Operação Lívia: alvos se passavam por adolescentes para ganharam confiança de vítimas A Justiça soltou, nesta quarta-feira (16), os cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, envolvidos no suicídio de uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), transmitido ao vivo nas redes sociais. Eles haviam sido apreendidos na primeira fase da Operação Lívia, no dia 4 de agosto. As informações foram confirmadas pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Naviraí, Fernando Moreira, responsável pelo caso.
Segundo ele, os adolescentes foram soltos porque a etapa judicial do processo foi concluída. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp "Foram ouvidas testemunhas e interrogados os adolescentes. Contudo, a Polícia Científica não conseguiu finalizar os laudos periciais, que são muito complexos".
Ele afirmou ainda que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece o prazo máximo de 45 dias para a conclusão do processo de internação provisória. Segundo o magistrado, não foi possível finalizar o procedimento nesse período porque os laudos ainda não foram concluídos. "Os adolescentes apreendidos na segunda fase seguem internados", afirmou.
Relembre o caso Seis menores são apreendidos por morte de menina transmitida pelo Discord Reprodução A adolescente morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela teria sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual. Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio.
Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais. Usando informações disponíveis na internet, criavam perfis falsos, conquistavam a confiança das vítimas e as levavam para outras plataformas. A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”.
Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais das vítimas e passavam a ameaçá-las para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos. No dia 4 de agosto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um jovem de 18 anos foram alvos de mandados em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.
O suspeito de chefiar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Durante as buscas, foram encontrados celulares, computadores, armas, materiais de apologia ao neonazismo e conteúdos de abuso sexual infantil. Os investigados são suspeitos de homicídio qualificado e organização criminosa.
Pessoas com conhecimento da investigação informaram que, durante a mesma “live”, outra adolescente teria sido induzida pelos participantes à automutilação e ao suicídio, mas abandonou a transmissão. Outros crimes também são investigados, entre eles maus-tratos contra um animal. No dia 12 de agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil.
No entanto, isso não significa que o Discord foi suspenso no país. A determinação atingiu apenas a ferramenta de transmissões ao vivo. A suspensão será mantida até que a empresa comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes.
🔎A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, cuja missão é zelar pela proteção de dados pessoais de brasileiros. Cumprimento de mandados durante operação 'Lívia' Reprodução/PF Como buscar ajuda Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito.
Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo. O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento.
Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento.
Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação: Centro de Valorização da Vida Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio Instituto Vita Alere Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos) Instituto Bia Dote Itens apreendidos durante operação 'Lívia', da PF Reprodução/PF O que diz o Discord Veja o posicionamento na íntegra: “Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo.
A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação.
Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma.
Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.” Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
