Registro de um eclipse lunar parcial com as manchas solares mais aparentes; foto foi feita pelo astrônomo amador Renato Poltronieiri. Renato Poltronieri/Divulgação Na noite de quinta-feira (27) para sexta-feira (28), moradores do Maranhão poderão acompanhar um eclipse lunar parcial que vai encobrir 96,2% da Lua com a sombra da Terra. O fenômeno será visível em todo o Brasil e terá uma programação especial de observação em São Luís, com telescópios e atividades de divulgação científica no Mirante da Litorânea.

Apesar de ser classificado tecnicamente como um eclipse parcial, o alto percentual de cobertura fará com que a Lua tenha uma aparência semelhante à de um eclipse total. O momento de maior obscurecimento ocorrerá às 1h13 da madrugada de sexta-feira (28), no horário de Brasília.

📱Baixe o app do g1 para ver notícias do MA em tempo real e de graça A observação dependerá das condições do tempo, mas, diferentemente do eclipse solar ocorrido no início do mês, que não pôde ser visto do Brasil, o eclipse lunar poderá ser acompanhado diretamente pelos observadores em todo o país.

Observação gratuita em São Luís Na capital maranhense, o público poderá acompanhar o fenômeno durante o evento “Luau no Mirante – Observação Pública do Eclipse Lunar Parcial – Lua de Sangue”, promovido pelo Laboratório de Divulgação Científica Ilha da Ciência, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), pela Sociedade de Astronomia do Maranhão (SAMA) e pela Sirius Rocket-UFMA.

A programação será realizada no Mirante da Litorânea, na Rua dos Caiapós, nº 10, no bairro Calhau, das 22h desta quinta-feira (27) até as 2h da sexta-feira (28). O evento é gratuito e aberto ao público. Durante a noite, os participantes poderão utilizar telescópios para acompanhar o eclipse e participar de uma roda de conversa com o professor doutor Antônio Oliveira, da UFMA, sobre eclipses, astronomia e curiosidades do Universo.

Como será o eclipse Diagrama mostra a diferença da umbra e da penumbra. NASA O eclipse lunar acontece quando a Lua atravessa a sombra projetada pela Terra no espaço. Essa sombra possui duas regiões: a penumbra, uma área de sombra mais clara, e a umbra, a parte mais escura.

Durante o fenômeno, a Lua passará profundamente pela umbra terrestre, criando o efeito visual de uma “mordida” no disco lunar. A grande área encoberta pela sombra fará com que o eclipse pareça praticamente total para quem estiver observando. Ao contrário do eclipse solar, que exige proteção adequada para evitar danos à visão, o eclipse lunar pode ser acompanhado sem nenhum equipamento especial.

“Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”, explica a astrônoma do Observatório Nacional, Josina Oliveira do Nascimento. Horários do eclipse No horário de Brasília, as principais fases serão: 22h24 (27/8): início da fase penumbral; 23h34 (27/8): início da fase parcial; 1h13 (28/8): ponto máximo do fenômeno, quando ocorre o maior obscurecimento; 2h52 (28/8): fim da fase parcial; 4h02 (28/8): fim da fase penumbral.

A fase parcial, que é a mais facilmente perceptível, terá duração de aproximadamente 3 horas e 18 minutos. Considerando também as etapas penumbrais, o eclipse completo se estende por cerca de 5 horas e 38 minutos. ☝️ Ou seja: se você quiser acompanhar o momento em que quase toda a Lua estará encoberta terá de olhar para o céu à 1h13 da próxima sexta-feira (28), e não na madrugada de quinta-feira.

A Lua vai ficar vermelha? Como este não será um eclipse total, a Lua não ficará completamente avermelhada como ocorre na chamada “Lua de Sangue”. Mesmo assim, a parte do disco lunar que estiver dentro da umbra poderá adquirir tons mais escuros, alaranjados ou avermelhados.

Isso acontece porque parte da luz do Sol atravessa a atmosfera terrestre antes de chegar à Lua. A luz azul se espalha com mais facilidade na atmosfera, enquanto comprimentos de onda mais longos, como os tons vermelhos e alaranjados, conseguem atravessá-la e alcançar a superfície lunar. É o mesmo processo que ajuda a explicar os tons avermelhados do nascer e do pôr do Sol.

A Nasa compara o fenômeno a todos os amanheceres e entardeceres da Terra sendo projetados sobre a Lua. "É o mesmo fenômeno que torna o pôr do Sol vermelho. É como se a luz do Sol fosse filtrada pela nossa atmosfera e sobrasse esse vermelho que espalha a luz do Sol que incide sobre a Lua", diz Alessandra Abe Pacini, cientista do grupo de Física Espacial da Universidade do Colorado.

🔭 Dicas para acompanhar em São Luís Para quem for ao Mirante da Litorânea, a organização recomenda levar cadeira, binóculo, luneta ou telescópio próprio, além de água, lanche e uma garrafa térmica, já que a atividade ocorrerá durante a madrugada. A expectativa é reunir famílias, estudantes e interessados em ciência para uma noite de observação do céu e divulgação científica.

O próximo eclipse lunar total visível em todo o Brasil deve ocorrer apenas em junho de 2029, quando a Lua poderá assumir a tradicional coloração avermelhada conhecida como “Lua de Sangue”. Vídeo mostra timelapse do eclipse lunar parcial mais longo visto em Tóquio