Criolo fala ao g1 antes de show em Rio Preto (SP): 'Ainda sou um aprendiz' Aos 50 anos, com quase quatro décadas de dedicação à música e duas indicações ao Grammy Latino 2026, Criolo ainda se considera um aprendiz. O cantor, que se apresenta nesta quinta-feira (17), em São José do Rio Preto (SP) , afirma que continua buscando aprimorar o próprio trabalho e que ainda precisa fazer “música boa de verdade”.

A declaração foi dada em entrevista ao g1, um dia depois de o artista receber a notícia de que concorre a duas categorias da premiação internacional. O álbum colaborativo “Criolo, Amaro e Dino” disputa Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira, enquanto a faixa “No Vento de Nós” concorre a Melhor Canção em Língua Portuguesa. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp “Por enquanto eu sou aprendiz.

Ainda me falta aprender muita coisa, ainda me falta aprender fazer música boa”, afirmou, antes de saber das indicações. A fala contrasta com o reconhecimento alcançado por Criolo ao longo da carreira, mas revela uma postura que ele mantém diante da própria produção: a de quem continua estudando, ouvindo e buscando novas possibilidades para a música brasileira.

O cantor Criolo, atração desta quinta (17), em São José do Rio Preto (SP), celebra duas indicações ao Grammy Latino Criolo/Divulgação “Eu tenho vultos e tenho pessoas ao meu redor que me fortalecem nesse meu sonho de tentar melhorar. Então acho que ainda falta muita coisa para mim”, disse. Entre o Grammy e o palco em Rio Preto A indicação ao Grammy Latino chega depois de um fim de semana de grandes apresentações.

No sábado (12), Criolo esteve no Rock in Rio, acompanhado por Amaro Freitas e Dino D'Santiago. No domingo (13), participou do Coala Festival, em São Paulo, em um show comemorativo dos 15 anos de “Nó na Orelha”. Nesta quinta-feira, o artista chega ao Sesc de Rio Preto (veja informações na agenda cultural), com o espetáculo “Criolo 50”, que revisita diferentes momentos de sua trajetória.

Para ele, a apresentação no interior paulista tem a mesma importância dos grandes festivais. Os ingressos em Rio Preto esgotaram rapidamente. “É tão importante quanto estar no Rock in Rio, é tão importante quanto fechar o Festival Coala, e apresentar na vossa cidade, no vosso espaço.

É do mesmo jeito”, afirmou. O cantor disse que leva para Rio Preto a alegria e os ensinamentos das experiências recentes. “Eu chego na cidade muito feliz, cheio de alegria”, contou.

Rap e samba como ponto de partida Ao revisitar a carreira, Criolo afirma que reencontra a força do rap e do samba, manifestações que ajudaram a construir sua identidade artística no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo. Ele também cita o Pagode da 27, espaço que, segundo o cantor, proporcionou acolhimento e aprendizado sobre o samba. “Essas forças que regem esse início de tudo vêm comigo até hoje”, disse.

A mistura de gêneros que caracteriza sua obra, incluindo rap, samba, reggae e MPB, surgiu de maneira natural, explica o artista. Ele relembra as referências que recebeu ao longo da vida, como Raul Seixas, Elza Soares, Luiz Gonzaga e Fagner. “Esse popular brasileiro é muito maior que o estereótipo”, afirmou.

Criolo conta que a convivência com pessoas de diferentes regiões do país, em uma favela formada também por famílias nordestinas, do Centro-Oeste, do interior paulista e de outras partes do Brasil, ampliou seu repertório musical. “Essa variedade musical que o meu território me proporcionou, sem eu perceber, ajudou a construir coisas aqui dentro que, quando eu fui fazer música, tudo isso apareceu como modo de gratidão”, explicou.

Quinze anos de ‘Nó na Orelha’ O álbum “Nó na Orelha”, lançado há 15 anos, também integra o momento de celebração da carreira. O disco ampliou a projeção nacional de Criolo e se tornou uma referência de sua capacidade de transitar por diferentes linguagens musicais. Ao ouvir as músicas hoje, ele diz reconhecer o desejo de contribuir para uma transformação maior e de acompanhar as pessoas em diferentes momentos da vida.

“Se você tá num mau momento, se essa música ali foi companheira, se esse disco foi companheiro, isso já me enche de gratidão”, afirmou. O cantor, porém, não considera que tenha chegado a um ponto final de sua formação. “A eterna música brasileira é muito maior que nós todos”, disse.

“As aulas são eternas, contínuas, desde que você fique atento para perceber os ensinamentos.” Música para além dos estereótipos Criolo também falou sobre a diversidade musical no interior paulista, frequentemente associado ao sertanejo. Para ele, há espaço para diferentes expressões culturais e gêneros musicais. “É tudo isso e um pouco mais.

Acho que tem espaço para todo mundo mostrar sua diversidade musical”, declarou. O artista reconhece que determinados gêneros predominam em alguns territórios por causa de suas histórias culturais, dos investimentos e das relações construídas ao longo do tempo. Nesse cenário, afirma se sentir honrado por encontrar espaço para sua música em Rio Preto.

“Para mim é uma grande honra. Eu fico muito feliz”, afirmou. O que ainda falta fazer A busca por aprimoramento aparece também quando Criolo fala sobre o futuro.

Mesmo depois de 38 anos dedicados à música, ele afirma que ainda precisa aprender e melhorar. “São 38 anos dedicados a esse amor”, contou. “Mas o que eu digo é que eu faço bem porque eu faço há quase 40 anos.

Não pode misturar as coisas.” Para ele, a dedicação ajuda a equilibrar as limitações e a construir o trabalho artístico. “O amor é tão grande e eu me dedico tanto que a gente vai equilibrando onde falta talento, o trabalho talvez ajude um pouquinho a equilibrar a balança”, afirmou. Enquanto se prepara para mais uma apresentação, agora em Rio Preto, Criolo mantém a disposição de continuar aprendendo — mesmo quando o reconhecimento chega em forma de uma indicação a uma das principais premiações da música latina.

Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM