Edinho Silva, presidente nacional do PT, fala a jornalistas em São Paulo nesta sexta-feira (1). Letícia Brito Silva O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta sexta-feira (2) que o PT está aberto para ouvir e agregar propostas de candidatos de outras forças políticas em um eventual segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. “Mesmo candidaturas à direita valorizam a democracia e querem um Brasil democrático.
Temos que abrir esse diálogo — ou nós vamos cair como país da intolerância”, disse Edinho. Quem são os candidatos para votar nas eleições de 2026? O dirigente, que é coordenador da campanha de Lula, confirmou que o presidente vai participar dos debates no segundo turno.
No primeiro turno, o petista não foi a nenhum debate com os demais candidatos à Presidência. De acordo com Edinho, Lula quer um confronto direto com o adversário Flávio Bolsonaro (PL). “Ele quer que o povo enxergue a diferença entre o Brasil que o Flávio defende e o Brasil que ele representa”, disse o presidente do PT.
Edinho concedeu entrevista em um hotel em São Paulo, ao lado de integrantes da campanha e de Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT. Sentimento de mudança como adversário O coordenador da campanha de Lula reconheceu o sentimento de mudança na população e afirmou que o único capaz de realizar reformas estruturantes é o candidato do PT. “Não estamos disputando com o Flávio, mas com esse sentimento de mudança.
Tanto que, quando você tira o Flávio e põe o Caiado, Cury, todos crescem, porque nosso adversário é esse sentimento. Por isso que temos que debater que o único capaz de fazer mudanças é o Lula”, disse Edinho Silva. Agora no g1 Estratégias de campanha e palanques regionais O presidente nacional do PT se disse otimista com a campanha de Lula em um possível 2º turno.
Edinho Silva afirmou que, desde 2025, o partido tem se organizado nos estados para viabilizar alianças e palanques regionais para buscar a reeleição do presidente. “Nós vamos ter uma estrutura muito forte de campanha no segundo turno com aliados e outras alianças que poderemos ampliar, mas com estruturas mais montadas no 1º turno. Estou muito confiante de que, em termos de estrutura de campanha, o presidente Lula sai muito na frente em relação ao adversário [Flávio Bolsonaro]”.
O coordenador da campanha do petista também previu cenários para os governos nos estados em que o PT possui candidaturas próprias ou que declarou apoio. Para Edinho, a polarização faz com que a chance dos pleitos serem definidos no 1º turno seja grande. Com candidaturas do PT, a expectativa de Edinho é que o partido tenha chances de ir para 2º turno no Rio Grande do Norte, Minas Gerais, e de vencer a disputa no 1º turno no Piauí.
Com os aliados, Edinho espera que as candidaturas avancem no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, Amazonas, Paraná, e de vencer no 1º turno com aliados em Sergipe e no Pará. Edinho Silva também comentou sobre a campanha do PT em São Paulo, em que Fernando Haddad (PT) aparece atrás de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto. O presidente do PT afirmou que Haddad tem feito uma “campanha brilhante” e que conta com o voto útil para movimentar o cenário eleitoral.
“Se eu fosse o Tarcísio, eu respeitaria muito o Haddad nessa reta final de campanha. Porque a polarização vai se dar. Pode ter uma movimentação importante do eleitoral de São Paulo”, afirmou.
Projeção para o Congresso Nacional A dois dias das eleições, o presidente nacional do PT também fez projeções em relação ao que espera da votação para deputados federais e senadores. Edinho Silva acredita que a bancada do PT na Câmara dos Deputados cresça de 69 deputados para pelo menos 80. No Senado, a expectativa do coordenador da campanha de Lula é que o "campo democrático" forme maioria.
“Podemos ser o partido que mais cresce ou estarmos entre os que mais crescem na Câmara dos Deputados. Com a federação, podemos crescer uns outros 20 parlamentares. Para enfrentar essa quadra histórica no Senado, temos que fazer alianças com o campo democrático para impedir o crescimento dessa direita de inspiração fascista”, declarou.
Crítica a Trump e ao fechamento de consulados dos EUA no Brasil Durante a entrevista coletiva, o presidente do PT também mencionou as suspeitas de interferência estrangeira no Brasil. Edinho Silva criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder fascista do século XXI”. Ele ainda afirmou que, se confirmadas as suspeitas de interferência, os envolvidos devem ser punidos, inclusive com o envio do caso a organismos internacionais.
“O Brasil vai ficar passivo? Se fizéssemos isso lá [nos EUA], certamente a CIA já estaria operando, a Interpol estaria operando para nos investigar. O mundo tem que enfrentar essa concepção que o Trump tem disseminado.
Ele tem interferido em eleições na Europa, na América Latina. O Brasil é a maior democracia direta do mundo, e eu acho que tem que ser respeitado como tal”, afirmou. Edinho Silva comentou sobre o fechamento dos trabalhos consulares e da Embaixada dos EUA no Brasil na última quinta (1) por supostas “questões de segurança”.
“Fechar os consulados é inédito, não tem o menor sentido, é uma das formas que o Trump tem para disputar a opinião pública no Brasil”, declarou.
