A elevada taxa de juros foi o principal tema do jantar promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 16 empresários, entre banqueiros e donos de grandes companhias do país, na noite desta segunda-feira (31). Ao todo, 25 pessoas participaram do jantar (veja lista abaixo). Sem a presença do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, Lula e empresários defenderam a construção de um ambiente que permita a redução dos juros para um dígito no Brasil.

Segundo relatos de participantes, a preocupação com os efeitos da taxa de juros elevada sobre a economia e os investimentos foi o assunto mais citado durante as manifestações dos empresários. Ainda segundo interlocutores, Lula fez uma breve abertura e, em seguida, passou a palavra aos empresários. Todos se manifestaram.

Depois deles, falaram ministros presentes e o vice-presidente Geraldo Alckmin. (leia mais abaixo). Lula reúne 15 empresários em busca de sinalizar responsabilidade fiscal Um dos banqueiros presentes ponderou, porém, que a discussão sobre a queda dos juros não pode ser dissociada do ajuste das contas públicas.

Segundo ele, é necessário avançar simultaneamente em uma agenda de redução dos juros e de equilíbrio fiscal. 🔎Atualmente, a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14% ao ano. Integrantes do governo também apresentaram dados sobre o programa Nova Indústria Brasil e investimentos previstos para diferentes setores da economia.

🔎Lula afirmou aos convidados que não concorda com o atual nível dos juros praticado pelo Banco Central, mas ressaltou que, com a autonomia da autoridade monetária, o poder do governo para interferir na política monetária é hoje menor do que em mandatos anteriores. O presidente também fez questão de destacar que respeita o trabalho realizado por Galípolo à frente do Banco Central.

Economistas e o próprio BC vêm defendendo que uma queda mais consistente dos juros depende da sinalização de uma política fiscal capaz de reduzir a percepção de risco e garantir resultados positivos nas contas públicas. Durante o jantar, Lula voltou a afirmar que seus governos sempre mantiveram compromisso com a responsabilidade fiscal, mas insistiu que o equilíbrio das contas públicas deve caminhar junto com a responsabilidade social.

Na fala de encerramento, Lula fez uma análise do cenário econômico e da situação da indústria brasileira. Clima tranquilo De acordo com uma fonte do governo que participou do encontro, o jantar durou cerca de duas horas e quarenta minutos, das 20h às 22h40. Apesar das preocupações manifestadas pelos empresários, participantes afirmam que não houve cobranças diretas ao governo.

O clima foi descrito como tranquilo e de "conversa franca". Ainda segundo os relatos, temas como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a dívida pública e minerais críticos foram citados ao longo da reunião, mas apareceram de forma lateral, sem ocupar posição central nas discussões.

Participantes Participaram do jantar: Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República; Geraldo Alckmin, vice-presidente da República; Dario Durigan, ministro da Fazenda; Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento; Aloizio Mercadante, presidente do BNDES; Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil; Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal; Edinho Silva, presidente nacional do PT; Josué Gomes (Coteminas); André Esteves (BTG Pactual); Luiz Carlos Trabuco Cappi (Bradesco); Rubens Ometto (Cosan); Joesley Batista (JBS); José Seripieri Filho; Henrique Constantino (Gol); André Gerdau Johannpeter (Gerdau); Rubens Menin (MRV); Eraí Maggi (Grupo Bom Futuro); Fábio Ermírio de Moraes (Votorantim Cimentos); José Luís Cutrale Júnior (Cutrale); Chaim Zaher (Grupo SEB); Roberto Setubal (Itaú Unibanco); João Alves de Queiroz Filho (Hypera Pharma); Ricardo Lacerda (BR Partners).