Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital A ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outros sete denunciados se tornaram réus por suspeita de integrar um esquema de desvio de R$ 1,9 milhão no maior hospital de Mato Grosso do Sul. Além dela, foram denunciadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS): ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Jary de Carvalho e Castro, ex-vice-presidente da Santa Casa.
Rinaldo Hakme Romano, diretor administrativo-financeiro (afastado cautelarmente em razão da prisão preventiva). Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo (afastado cautelarmente em razão da prisão preventiva). Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto e conselheiro (afastado cautelarmente em razão da prisão preventiva).
Monique Gregório de Oliveira, supervisora do serviço de arquivo médico e estatística (afastada cautelarmente em razão da prisão preventiva). Maurício Aparecido Benites, empresário. O advogado Murilo Marques, que atua na defesa de Alir, nega qualquer envolvimento da cliente com qualquer esquema de corrupção.
Leia no final da reportagem. O g1 não conseguiu com as defesas dos acusados. Na decisão, o juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal Residual de Campo Grande, considerou presentes as condições para a ação penal e determinou a citação dos réus para apresentarem resposta à acusação em dez dias.
🔎 O recebimento da denúncia não significa condenação. A partir de agora, os acusados respondem à ação penal e poderão apresentar provas e argumentos de defesa.
🔎 🔎 Deflagrada em 11 de setembro de 2026 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a operação Antidotum apura a suposta existência de fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.
O depoimento da ex-presidente Alir Terra em depoimento no Gaeco Reprodução Em interrogatório ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), obtido pelo g1, Alir admitiu que a direção do hospital soube de inconsistências no contrato investigado com a empresa Redvalue e mesmo assim decidiu mantê-lo. Alir foi ouvida em 15 de setembro, quatro dias depois de ser presa na Operação Antidotum.
Em cerca de 1h15 de interrogatório, ela reconheceu que os problemas apontados pelo Conselho Fiscal chegaram à diretoria, mas afirmou que a decisão de não romper o contrato com a Redvalue foi unânime e tomada para evitar mais prejuízo à Santa Casa. “Ficou decidido que ia continuar por unanimidade porque a gente ia perder o dinheiro. Ia pôr uma multa nele, ia perder o dinheiro, ia perder tudo.
[...] Então por isso que continuou, mas ficou para descontar tudo.” A declaração trata diretamente de um dos pontos usados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na acusação. Segundo a investigação, Alir foi formalmente avisada de que a Redvalue havia recebido valores sem comprovação correspondente dos serviços. O Conselho Fiscal recomendou a suspensão imediata do contrato, mas a contratação foi mantida.
Durante o interrogatório, Alir foi questionada especificamente sobre os pagamentos à Redvalue e sobre a atuação do Conselho Fiscal. A ex-presidente admitiu que o alerta chegou à direção da Santa Casa e afirmou que, depois disso, a diretoria corporativa convocou uma reunião para verificar o que estava acontecendo. Segundo ela, houve inclusive a defesa de que novos pagamentos fossem interrompidos.
“O professor Ivan, tem na ata, eles têm ata, a Santa Casa tem ata de tudo, falou que já não pagaria nem um centavo mais e que tinha que fazer, parece, a compensação de tudo.” Apesar disso, o contrato não foi encerrado. Alir afirmou que a decisão foi tomada pela diretoria de forma conjunta. Na versão dela, romper o contrato naquele momento faria a instituição perder o que já havia investido, por isso a opção foi manter a empresa, reorganizar o serviço e compensar valores.
“Deliberou por não encerrar o contrato, porque, se encerrasse o contrato, a instituição ia perder muito, porque já tinha feito muita coisa, só ia reordenar o serviço.” É justamente nesse ponto que as versões de Alir e do MP divergem. Alir admite que teve conhecimento das inconsistências e que o contrato foi mantido, mas sustenta que a decisão foi colegiada e buscava evitar prejuízo.
Já o MP afirma que ela exercia papel central na estrutura investigada e, mesmo depois dos alertas, permitiu a continuidade de um contrato no qual, segundo a acusação, havia pagamentos sem correspondência com o serviço efetivamente prestado. O que o MP diz Segundo a denúncia, o grupo atuou dentro da Santa Casa entre janeiro de 2024 e setembro de 2026, com divisão de tarefas para obter vantagens indevidas por meio de crimes contra o patrimônio público. O MP atribui a Alir a chefia do esquema.
Segundo a acusação, a então presidente comandava decisões relacionadas aos contratos, recebia informações sobre a fiscalização e tinha poder sobre a continuidade da contratação.
Ministério Público em operação na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli LEIA TAMBÉM: Justiça afasta diretores, conselheiros, supervisora e nomeia gestor provisório na Santa Casa de Campo Grande Presidente da Santa Casa segue presa após audiência e está ‘indignada’ com acusação de desvios de R$ 4,9 milhões, diz defesa Imóvel pago em dinheiro e R$ 9,6 milhões em contratos: o esquema investigado na Santa Casa de Campo Grande A denúncia se concentra no contrato firmado com a Redvalue para digitalização de prontuários e outros documentos do hospital.
O MP aponta R$ 1.970.850 de dano material nessa frente e pediu que o mesmo valor seja fixado como reparação mínima pelo dano causado. Esse montante se refere especificamente à denúncia agora recebida pela Justiça e não deve ser confundido com os valores investigados em outras frentes da Operação Antidotum. Serviço registrado era menor que valor pago Um dos elementos que levaram o Conselho Fiscal a questionar o contrato foi a diferença entre o serviço registrado e os pagamentos.
O acordo previa o pagamento de R$ 150 mil por mês, relacionado à digitalização de até 3 milhões de páginas. Entre janeiro e 16 de abril de 2025, foram registradas 1.772.198 páginas digitalizadas. Pelo preço estabelecido, esse volume correspondia a R$ 88.609,90.
A Redvalue, porém, já havia recebido R$ 750 mil. Nesse recorte, o MP calculou uma diferença de R$ 661.390,10. Um relatório bancário anexado posteriormente ao processo mostra ainda que a Santa Casa transferiu diretamente R$ 1.548.525 para a Redvalue durante o período analisado pelos investigadores.
O relatório também identificou intensa movimentação em dinheiro vivo nas contas da empresa: foram 109 saques em espécie, que somaram R$ 4.628.563,85, além de 15 depósitos em espécie, no total de R$ 583,4 mil. Os números se referem à movimentação geral da empresa analisada pelo MP e não significam que todo esse dinheiro tenha vindo da Santa Casa ou sido desviado. Alir Terra.
Divulgação. Ex-presidente nega que controlasse execução e pagamentos Embora admita que soube das inconsistências e participou da reunião que decidiu manter o contrato, Alir negou que acompanhasse diretamente a execução do serviço ou os pagamentos. “Quem acompanha é o fiscal e o gestor.
A diretoria corporativa, ela não.” No interrogatório, ela detalhou a divisão interna de responsabilidades. Segundo Alir, Monique Gregório de Oliveira fiscalizava o contrato. Rinaldo Hakme Romano era inicialmente o gestor e, depois de uma mudança na estrutura administrativa, Alessandro Dias Junqueira assumiu a função.
Os três agora também são réus. Na denúncia, o MP atribui a Rinaldo e Paulo Guilherme atuação na estrutura financeira e administrativa ligada aos pagamentos. Alessandro e Monique, conforme a acusação, atuavam na elaboração ou validação de informações sobre a execução do serviço.
Jary teria participado da busca por empresa Alir também detalhou o papel de Jary de Carvalho e Castro, então vice-presidente da Santa Casa. Segundo ela, o hospital precisava digitalizar os prontuários devido ao volume de documentos armazenados e às condições do espaço físico. Jary, que é engenheiro, teria ficado responsável por buscar uma solução para o problema.
A ex-presidente, no entanto, disse não saber quem formalizou a demanda que deu origem à contratação nem se Jary já conhecia Maurício Aparecido Benites, empresário ligado à Redvalue. Jary também se tornou réu. Segundo o MP, ele participou do direcionamento de recursos para a empresa mesmo diante dos problemas identificados na execução do contrato.
Problemas na digitalização Alir também admitiu que houve problemas no serviço prestado pela Redvalue. Segundo ela, parte dos documentos foi digitalizada em preto e branco, embora determinadas informações dos prontuários precisassem ser preservadas em cores. A ex-presidente também relatou problemas relacionados à certificação necessária para permitir o descarte dos documentos físicos.
Segundo Alir, a Redvalue foi chamada para corrigir essas questões. Ela afirmou que foi durante as discussões sobre os problemas do contrato que passou a ter contato com Maurício. Alir negou ter mantido relação pessoal ou profissional com o empresário antes da contratação.
O interrogatório também aborda outra frente da Operação Antidotum, relacionada à operadora Santa Casa Saúde e a empresas vinculadas ao advogado Paulo da Cruz Duarte. Alir negou ter sido sócia formal de Paulo, mas admitiu que os dois mantiveram uma relação profissional no passado. Segundo ela, Paulo trabalhou em seu escritório e os dois dividiram honorários em determinados processos.
Ela também confirmou que, anos depois, alugou o próprio escritório para Paulo e que recebia mensalmente o pagamento em sua conta bancária. Paulo e a então gestora da Santa Casa Saúde, Beatriz Lemes da Silva, não estão entre os sete réus desta ação penal. A ausência deles desta denúncia, porém, não representa o encerramento dessa frente.
Em documento anexado aos autos, o MP informou que a investigação sobre possíveis fraudes em contratos entre a Santa Casa Saúde e empresas vinculadas a Paulo, além de eventuais crimes de lavagem de dinheiro, foi desmembrada e ainda não estava concluída.
O próprio relatório bancário informa que a apuração alcança tanto os fluxos relacionados à Redvalue quanto pagamentos feitos pela Santa Casa Saúde a empresas ligadas a Paulo, com análise de circulação de recursos e de possíveis mecanismos de ocultação ou dissimulação patrimonial. O que diz a defesa de Alir Terra Confira, na íntegra, a nota do advogado Murilo Marques, que atua na defesa da ex-presidente da Santa Casa. "A Alir foi denunciada exclusivamente por ser Presidente da Santa Casa.
Todos os atos praticados por ela foram em conjunto com a Diretoria, enquanto Presidente. Não há nenhum ato ilícito praticado por ela, tanto que ela sequer foi denunciada por corrupção." Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:
