamentam a morte de Gracindo Jr. Um dos destaques foi sua apresentação da música Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel, regravada por Maysa Matarazzo (1936-1977), em 1961. Em uma apresentação que homenageia a cantora, o ator e diretor faz sua versão da canção no dominical.
(Veja no vídeo acima.) Naquele período, os musicais eram uma das principais marcas do Fantástico. O programa reunia apresentações de artistas brasileiros e estrangeiros, shows acústicos e videoclipes. Gracindo Júnior esteve dos dois lados das câmeras nessa fase: além de apresentar, participou da direção dos primeiros clipes produzidos para a atração.
A experiência reunia duas áreas que marcaram a carreira do artista: a atuação e a direção. Gracindo Júnior fazia parte do primeiro elenco da TV Globo, desde a inauguração da emissora, em 1965. Ao longo da carreira, trabalhou em novelas, minisséries, cinema e teatro, além de exercer funções de direção.
Gracindo Júnior foi contratado pela Globo antes mesmo da inauguração da emissora. Em depoimento ao Memória Globo, contou que já estava contratado em dezembro de 1964, meses antes da estreia da televisão, em abril de 1965. Ele integrou o primeiro elenco da Globo e participou de algumas das primeiras novelas da emissora, como 'Rosinha do Sobrado' (1965), 'Padre Tião' (1966), 'A Rainha Louca' (1967), 'A Próxima Atração' (1970), 'Os Ossos do Barão' (1973) e 'Supermanoela' (1974).
Também trabalhou ao lado do pai, o ator Paulo Gracindo, em 'Os Ossos do Barão' e 'O Bem-Amado'. O primeiro grande papel de Gracindo Júnior veio em 'O Casarão', de 1976. Ele interpretou o pintor João Maciel, enquanto Paulo Gracindo fazia o mesmo personagem em uma fase mais velha da história.
A novela alternava a trama entre 1870, 1926 e 1976. Foi também em 1976 que Gracindo Júnior estreou como diretor de teatro, com 'A Longa Noite de Cristal', de Oduvaldo Vianna Filho. Depois, dirigiu a peça 'É', de Millôr Fernandes, em Portugal.
De volta ao Brasil, em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. Sua primeira missão foi acompanhar a produção de 'A Sucessora', de Manoel Carlos. A experiência como diretor abriu espaço para novos trabalhos atrás das câmeras.
Gracindo Júnior dirigiu produções da Globo, incluindo 'A Sucessora', 'Memórias de Amor' e 'Marron-Glacé', além de assumir a direção de 'Os Trapalhões' em 1983. Entre câmeras e palcos A trajetória de Gracindo Júnior não ficou restrita à televisão. Antes de chegar à Globo, ele havia trabalhado na Rádio Nacional como ator, redator e disc-jóquei.
Também atuou no teatro e, posteriormente, no cinema. O artista acumulou funções ao longo de mais de cinco décadas de carreira. Além de ator e diretor, trabalhou como produtor, roteirista e letrista.
A passagem pelo Fantástico representa, assim, um dos momentos em que Gracindo Júnior pôde reunir diferentes habilidades que desenvolveu ao longo da carreira: a experiência diante das câmeras, o trabalho de direção e a relação com a música. Ao participar dos primeiros videoclipes produzidos e exibidos pelo programa, ele esteve em uma fase em que o Fantástico ampliava as possibilidades dos musicais na televisão brasileira, incorporando uma linguagem que ganharia cada vez mais espaço nas décadas seguintes.
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