Jalser Renier é preso pela PF por suspeita de crime eleitoral em Boa Vista O candidato a deputado estadual Jalser Renier foi solto nesta sexta-feira (25) após passar pela audiência de custódia e pagar fiança. Ele foi preso pela Polícia Federal (PF) por suspeita de compra de votos e associação criminosa em Boa Vista. O Ministério Público foi favorável à prisão.
Jalser foi preso nesta quinta-feira (24) pela Polícia Federal (PF), em Boa Vista, e passou a noite na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc). Agentes encontraram no escritório dele R$ 19 mil em dinheiro e planilhas relacionadas à campanha, o que levantou a suspeita de compra de votos. A operação da PF investigava lavagem de dinheiro.
O g1 apurou que documentos apreendidos continham anotações com a sigla “BU”, o que pode indicar uma possível compra de votos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Entenda como aconteceu a prisão Renier foi levado à sede da PF, onde prestou depoimento. Em entrevista ao g1, o advogado dele, Carlos Vilareal, disse que entre os documentos apreendidos, havia planilhas com nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários.
"O delegado entendeu que, inicialmente, isso poderia configurar, uma hipótese, havia indícios de crime de captação ilícita de sufrágio, a compra de votos. Nessa situação ele arbitrou uma fiança no valor de 100 salários mínimos, o que equivale a mais de R$ 160 mil", disse o advogado. Durante o procedimento, a defesa considerou o valor da fiança "absurdo" e pediu ao delegado que baixasse.
No entanto, após a conversa, o delegado federal revogou a fiança e acrescentou o enquadramento por associação criminosa ao caso, crime que não permite fiança. Com isso, o candidato permaneceu preso e deve passar por audiência de custódia. A esposa de Jalser, a médica Tatyanne Aguillera, conhecida como Dra.
Taty, candidata a deputada federal, chegou à sede da PF por volta das 17h40, mas não falou com a imprensa. Enquanto isso, apoiadores do candidato erguem bandeiras, gritam "injustiça" e o nome dele em frente ao prédio da PF. "Nós lamentamos a decisão da autoridade policial e acreditamos que amanhã um juiz do plantão eleitoral deverá analisar os autos com toda a técnica.
O Ministério Público Federal será ouvido, assim como os representantes legais da defesa. Acreditamos que, no primeiro momento em que houver uma análise judicial, esse erro da Polícia Federal deverá ser corrigido pela Justiça Eleitoral", afirmou o advogado de Jalser.
Esposa de candidato e apoiadores oram pelo Jalser Renier Nalu Cardoso/g1RR Operação de lavagem de dinheiro A operação que investiga Jalser por lavagem de dinheiro foi deflagrada nesta quinta pela PF e cumpriu dois mandados de buscas e apreensões na casa e no escritório do candidato. Foi nessa operação que agentes encontraram os indícios de crime eleitoral. Batizada de Operação Filargíria, o trabalho desta quinta é desdobramento de uma investigação que prendeu um homem com R$ 305 mil em espécie em outubro de 2025.
"As apurações revelaram indícios de atuação reiterada na entrega de dinheiro em espécie a terceiros, além da utilização de contas de passagem para a movimentação de valores supostamente provenientes de recursos públicos", informou a PF. A ideia da PF com a Operação Filargíria é ter acesso a novos elementos de prova que esclareçam a origem e a destinação dos recursos movimentados, além de identificar outros envolvidos ou beneficiários das operações financeiras investigadas.
O escritório alvo das buscas foi o mesmo em que Jalser foi preso em 2021 por mandar torturar e sequestrar o jornalista Romano do Anjos (entenda abaixo). Agentes usaram duas viaturas descaracterizadas na operação. Os veículos ficaram estacionados em cada uma das entradas do escritório, que fica numa esquina.
Além disso, parte da rua foi interditada. Os mandados da operação foram cumpridos pelo Grupo de Pronta Intervenção (GPI), unidade especializada da PF que atua em situações de crise e em operações de médio e alto risco. Na frente da sede da PF, a Dra.
Taty, esposa e candidata a deputada federal por Roraima, junto com apoiadores oram pós a prisão do candidato. O grupo orou e cantou os hinos "Aquilo que parecia impossível" e "Não há ferrolhos, nem portas" no local. Histórico de Jalser Renier Jalser Renier Padilha é um dos políticos mais conhecidos de Roraima.
Ele foi deputado por 27 anos, mas teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020.
PF faz operação no escritório do ex-deputado Jalser Renier em Boa Vista No processo penal sobre o caso do jornalista, ele é réu por sete crimes: sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificada. A cassação também havia deixado Jalser inelegível até 2030.
No entanto, em agosto, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendeu parcialmente os efeitos da cassação. Com isso, ele ficou autorizado a participar da convenção e dos demais atos necessários para disputar as eleições deste ano. Ex-deputado estadual Jalser Renier Reprodução/Instagram Agentes da Polícia Federal na porta do escritório do ex-deputado e candidato, Jalser Renier, em Boa Vista (RR).
João Gabriel Leitão/g1 RR Viaturas da PF paradas na frente do escritório de Jalser Renier, em Boa Vista João Gabriel Leitão/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
