Presa suspeita de se passar por médica e aplicar silicone de construção em glúteos Uma mulher foi presa em João Pessoa, nesta quinta-feira (27), suspeita de se passar por médica especialista em harmonização de glúteos. Entre as denúncias, estão o uso de ar, soro e até de silicone de construção nos procedimentos, complicações de saúde nas pacientes, incluindo a necessidade de procedimentos cirúrgicos de emergência.
A prisão foi feita pela Delegacia de Defraudações (DDF) Nas redes sociais, suspeita se apresentava como "doutora" e especialista em harmonização facial e corporal Reprodução/Instagram Isabela de Melo Dantas atendia em um prédio empresarial localizado na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa. Nas redes sociais, ela se identifica como "Doutora Isabela Dantas", "rainha da harmonização glútea", "referência em harmonização glútea" e "Especialista em Harmonização Corporal e Facial".
Após a prisão, a suspeita foi levada para a Cidade da Polícia Civil. O g1 não conseguiu localizar a defesa da suspeita até a última atualização desta reportagem. Perfis nas redes sociais da clínica e da suspeita Reprodução/TV Cabo Branco A influenciadora Mirela Veríssimo foi uma das pacientes que fizeram o procedimento com a falsa médica.
No vídeo que aparece no início desta reportagem, é possível ver a influenciadora passar mal ao realizar o procedimento, que não teve uso de anestésico. Ao repórter Pedro Hugo Lopes, da TV Cabo Branco, ela relatou que foi procurada pela suspeita, que propôs uma parceria: a harmonização de glúteos com reposição de colágeno, em troca de divulgação. Após o procedimento, a região apresentou inchaços e hematomas, mas, dias depois, quando a região desinchou, o local ficou com menos volume do que antes e com flacidez.
“Nos três primeiros dias estava aquele processo inflamatório, estava inchado. Passando de 4 para 5 dias, você já conseguia ver que estava sumindo aquela questão de volume e tudo mais. Só que o resultado final desses dias que passava era pior do que era antes”.
Mirela Veríssimo afirmou que não sabia que a mulher não era médica e que a suspeita não mostrava os produtos que utilizava durante as aplicações. A influenciadora registrou um boletim de ocorrência. “Ela fazia quando a gente estava de costas.
Na primeira vez que eu indaguei sobre o que estava injetando, ela me mostrou uma ampola, puxou o produto na seringa, mas, como eu não sabia se era aquele tipo de seringa específica, tudo bem, eu estava vendo um produto sendo puxado da ampola de coloração rosa e daí eu dei as costas e confiei”.
Uma ex-funcionária de Isabela Dantas, que não quis se identificar, disse ao repórter Pedro Hugo Lopes, da TV Cabo Branco, que, quando questionada sobre a formação acadêmica, a mulher dizia que tinha especialização em estética ou auxiliar de bloco cirúrgico. "Sempre ela dizia que era médica, até quando as pessoas perguntavam qual a sua especialização, ela dizia que era estética,ou auxiliar de bloco cirúrgico".
A suspeita também chegou a afirmar para a ex-funcionária que estava concluindo o curso de medicina, mas que "trancou porque estava em uma matéria que ela não gostava". Outras denúncias Suspeita teria utilizado silicone de construção em pacientes que teve complicações Reprodução/TV Cabo Branco Nas denúncias às quais o g1 teve acesso, uma das vítimas teve silicone de construção injetado nos glúteos pela suspeita.
A mulher teve que passar por procedimentos cirúrgicos de emergência, após ter apresentado complicações de saúde. Em outras pacientes, a falsa médica aplicava ar e soro fisiológico, mesmo informando que utilizava bioestimulador e ácidos específicos, atitude que foi considerada suspeita por uma que não quis se identificar. “Ela dizia usar produtos como bioestimulador e um ácido específico para o corpo.
E eu vi colocando, na verdade, ar e soro fisiológico na seringa". A mulher sentiu muitas dores e inchaço, e os resultados prometidos não foram obtidos. Desconfiada, ela se informou com outros profissionais da área sobre a forma como o procedimento foi feito e, após uma pesquisa, tomou conhecimento de que a profissional não tinha nenhuma formação ou especialização que autorizasse a realização de procedimentos como a harmonização de glúteos.
"Foi quando eu comecei a achar muito estranho. Fiz uma pesquisa e vi que ela não tem especialidade nenhuma com relação a fazer procedimentos invasivos, assim como vi também um processo de uma paciente em que ela usou um silicone de material de construção". Em outra denúncia, a vítima alegou que conheceu a profissional por meio de uma live nas redes sociais.
Na transmissão, a suspeita anunciava a realização da harmonização de glúteos por R$ 3,5 mil. Após realizar o procedimento na clínica, que funcionava no Bairro dos Estados, em João Pessoa, a paciente relatou que pagou R$ 5 mil, valor acima do anunciado. Após a aplicação, ela apresentou muitos hematomas, a região ficou quente e ela chegou a desmaiar de dor.
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