Economia, inflação e imigração: o que pode decidir as midterms nos EUA? No sul do Texas, inglês e espanhol se misturam até mesmo dentro de uma mesma frase. Ou na mesma família.

Em uma região de maioria latina e tradicionalmente democrata, Donald Trump venceu as eleições presidenciais de 2024. Agora, porém, o descontentamento com o governo pode favorecer os democratas nas eleições legislativas de novembro. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp MAPAS vão mostrar a apuração em tempo real No domingo, cerca de 8 mil pessoas se reuniram em Weslaco, cidade na fronteira com o México, para apoiar três candidatos democratas.

O grupo inclui James Talarico, que disputa uma vaga no Senado; Gina Hinojosa, candidata ao governo do estado; e Bobby Pulido, cantor que concorre à Câmara dos Representantes. A estratégia dos candidatos é concentrar o discurso nas dificuldades econômicas da população, deixando as disputas partidárias em segundo plano. "Minha agenda é voltar ao essencial.

Não se trata de atacar diferentes grupos de texanos, mas de apoiá-los e oferecer oportunidades e prosperidade", afirmou Hinojosa. Em 2024, Trump venceu nos quatro condados do Vale do Rio Grande, região próxima à fronteira mexicana, com até 56% dos votos. Pesquisas recentes, no entanto, apontam insatisfação com a condução da economia e com as políticas migratórias do presidente, que incluem operações de fiscalização temidas por parte da população latina.

MAPAS vão mostrar a apuração em tempo real Eleições EUA 2026: resultado ao vivo do Congresso no governo Trump "Muita gente do vale foi convencida pela mensagem dos republicanos. Pensou que aquilo não a prejudicaria e votou neles. Mas nada melhorou.

As pessoas continuam enfrentando dificuldades com saúde, combustível e alimentos", afirmou Diego Ayala, de 26 anos, dono de uma empresa de jardinagem. Em 3 de novembro, os americanos vão eleger os 435 integrantes da Câmara dos Representantes, cerca de um terço do Senado e os governadores de 36 estados. Os democratas também acompanham com otimismo o ritmo da votação antecipada no Texas.

Mais de 5,1 milhões de pessoas haviam votado até 27 de outubro, o equivalente a 26,8% dos eleitores registrados, segundo a Secretaria de Estado do Texas. Voluntários distribuem panfletos informativos durante uma ação de mobilização para a votação antecipada em McAllen, no Texas, em 24 de outubro de 2026. Gabriel Cardenas / AFP Medo de votar O governo Trump intensificou investigações sobre possíveis casos de votação por pessoas sem cidadania americana.

A administração também ofereceu recompensas por informações que levem à prisão e à condenação de responsáveis por fraude eleitoral. Organizações de defesa dos direitos civis alertam que a possível presença de agentes federais nos locais de votação pode intimidar eleitores. No sábado, a organização Poder Latinx promoveu um evento informativo em McAllen e ofereceu acompanhamento a pessoas que não se sentem seguras para votar sozinhas.

"Não queremos que ninguém se sinta intimidado nas urnas. Queremos garantir que as pessoas conheçam seus direitos e não deixem que a presença de policiais as impeça de votar", afirmou Vianey Preciado, diretora da organização no Texas. Benny Meléndez, empresário texano filho de pais mexicanos, votou em Trump em 2024 para punir o então presidente Joe Biden, em quem havia votado anteriormente.

Mas as operações de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) assustaram seus funcionários. "Nós punimos os democratas votando nos republicanos. Mas os republicanos nos traíram.

Por isso, agora também vamos puni-los votando nos democratas. Queremos mostrar aos dois partidos que, se voltarem a mexer com os hispânicos e latinos, não vão perder apenas dinheiro, mas também poder político", afirmou. LEIA TAMBÉM Trump e Obama mobilizam eleitores na reta final das eleições de meio de mandato nos EUA Midterms 2026: Como está a aprovação de Trump a dias das eleições de meio de mandato nos EUA Democratas bolaram 'plano secreto' para confundir eleitores do Alasca, diz jornal; Trump reage nas redes