Lula fala em momento mais crítico da ONU e sentimento de 'indignação' O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que o país não vai "terceirizar a responsabilidade" de proteger as próprias fronteiras contra o crime organizado, e reforçou a importância de combater facções criminosas e uma maior cooperação internacional na área. "O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado.
Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades", afirmou. Ele citou os desafios enfrentados por cidadãos no país diante do avanço das facções criminosas. "Trabalhadores são roubados.
Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas As pessoas estão cansadas da violência". "Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.
Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime", prosseguiu. Lula então citou a proposta apresentada ao presidente Donald Trump.
"Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior". Lula fez o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22).
O Brasil é tradicionalmente o primeiro país a falar no mais importante debate diplomático global. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026 Brendan McDermid/Reuters O presidente citou acordos do Brasil com países vizinhos e a parceria mantida com os Estados Unidos.
A avaliação apresentada por Lula é que, como as organizações criminosas atuam além das fronteiras nacionais, o enfrentamento também precisa envolver os diferentes países, com troca de informações, compartilhamento de inteligência e atuação conjunta das forças de segurança. Agora no g1 🌎 A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.
🗨️ O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 81ª edição. 🔎Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".
Debate sobre PCC e CV O tema ganhou peso na relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo Donald Trump tem afirmado que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Os Estados Unidos passaram a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
O governo brasileiro contesta esse enquadramento, embora defenda o endurecimento das ações contra as facções, com retomada de comunidades sob domínio do crime, reforço de segurança e fiscalização nas fronteiras e maior integração entre as forças de segurança.
Para o governo brasileiro, PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas sobretudo à obtenção de lucro por meio de atividades como tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e controle de regiões, mas não grupos que se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira.
🔎A Lei Antiterrorismo brasileira considera terrorismo a prática de determinados atos por razões como xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado. É com base nessa diferença de motivação que o governo sustenta que as facções devem ser combatidas como organizações criminosas, e não enquadradas como grupos terroristas. Ministério da Segurança Pública O tema também tem aparecido nos discursos de campanha de Lula no Brasil.
O presidente defende a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação da PEC da Segurança, proposta que amplia a participação da União no enfrentamento ao crime e busca aumentar a integração com estados e municípios. A PEC também prevê mudanças nas atribuições das forças federais, com ampliação da atuação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início deste mês, mas ainda precisa ser analisada pelo plenário da Casa para começar a valer. Lula discursa na ONU Al Drago/Reuters
