Quatro dias depois da tragédia provocada pelo colapso de uma geleira, autoridades confirmaram a morte de quase setecentas pessoas no Nepal e no Tibete. Três mil continuam desaparecidas. O repórter Felipe Santana está no Nepal e relata a situação: "Esse aqui é o rio Trichuli.
Foi o que a gente mais viu nas imagens daquele rio que transbordou. Com muita violência, ele levou cidades inteiras. Você imagina que toda essa região aqui era uma cidade onde viviam pessoas e, de uma hora para outra, foi levada pela enxurrada.
Lá do outro lado, a gente vê que as montanhas também estão em processo de erosão, e uma segunda enxurrada poderia deixar todas aquelas casas lá e as pessoas em risco." Do outro lado das montanhas fica o Tibete, região autônoma da China. As chuvas continuam dificultando o acesso às áreas mais atingidas. O governo nepalês manteve o país em alerta para novas enchentes.
"Sobraram poucos prédios por aqui. Aquele ali era o banco; aqui, a prefeitura. Mas isso aqui era um grande mercado, que foi todo levado pela enxurrada.
A cidade está completamente destruída", diz o repórter Felipe Santana. Três dias depois do deslizamento que devastou a região, a sobrevivência agora depende da solidariedade. No prédio público transformado em abrigo, voluntários organizam roupas, água e alimentos.
Ramila Tamang ajuda a distribuir as doações. Ela também é uma vítima. A enchente destruiu a casa, o sítio, mas preservou o maior bem dela: os filhos.
Para muitas crianças, a primeira mudança veio nas coisas mais simples: poder trocar de roupa depois de vários dias. Em questão de minutos, a paisagem mudou diante dos olhos de Saraswati Ghale. A ponte desabou.
A encosta foi tomada por água e lama, e a única saída foi correr para as partes mais altas da montanha. A catástrofe começou na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira nas proximidades do pico Langtang Lirung provocou uma avalanche de gelo e rochas e desencadeou um deslizamento de grandes proporções. O Nepal pediu ajuda para resgates em túneis, identificação de corpos e restabelecimento de transportes e comunicações.
Vinte mil famílias precisam de alimentos. Cinquenta mil, de água potável. Do outro lado da fronteira, no Tibete, máquinas tentam reabrir as estradas destruídas pelo deslizamento.
Acima da área atingida, equipes monitoram um lago formado pela avalanche da geleira e temem uma nova enxurrada. O número de mortos já chega a 689: 675 no Nepal, sete no Tibete chinês e sete corpos levados pela enxurrada que foram encontrados em rios da Índia. Hoje, a Força Armada Policial do Nepal divulgou imagens comoventes do resgate de uma menina de seis anos nos escombros de uma casa perto do posto fronteiriço de Timure, dois dias depois da avalanche.
Dos 581 estrangeiros dados como desaparecidos, 261 foram encontrados com vida. Outros 320 continuam desaparecidos. E mais de 900 operários seguem presos em túneis tomados pela lama.
