Os estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem acessar a nova edição da cartilha “A Redação do Enem 2026– Cartilha do Participante”, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O documento está disponível no portal do Inep e reúne as principais orientações sobre a prova de redação, além de exemplos comentados de textos que alcançaram nota máxima na edição anterior.

✏️Pelo segundo ano seguido, há uma orientação explícita que reforça uma regra já existente nas edições anteriores do exame: a proibição de "repertórios de bolso". O Inep define esse conceito como "referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos(as) participantes, de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto".

"É como se fosse um repertório 'guardado no bolso' para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente", afirma a cartilha. ✏️Por que essas citações são problemáticas?

Segundo o Inep, a competência II da redação do Enem exige que o participante utilize repertórios socioculturais legitimamente relacionados ao tema, ou seja, devem: ser pertinentes ao assunto tratado; ser bem contextualizados e articulados com os argumentos; mostrar que o(a) participante sabe relacionar o conhecimento ao problema discutido.

"Se o(a) avaliador(a) perceber que o repertório foi inserido de forma decorada, automática ou forçada, ele(a) pode avaliá-lo como não produtivo, o que poderá prejudicar a nota da competência II", diz o documento. Exemplos reais de repertório de bolso A Cartilha do Participante do Enem 2026 apresenta um exemplo de repertório de bolso em um texto sobre o tema do Enem 2025 ("Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira"): "Além disso, Aristóteles afirmou que o homem é um animal político.

Dessa maneira, é possível perceber que o envelhecimento na sociedade brasileira precisa ser discutido.

Portanto, é necessário que todos reflitam sobre esse problema para que haja melhorias no país." Justificativa do Inep sobre a baixa produtividade na Competência II: "A referência ao pensamento de Aristóteles ("animal político") é ampla e versátil, mas apresenta baixa pertinência ao tema do envelhecimento na sociedade brasileira, pois a ideia de que o indivíduo vive em comunidade não é desenvolvida para explicar aspectos específicos da condição das pessoas idosas no Brasil.

Após a citação, o texto passa diretamente a afirmar que o tema precisa ser discutido, sem estabelecer uma relação lógica de causa, consequência ou exemplificação entre o conceito filosófico e a problemática." "Dessa forma, o repertório assume uma função meramente ornamental e introdutória, não contribuindo de maneira efetiva para o fortalecimento da argumentação." Como será a redação Redação nota mil no Enem: alunos de escola pública que atingiram pontuação dão dicas Os candidatos terão de escrever um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, a partir da situação-problema apresentada na prova.

Serão considerados os conhecimentos adquiridos pelo estudante ao longo de sua formação, além daqueles apresentados nos textos motivadores. A correção será feita por, no mínimo, dois avaliadores independentes. Cada um atribuirá nota de 0 a 200 pontos em cinco competências, que, somadas, podem chegar a 1.000 pontos.

A nota final será a média aritmética de todos os corretores. O Inep destaca que podem levar à nota zero situações como: fuga total ao tema; redação com até 7 linhas; inserção de trechos desconectados do assunto; não seguir a estrutura dissertativo-argumentativa; desrespeitar a seriedade do exame.

O que será avaliado Segundo a cartilha, os avaliadores observarão se o estudante: domina a modalidade escrita formal da língua portuguesa; organiza informações, fatos e argumentos de forma consistente; utiliza mecanismos linguísticos adequados para a argumentação; apresenta uma proposta de intervenção para o problema discutido. Importância do Enem Criado há mais de duas décadas, o Enem se consolidou como a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil.

As notas podem ser usadas para concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além disso, diversas instituições públicas e privadas utilizam o exame como critério de seleção, seja de forma exclusiva ou complementar. Os resultados individuais também podem ser aproveitados em universidades portuguesas que têm convênio com o Inep, facilitando o ingresso de brasileiros no ensino superior em Portugal.