Instalação artística reúne retratos em pigmentos vegetais e reproduções de notícias sobre a violência no campo. Foto: Acervo/Porão Cultural A exposição 'Y’apó', que reúne produções artísticas sobre memória, disputas territoriais e conflitos no campo, teve a visitação prorrogada até o dia 13 de novembro em Santarém, no oeste do Pará.

Assinada pelo artista visual e pesquisador Hugo do Nascimento, por meio do Atelier Floresta, a mostra gratuita está aberta ao público no Museu Ribeirinho da Palavra e da Memória, espaço sediado no Porão Cultural, no bairro Aldeia. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O projeto reúne pela primeira vez três corpos de trabalho desenvolvidos ao longo de uma investigação iniciada em 2011: "Amazônia, Ano Zero", "Memorial da Terra" e "Estandarte-Natureza", sob a curadoria de Ruli Moretti.

A proposta organiza arquivos documentais, instalações sensoriais, gravuras botânicas e retratos produzidos com a luz do sol e pigmentos naturais de urucum e jenipapo. O título faz referência ao termo em tupi antigo que deu origem à palavra igapó, junção de "y" (água) e "apó" (raiz), traduzido como "raízes da água". Arte efêmera e denúncia Galeria do Museu Ribeirinho da Palavra e da Memória exibe painel e texto de apresentação da mostra 'Y’apó', no Porão Cultural.

Acervo/Porão Cultural O uso de tintas vegetais confere um caráter transitório aos retratos, que tendem a desbotar com o passar do tempo e a exposição à luz. A técnica dialoga diretamente com as perdas causadas pela violência no campo e com a fragilidade da lembrança coletiva, conforme explica o curador e mediador da exposição, Allan Pessoa. "Como o pigmento natural tem validade, as fotografias vão se esmaecendo e se apagando.

É uma fotografia efêmera que retrata pessoas assassinadas em conflitos da terra. Isso traz o mesmo significado da nossa memória social, que precisa ser sempre reavivada para não esquecermos de quem lutou antes de nós", afirmou. Nas paredes da galeria, reproduções de páginas de jornais de época com manchetes históricas sobre a Guerrilha do Araguaia e a violência agrária dividem espaço com os rostos de trabalhadores rurais e líderes comunitários.

Agora no g1 Pressão ecológica no Tapajós Obras em fototipia mostram a variação dos tons de pigmentos naturais utilizados para registrar lideranças. Foto: Acervo/Porão Cultural Além do aspecto memorial, a mostra convida a sociedade santarena a refletir sobre os reflexos locais das pressões ecológicas. Segundo a organização, o avanço da fronteira agrícola, as queimadas e a estiagem severa que atingem rios e comunidades do Baixo Amazonas tornam urgente a discussão sobre a posse e a preservação do território.

"Quando a gente vai falar da proteção do território, vendo o cenário atual de fumaça, estiagem severa e queimadas pelo avanço do agronegócio, percebemos que a exposição coloca esses conflitos em evidência. São pessoas com raízes nas águas que acabaram arrancadas de sua terra", destacou Pessoa. Visitação e mediação cultural Instalado no Porão Cultural, projeto idealizado pelo diretor-geral Erikson Aires, o museu busca descentralizar o acesso à arte contemporânea e incentivar a formação crítica de jovens da região.

O espaço conta ainda com uma biblioteca comunitária aberta aos frequentadores e propõe uma pausa na rotina digital acelerada por meio da contemplação artística. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, com entrada franca e classificação indicativa livre. Grupos escolares e caravanas podem agendar mediações guiadas com antecedência junto à coordenação do espaço cultural.

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