Por que pagar para estar juntas? Clubes de hobbies crescem em Rio Preto Aprender a fazer velas, pintar ou produzir uma peça de cerâmica: o que poderia ser feito em casa, com um tutorial na internet, deixou de ser uma opção mulheres em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Isso porque clubes de hobbies e encontros criativos têm reunido aquelas que querem pagar para experimentar uma atividade presencialmente, sair da rotina e ampliar o currículo de amizade.
📱 Em meio a mensagens, redes sociais e compromissos difíceis de conciliar, mulheres têm encontrado uma alternativa para ampliar os vínculos: participar desses encontros presenciais com outras que, muitas vezes, nunca viram antes. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Clubes de hobbies viram ponto de encontro para mulheres em Rio Preto (SP) Taynara Alves/Arquivo pessoal A busca por encontros presenciais tem ganhado espaço em Rio Preto.
Na cidade, o g1 identificou mais de sete clubes e iniciativas que promovem experiências coletivas. Mas, para as participantes, o resultado esperado vai além de aprender uma habilidade: envolve sair da rotina e conhecer outras mulheres, de modo que o que começa com uma atividade pode terminar em conversas e novas amizades. A procura também revela uma dificuldade comum na vida adulta: manter amizades e encontrar tempo para sair de casa.
Trabalho, faculdade, família e outras responsabilidades passam a ocupar espaço na agenda, enquanto encontros espontâneos se tornam menos frequentes. Clubes de hobbies em Rio Preto (SP) unem mulheres fora das redes Taynara Alves/Arquivo pessoal 💡️ Os desafios da vida adulta Mulheres participam de clube de hobbies em Rio Preto (SP) Taynara Alves/Arquivo pessoal “Eu costumo falar que o clube nasceu de uma mulher cansada. A vida é muito mais do que trabalhar”, conta Bruna Albanês, criadora do Clube Seiva.
Empreendedora, ela percebeu que a rotina estava concentrada no trabalho e que precisava reservar espaço para outras experiências. A rotina acelerada e o uso constante do celular também fizeram Bruna refletir sobre a qualidade das relações. A dificuldade de encontrar tempo para cultivar relações foi justamente uma das motivações para a criação de um desses clubes.
De acordo com ela, reunir pessoas em torno de uma atividade em comum é uma forma de criar oportunidades para trocas. “A gente está com o telefone a todo momento. Então a gente está conectada a todo momento, mas a gente nunca está presente de fato.
Eu sinto que tem mulheres que buscam esse tipo de encontro para talvez se reencontrar”, afirma Bruna. A dificuldade de manter amizades na vida adulta também motivou Katerly Almeida, idealizadora do Clube Criar. Depois do ensino médio, ela começou a se sentir sozinha e percebeu que outras mulheres passavam por situações semelhantes.
De acordo com ela, criar esses encontros contribuiu para ampliar suas relações e desenvolver mais facilidade para conversar. Ela também destaca que há assuntos que, na percepção dela, são mais fáceis de compartilhar entre mulheres. “É muito importante as mulheres terem esse local seguro para elas estarem, né?
Para elas desenvolverem habilidades, conversarem com outras mulheres, que precisam sim ter conexão com outras mulheres, porque só nós entendemos nós mesmas. Não tem como a gente explicar para um homem o que a gente sente e ele entender na sua totalidade”, comenta Katerly. Mulheres se reunem em clube de hobbies em Rio Preto (SP) Clube Criar/Divulgação ♀️ Por que estar entre mulheres faz diferença?
Além da possibilidade de fazer novas amizades, a identificação com outras mulheres aparece como um aspecto importante para parte das participantes. Em ambientes femininos, elas relatam encontrar mais liberdade para conversar, compartilhar sentimentos e falar sobre experiências que nem sempre dividem em outros espaços. A professora de ciências, Flávia Laís Tumelero, que participou de uma oficina de produção de velas, destaca o conforto de estar em um ambiente com outras mulheres.
Segundo ela, o espaço permite conversar, compartilhar sentimentos e ser ela mesma, sem medo de julgamentos. “A gente pode se abrir mais, a gente sente um clima bem mais leve e acho que todo mundo se sente bem confortável, então a gente pode falar como a gente se sente sem ser julgada”, ressalta Flávia. Clube Criar promove encontro entre mulheres em Rio Preto e Mirassol (SP) Clube Criar/Divulgação A possibilidade de conhecer pessoas é um dos atrativos dos clubes.
Para algumas participantes, no entanto, o primeiro desafio é vencer a insegurança de chegar sozinha. Paulínia Gimenes, que é tatuadora, decidiu não esperar que uma amiga tivesse disponibilidade para acompanhá-la: foi sozinha para uma experiência de bordado em foto e encontrou outras mulheres, de diversas idades, com interesses semelhantes. A escolha também pode ajudar a tirar projetos do papel.
Paulínia observa que sair de casa e frequentar um ambiente diferente diminui as distrações e facilita colocar uma ideia em prática. Na oficina de bordado, a anestesiologista Elaine Moraes da Silva encontrou na atividade manual uma oportunidade de introspecção, mas também de troca. De acordo com ela, os participantes compartilham ideias, ajudam umas às outras e conversam enquanto produzem, de modo que o contato presencial é parte fundamental da experiência.
“Eu estou num momento da minha vida com mais tempo, refletindo tudo sobre mim. E eu acho que essas coisas vão dar bastante alegria na minha vida, porque é um trabalho manual, é uma introspecção enquanto eu estou bordando. A troca presencial olho no olho é muito importante”, comenta Elaine.
🤝 Solidão e conexão: uma preocupação que vai além dos clubes Psicóloga Giovanna Belém Miyazaki Giovanna Belém Miyazaki/Arquivo pessoal A importância dos vínculos sociais ganhou dimensão em junho de 2025, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório em que reconhece a conexão social como uma questão de saúde pública. Conforme a entidade, uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. O documento estima que a condição esteja associada a cerca de 871 mil mortes por ano.
A psicóloga Giovanna Belém Miyazaki, doutora em psicologia do desenvolvimento, explicou que a busca por convivência não é uma exceção, mas uma necessidade humana. “Nós humanos somos seres sociais. Isso significa buscar outras pessoas com quem a gente se identifica, fazer coisas junto com essas pessoas, passar tempo com os outros, fazer trocas com essas pessoas, não é exceção, é regra”, comenta a psicóloga.
A especialista observa que as redes sociais podem simular algumas formas de conexão. O compartilhamento de mensagens, memes e publicações cria oportunidades de troca, mas a atenção dividida entre diferentes conteúdos pode tornar essas interações superficiais. Na avaliação da psicóloga, os encontros presenciais permitem dedicar tempo às pessoas, conversar e trocar experiências.
Ter um interesse em comum, como uma atividade, também pode facilitar a aproximação entre desconhecidos. “Mesmo que sejam pessoas desconhecidas, os clubes oferecem a oportunidade da gente conhecer, da gente conversar, da gente trocar experiências com pessoas que a gente pode se identificar. Existe uma chance maior desse tipo de conexão acontecer”, explica a psicóloga.
Ela explica que os clubes podem representar uma alternativa para quem não encontra oportunidades de pertencimento no trabalho, no ambiente doméstico, na família ou em outros contextos de lazer. Nesses espaços, a atividade compartilhada funciona como ponto de partida para a construção de relações. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM
