Urna eletrônica Isadora Pereira/g1 O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) recebeu 61 denúncias de assédio eleitoral nas relações de trabalho desde 1º de janeiro de 2026. Desse número, 31 denúncias foram registradas após o encerramento das eleições, entre segunda (26) e quarta-feira (28). As denúncias recebidas nesses três dias representam mais da metade do total registrado no ano.
O recebimento após a votação, porém, não significa que todos os episódios relatados tenham ocorrido nesse período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Segundo o MPT-MT, os relatos reforçam que pressões políticas, ameaças e possíveis retaliações no ambiente de trabalho podem continuar mesmo depois das eleições. Ao longo do ano, o órgão expediu 31 recomendações e instaurou 25 inquéritos civis para apurar possíveis irregularidades.
Agora no g1 A capital lidera o número de registros no sistema do MPT-MT em 2026. Veja a distribuição informada pelo órgão: Cuiabá: 20 denúncias; Sinop: 9; Barra do Garças: 7; Rondonópolis: 4; Várzea Grande: 3; Outras 15 localidades: entre 1 e 2 registros cada. Entre os municípios com um registro está Lucas do Rio Verde, a 354 km de Cuiabá, onde mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp sugeriam boicotes a empresas supostamente ligadas a apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As conversas também mencionavam ações para impedir a chegada a Mato Grosso de ônibus com trabalhadores de outros estados.
Mensagens compartilhadas em grupos do WhatsApp de Lucas do Rio Verde (MT) sugerem boicotes a empresas supostamente ligadas a apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Reprodução Capturas de tela atribuídas aos grupos “Engenheiros e Arquitetos” e “Movimento Direita LRV” mostram mensagens que incentivavam a criação de listas de comerciantes identificados como apoiadores da esquerda, além de boicote ao turismo no Nordeste. Em uma das conversas, um participante escreveu: “só na bala agora”.
Capturas de tela atribuídas às comunidades “Engenheiros e Arquitetos” e “Movimento Direita LRV” mostram mensagens que incentivavam boicote a apoiadores da esquerda. Reprodução Em registros posteriores, administradores aparecem removendo participantes do grupo “Movimento Direita LRV”. Um dos integrantes afirmou que havia “muita gente infiltrada” e propôs apagar o grupo.
Em outra mensagem, um administrador informou que uma reunião prevista havia sido cancelada. As capturas de tela não confirmam se o grupo foi efetivamente excluído. Os fatos são analisados a partir dos elementos disponíveis, sem conclusão antecipada sobre responsabilidades.
Em prints posteriores, administradores aparecem removendo participantes da comunidade “Movimento Direita LRV” Reprodução O que o MPT faz após receber as denúncias A atuação do MPT busca impedir que o ambiente de trabalho seja usado para pressionar trabalhadores por suas escolhas políticas, seja por meio de ameaças, constrangimentos, retaliações ou promessas de vantagens.
As recomendações têm caráter preventivo e orientam empregadores e órgãos públicos a adotar medidas que garantam a liberdade política dos trabalhadores. Já os inquéritos civis servem para aprofundar a apuração e reunir elementos para definir as providências cabíveis. Dependendo do que for constatado, o órgão pode entrar com ações na Justiça do Trabalho.
LEIA MAIS: MPT pode acionar Justiça e exigir reintegração de quem foi prejudicado por assédio eleitoral; MTE apura denúncias em MT Registros em eleições anteriores Nas eleições gerais de 2022, o MPT-MT contabilizou 119 denúncias de assédio eleitoral, envolvendo 80 empregadores denunciados. A atuação resultou em 12 ações civis públicas e na concessão de 11 liminares. Nas eleições municipais de 2024, o relatório nacional de atividades do órgão registrou 21 denúncias em Mato Grosso.
Como denunciar Trabalhadores que sofrerem ou presenciarem situações de assédio eleitoral podem procurar o MPT pelos seguintes canais: Canal nacional: mpt.mp.br/assedio-eleitoral Site do MPT em Mato Grosso: prt23.mpt.mp.br/servicos/denuncias E-mail: prt23.atendimento@mpt.mp.br Segundo o órgão, a identidade do denunciante é preservada. Para casos estritamente individuais, a orientação é procurar o sindicato da categoria, um advogado ou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo telefone 158.
