Fachada de prédio do BRB, em imagem de arquivo Jornal Nacional/ Reprodução A diretoria do Banco de Brasília (BRB) recebeu, ainda em agosto de 2024, um alerta interno sobre problemas nas carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. A informação consta no relatório parcial da investigação da Polícia Federal que apura esquemas relacionados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).

Na ocasião, um gerente informou que aproximadamente 90% da carteira recebida do Master apresentava falhas ou não atendia aos critérios exigidos pelo BRB. Apesar dos problemas identificados, as operações entre as duas instituições continuaram posteriormente.

O dado mostra que questionamentos sobre a qualidade dos ativos negociados já circulavam internamente no banco brasiliense em 2024, envolvendo: inconsistências de dados; falhas de governança; deficiências de compliance; e possível irregularidade na originação dos créditos. O documento aponta ainda que a presidência do banco pressionou pela aprovação de novas compras.

PF ouve Vorcaro e ex-presidente do BRB sobre Banco Master O BRB – que tem como acionista majoritário o governo do DF – enfrenta uma crise marcada por perdas bilionárias ligadas a operações com o extinto Banco Master. Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Augusto Lima foram alvo de diferentes fases da Operação Compliance Zero, que investiga os negócios do Banco Master. Os três estão presos.

O BRB tentou comprar o Master e chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no banco de Vorcaro. A compra foi barrada pelo Banco Central e, depois, o BRB descobriu que parte das carteiras compradas era fraudulenta e sem lastro. BRB identificava problemas, mas operações com o Master continuaram Em diferentes análises internas, grande parte dos ativos oferecidos pelo Banco Master era eliminada por não atender aos critérios adotados pelo BRB.

Em alguns casos, apenas uma pequena parte dos créditos passava pelos filtros do banco. Apesar disso, as negociações continuaram e, segundo os investigadores, alguns critérios de avaliação foram posteriormente alterados, aumentando o volume de créditos que poderia ser aceito. "Mesmo diante da reiterada rejeição dos ativos apresentados, a orientação não foi interromper as aquisições, mas exigir que o MASTER encontrasse novos créditos que permitissem a continuidade das operações", destaca o documento.

A lista de indiciados Veja abaixo quem são os 15 indiciados pela Polícia Federal no relatório desta quarta: Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master; Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Master; Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Master; Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Master; Allan da Silva Machado, ex-procurador do Master; Henrique Souza e Silva Peretto, sócio da Tirreno; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno; Daniel Lopes Monteiro, ex-advogado do Master; Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora executiva de Controle e Riscos do BRB; Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora executiva de gestão de pessoas do BRB; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor executivo de Atacado e Governo do BRB; José Maria Correa Dias Junior, ex-diretor executivo de Tecnologia do BRB.

Ao todo, foram indiciados: seis ex-sócios ou ex-gestores do Banco Master; dois sócios da Tirreno, firma de consultoria apontada pela PF como empresa de fachada para o esquema; sete ex-gestores do BRB. O g1 e a TV Globo tentam contato com as defesas dos citados. O que dizem os citados Paulo Henrique Costa "A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-Presidente do BRB, recebeu com surpresa o seu indiciamento pelos crimes de gestão fraudulenta e de organização criminosa.

Pesa dizer que o trabalho policial submeteu os fatos às hipóteses acusatórias, quando deveria fazer o inverso. As conversas em aplicativos de mensageria nos celulares dos integrantes do ambiente Master mostram às escâncaras que Paulo Henrique não tinha conhecimento das fraudes nas carteiras. As testemunhas, sejam as ligadas ao BRB, sejam ao Master, são convergentes nesse tema.

Também foram ignorados todos os documentos carreados aos autos, inclusive por autoridades públicas, como o Banco Central. Há prova eloquente de que foi Paulo Henrique a detectar irregularidades nas carteiras; de que ele exigiu, passo contínuo, 25 bilhões de garantias; de que quando o nome da Tirreno vem à lume, as operações são suspensas; há centenas e centenas de mensagens de Paulo Henrique ao Master exigindo a substituição de ativos, na forma dos contratos, inclusive se valendo daqueles dados em garantia.

Foi Paulo Henrique quem trouxe o fato ao conhecimento do Banco Central, a quem se participaram todos os passos, antes e depois da detecção da fraude. Curiosamente, não se aponta nenhuma vantagem financeira de Paulo Henrique; a fantasiosa versão de recepção de apartamentos, na ordem de 150 milhões de reais, foi amplamente descartada, embora tenham fundamentado a prisão preventiva a que ainda está submetido, já há mais de 180 dias, sem revisão judicial, em ofensa a previsão expressa do Código de Processo Penal.

Há pedido de liberdade provisória desde 12 de junho, pendente de opinião da PGR; há habeas corpus impetrado há 20, sem sequer remessa ao MPF. Paulo Henrique seguiu as orientações do acionista majoritário de realizar operação societária com o Master, seguiu toda a governança, dividiu todos os passos com o Conselho de Administração e com o Banco Central. Sempre atuou no melhor interesse do BRB.

Todas as decisões, importante frisar, eram colegiadas; o Presidente do BRB tinha alçada de zero reais. Nenhuma decisão foi tomada por ele, sozinho. As autoridades usam enviesado microscópio na carteira de 12,2 bi - dos quais 10,5 bi foram substituídos por ativos hígidos, até sua remoção do cargo - e esquecem que a relação com o Master gerou 8 bilhões de reais de receitas; e seguem gerando, diga-se.

Quando Paulo Henrique foi erradamente removido do BRB, o banco era saudável, líquido, rentável, com marca positiva e líder em diversos segmentos; sempre cumpriu seu relevante papel de banco público. Paulo Henrique sempre leal ao BRB e defendeu seu interesse; e seguiu fazendo na relação com o Master.

Paulo Henrique e sua defesa seguem acreditando na Justiça e que a Procuradoria-Geral da República saberá reconhecer a totalidade dos elementos contidos nos autos; uma leitura idônea levará o Ministério Público Federal a descartar as hipóteses de gestão fraudulenta e a igualmente estapafúrdia conclusão de que Paulo Henrique integraria uma organização criminosa." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.