Corregedoria e MP fazem operação contra policiais civis de SP A investigação que levou a uma operação contra policiais civis de São Paulo nesta sexta-feira (28) aponta que integrantes do grupo são suspeitos de usar a própria estrutura da Polícia Civil para monitorar cargas ilegais de eletrônicos e obter vantagens ilícitas. De acordo com a apuração, há suspeita de que recursos da corporação tenham sido utilizados para monitorar cargas que seriam interceptadas.

Dependências policiais também teriam servido para armazenar mercadorias e registrar apreensões de apenas parte dos produtos, dando aparência de legalidade às operações. Na manhã desta sexta-feira (28), três unidades da própria Polícia Civil na Grande São Paulo foram alvo de mandados de busca e apreensão: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia.

Segundo a investigação, os policiais interceptavam cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular, mas, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dinheiro dos responsáveis para liberar total ou parcialmente os produtos. O valor cobrado chegava a aproximadamente 70% do valor das cargas. Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o esquema teria exigido cerca de R$ 2,35 milhões em propina.

Operação contra policiais As suspeitas são investigadas na Operação Merx, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope). Entre os alvos identificados pela investigação estão: Bruno Moreno dos Santos — policial civil.

É investigado por suspeita de participar da apreensão de uma carga de celulares em 17 de junho de 2024, na qual apenas parte da mercadoria teria sido formalmente apreendida; José Adriano Pereira da Silva Nishi — policial civil. Segundo a investigação, participou das negociações para a liberação irregular de uma carga apreendida; Sidiclei Almeida — advogado.

É apontado como intermediário nas negociações entre policiais e empresários e teria atuado na cobrança e operacionalização dos pagamentos; Jonathan Vieira — empresário e apontado como um dos intermediários do esquema no Paraná. Até a última atualização da operação, quatro dos sete alvos haviam sido presos. Um dos procurados estava no Paraguai e outros dois ainda não tinham sido localizados.

Um outro policial civil, de 1ª classe, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública. A Justiça também determinou o recolhimento de suas credenciais de acesso aos sistemas policiais e o proibiu de manter contato com investigados e testemunhas. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão.

A Justiça também autorizou a quebra de sigilos e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos investigados. Os crimes apurados são corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O g1 tenta localizar as defesas dos investigados.

O espaço segue aberto para manifestação. Operação contra policiais que cobravam propina de contrabandistas. Reprodução