Suspeito de matar mulher já foi preso e condenado por descumprir medida protetiva de ex Pollyanna Botelho, amiga que presenciou o assassinato de Priscila Lacerda Custodio, disse, em entrevista ao g1, que o pecuarista era controlador, ciumento e não aceitava que a jovem, de 24 anos, interrompesse os encontros casuais que os dois tiveram. A vítima, natural de Perdizes, no Alto Paranaíba, foi baleada por João Roberto Bolelli, de 62 anos, em Rifaina (SP), na noite da última terça-feira (27).
A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli na quarta-feira (28). Até a última atualização da reportagem, ele não havia sido localizado e era considerado foragido. O caso é investigado como feminicídio.
Ao g1 Ribeirão Preto e Franca, a defesa do pecuarista informou que analisa o caso e que ainda não havia conseguido contato com ele. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Pollyana contou que Priscila nunca teve um relacionamento sério com o pecuarista, apenas encontros casuais, mas que ele demonstrava comportamento possessivo e queria manter a jovem exclusivamente para si. "Ele queria ter posse dela.
Ele queria ter ela só pra ele e não aceitava de forma nenhuma que ela interrompesse qualquer vínculo que existia", relatou. As duas eram amigas havia cinco anos e moravam na mesma rua, em Perdizes, no Alto Paranaíba. Segundo Pollyanna, Priscila já tentava encerrar a relação com Bolelli havia meses, principalmente depois que começou a namorar Samuel Ramos, de 26 anos.
Pollyanna acompanhou a amiga até Rifaina e presenciou o assassinato dela Arquivo pessoal/Pollyanna Botelho A testemunha afirmou que o pecuarista recorria à pressão psicológica e a chantagens emocionais para convencer a jovem a continuar encontrando com ele. "Com a pressão psicológica que ele fazia, ela acabava cedendo em algumas coisas por medo, por ameaças. Mas desde quando ela conheceu o Samuel, ela já não queria mais envolvimento nenhum", contou.
Ainda segundo a amiga, Bolelli dizia que estava doente e que precisava da presença de Priscila. "Ela continuou porque ele estava fazendo chantagem emocional com ela. 'Se você não vier me ver, eu vou acabar morrendo, porque eu estou muito doente, você tem que vir me ver.
Eu dou para você o que você quiser, mas vem, por favor, cuidar de mim'. Ela não estava indo [até Rifaina] porque ela estava com ele, até porque eles não estavam juntos, nunca estiveram de verdade. Mas, ele fazia essa chantagem emocional para que ela pudesse ir ver ele." Jovem relatou agressões e ameaças dias antes do crime Ainda de acordo com Pollyanna, quatro dias antes do assassinato, em 23 de outubro, Priscila contou que havia sido agredida pelo pecuarista.
A amiga afirmou que chegou a ver as marcas das lesões no corpo da vítima. A testemunha também relatou à polícia que Bolelli ameaçou dar um tiro na cabeça de Priscila e teria contratado pessoas para monitorar os passos dela. Segundo o depoimento, o homem desconfiava que a jovem estivesse se relacionando com outra pessoa e não queria que ela voltasse para Perdizes.
Na ocasião da agressão, Priscila estava em Rifaina. Ela conseguiu voltar para Minas Gerais, mas Bolelli entregou a caminhonete dele à jovem e exigiu que ela retornasse à cidade paulista. Segundo a amiga, ele ameaçou atirar na cabeça de Priscila caso ela não voltasse.
Priscila Lacerda Custodio foi morta a tiro por João Roberto Bolelli Arquivo pessoal LEIA MAIS: Jovem dividia apartamento há oito meses com amigo preso por estuprá-la e gravar o crime Mãe é esfaqueada na cabeça ao defender filha de ataque do ex Pecuarista insistiu para encontrar jovem pessoalmente Irmão que viu jovem ser morta em SP relata como pecuarista 38 anos mais velho a matou Na terça-feira (27), Priscila foi até Rifaina para devolver a caminhonete.
Ela estava acompanhada do irmão, Geovane Santana, e de Pollyanna, pois estava apreensiva com a situação. Antes do encontro, a jovem teve dificuldade para localizar o ponto indicado pelo pecuarista. A amiga sugeriu que elas deixassem o veículo na cidade e que Bolelli fosse buscá-lo, mas ele insistiu que Priscila fosse pessoalmente até o local.
"Ele mandou mensagem falando que não tinha como ir na cidade buscar [a caminhonete], porque ele não estava com nenhum automóvel, ele estava a pé. Ele insistiu com ela para que ela fosse até lá", contou Pollyanna. A amiga também afirmou que Priscila acabou cedendo por medo das ameaças e da pressão psicológica que sofria.
Jovem foi morta durante discussão Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), o encontro aconteceu às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), próximo a uma propriedade rural. No local, Priscila começou a conversar com Bolelli, mas os dois tiveram uma discussão envolvendo um celular que o pecuarista teria dado a ela. Durante o desentendimento, o homem sacou uma arma e atirou contra a jovem.
Depois do crime, ele fugiu na caminhonete que Priscila havia levado para devolver. O assassinato foi presenciado pelo irmão e pela amiga da vítima. Priscila foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Caminhonete que Priscila foi a Rifaina devolver ao suspeito. Segundo o boletim, Bolelli fugiu no veículo após o crime Câmera de segurança Priscila planejava comprar casa com o namorado Priscila Lacerda planejava comprar uma casa em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para morar com o atual namorado Samuel Ramos, de 26 anos, segundo o relato dele ao g1. A jovem, que estudava de forma remota marketing digital e fotografia, era conhecida pelos amigos e familiares como uma pessoa dedicada e trabalhadora.
Segundo Samuel, a empresária já tinha terminado a relação casual com Bolelli quando os dois se conheceram. O homem, no entanto, não aceitava que ela se relacionasse com outra pessoa e chegou a contratar um detetive para segui-la, de acordo com o relato dele. Ele e Priscila namoravam desde junho e moravam juntos há cerca de um mês em Perdizes.
O casal se aproximou através da mãe dele, a psicóloga Fabyana Oliveira, que era amiga e cliente da jovem. Priscila Lacerda era empresária da área de marketing digital Arquivo pessoal VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo
