Imagem de satélite mostra o tufão Dujuan próximo ao Japão em 20 de setembro de 2026. NASA Worldview/MODIS-Terra A mudança climática provocada pela ação humana aumentou a quantidade de umidade disponível na atmosfera durante a passagem do tufão Dujuan pelo Japão, criando condições favoráveis para chuvas mais intensas.
Segundo um novo estudo da World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de cientistas que investiga a influência do aquecimento global em eventos climáticos extremos, havia cerca de 9% mais vapor d'água na atmosfera do que haveria em um clima sem o aquecimento causado pelas atividades humanas. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Esse aumento é importante porque representa mais água disponível para cair na forma de chuva.
Quanto mais quente fica a atmosfera, maior é sua capacidade de armazenar vapor d'água. Os pesquisadores também concluíram que as águas do oceano por onde o Dujuan passou antes de atingir sua intensidade máxima estavam entre 2°C e 3°C mais quentes do que estariam em um clima pré-industrial. O oceano mais quente fornece energia e umidade para tempestades tropicais e pode favorecer chuvas mais intensas.
O Dujuan atingiu a região de Kantō, no Japão, em setembro, provocando chuvas torrenciais, enchentes e deslizamentos. Segundo o estudo, 17 pessoas morreram, principalmente em deslizamentos na província de Chiba, e quase 45 mil residências ficaram sem energia. Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os cientistas analisaram dados meteorológicos e diferentes modelos climáticos para investigar a influência do aquecimento global sobre o episódio.
Os resultados indicam que extremos de chuva estão se tornando mais prováveis e intensos à medida que o planeta aquece. No caso específico do Dujuan, porém, as incertezas dos dados e dos modelos não permitem determinar com precisão quanto da chuva pode ser atribuído à mudança climática.
Tufão Dujuan atinge o Japão com ventos de até 194 km/h Uma análise complementar, baseada em simulações de tempestades semelhantes ao Dujuan, encontrou volumes de chuva entre 20% e 40% maiores nas áreas mais atingidas no clima atual em comparação com condições pré-industriais. Os autores ressaltam, no entanto, que esse resultado foi obtido por uma metodologia diferente e que ainda existem incertezas importantes na atribuição direta das chuvas do tufão.
A influência do aquecimento global sobre o próprio sistema foi menor. As simulações apontaram apenas um pequeno aumento na intensidade dos ventos e não encontraram mudança estatisticamente significativa na frequência de tufões semelhantes. O estudo também avaliou o papel do atual El Niño.
Segundo os pesquisadores, o fenômeno não intensificou a chuva nem elevou as temperaturas do oceano associadas ao Dujuan. Para os autores, o episódio também mostra os limites das medidas de adaptação a eventos extremos. O Japão possui sistemas avançados de previsão, alertas de emergência e estruturas de proteção contra enchentes.
Mesmo assim, o tufão provocou centenas de deslizamentos, alagamentos e danos à infraestrutura. “Mesmo em um país como o Japão, com extensas defesas fluviais e sistemas avançados de previsão, uma chuva dessa intensidade pode causar danos graves”, afirmou Yukiko Imada, pesquisadora da Universidade de Tóquio e uma das autoras do estudo.
O trabalho reuniu cientistas do Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Irlanda e Holanda ligados à World Weather Attribution e ao Weather Attribution Center Japan, um centro de pesquisa independente lançado em maio de 2025. LEIA TAMBÉM: Colapso glacial: entenda a formação de geleiras e o rompimento que provocou enchente repentina no Nepal Permafrost: degelo de solo congelado pode ajudar a explicar desastre no Nepal Imagens de satélite mostram extensão do colapso de geleira no Nepal; veja
