Balão pega fogo durante passeio e cai em Praia Grande (SC) O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou o piloto do balão de ar quente que caiu em Praia Grande, no Sul, e matou oito pessoas em junho de 2025. Ele responderá por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), motivado por negligência e imprudência, e lesão corporal culposa.

A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (26), após a análise de laudos periciais, depoimentos de testemunhas e diligências complementares, e ocorre um ano após a Polícia Civil ter concluído a investigação sem indiciar ninguém. O g1 procurou a defesa do piloto Elves de Bem Crescêncio nesta manhã de segunda-feira (26) e aguardava o retorno até a última atualização do texto. O caso está em segredo de Justiça.

✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Na denúncia, o Promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal também requer a condenação do piloto por danos morais às vítimas sobreviventes e aos sucessores de cada vítima fatal. O que levou à denúncia A decisão do MPSC foi tomada após a análise de laudos periciais, depoimentos de mais de 20 pessoas e diligências complementares solicitadas à Polícia Científica. A Polícia Civil concluiu o inquérito em outubro de 2025, sem indiciar ninguém.

No mês seguinte, a Promotoria de Justiça de Santa Rosa do Sul solicitou novas diligências, com 16 quesitos a serem esclarecidos pela perícia. O laudo complementar foi concluído em 22 de setembro de 2026. Conforme a denúncia, o piloto teria cometido uma série de falhas antes e durante o voo, incluindo a falta de verificação de equipamentos, o atraso no início da manobra de pouso forçado e a ausência de fechamento de todas as válvulas e linhas dos cilindros de propano após o início do incêndio.

O MPSC também aponta que o piloto teria abandonado o balão após o primeiro contato com o solo, soltando a fita usada para controlar o equipamento e mantendo fechada a abertura superior do envelope, o que impediria a saída do ar quente. Segundo a apuração, o balão voltou a subir rapidamente e de forma descontrolada, ainda em chamas e com oito pessoas a bordo. Quatro ocupantes saltaram do cesto na tentativa de escapar do incêndio, mas morreram em razão da queda.

Os outros quatro morreram carbonizados. Os demais passageiros conseguiram sair do balão por conta própria ou foram arremessados para fora durante a dinâmica do impacto. Três deles ficaram feridos.

Local da queda de balão que deixou oito mortos em Praia Grande (SC) Patrick Rodrigues/NSC Equipamento teria contribuído para o incêndio Um dos pontos destacados pelo Ministério Público é a presença de um maçarico auxiliar dentro do cesto do balão. De acordo com a denúncia, o piloto manteve no local um equipamento da marca Italgas, modelo 5IT, acoplado a um frasco de gás MAPP.

O dispositivo era diferente do acendedor auxiliar fornecido pelo fabricante do balão, não possuía trava de segurança e precisava ter a válvula fechada manualmente para interromper o fluxo de gás. O MPSC afirma que o piloto não teria conferido adequadamente os equipamentos antes da decolagem e deixado de verificar se a válvula reguladora do maçarico estava completamente fechada. Segundo a investigação, quando uma mala de bordo caiu e se alojou no cesto, o botão de centelha do equipamento foi acionado.

A faísca provocou a ignição do gás liberado, e a chama atingiu a capa de tecido que revestia um dos cilindros de propano, dando início ao incêndio. Para o Ministério Público, a continuidade do fornecimento de gás contribuiu para a propagação das chamas. "O incêndio, o pouso forçado, a retomada da ascensão do balão e o posterior colapso da estrutura constituíram a cadeia causal que resultou nas lesões corporais e nos óbitos", afirmou o promotor de Justiça Ricardo Figueiredo Coelho Leal, responsável pela denúncia.

O que acontece agora A denúncia será analisada pela Justiça, que decidirá se a recebe. Caso isso aconteça, o piloto passará à condição de réu e será citado para apresentar defesa. Na sequência, o juiz avaliará a resposta à acusação e, se o processo prosseguir, será marcada uma audiência para ouvir testemunhas e interrogar o acusado.

O processo seguirá até o julgamento. O procedimento criminal tramita em sigilo. Reveja os VÍDEOS mais assistidos do g1 SC