Para mulheres com endometriose que desejam engravidar, a descoberta da doença pode trazer uma dúvida importante: é melhor fazer a cirurgia antes ou tentar uma gestação primeiro? A preocupação faz sentido. De um lado, existe o receio de que a doença comprometa a fertilidade.
De outro, há o cuidado com os possíveis efeitos de uma cirurgia sobre os ovários, especialmente quando existem cistos associados à endometriose. A decisão, porém, não segue uma regra única. O tipo e a localização das lesões, a intensidade dos sintomas, a idade, a reserva ovariana e as condições de fertilidade do casal precisam ser avaliados em conjunto.
Em algumas situações, a cirurgia pode fazer parte do planejamento. Em outras, começar pelas tentativas de gravidez ou recorrer a tratamentos de reprodução assistida pode ser mais adequado. Quando a cirurgia pode fazer parte do planejamento da gravidez?
A cirurgia para tratar a endometriose pode ser considerada em mulheres que desejam engravidar, mas a indicação depende das características da doença. Nas formas leves e moderadas, por exemplo, a videolaparoscopia pode ser uma alternativa para tratar as lesões e, em determinadas situações, melhorar as chances de gravidez espontânea. Essa possibilidade é considerada nas diretrizes da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE).
Nos casos de endometriose profunda, que pode atingir estruturas como intestino, bexiga e região atrás do útero, a avaliação exige ainda mais cuidado. A cirurgia pode ser indicada para tratar dores importantes e outras complicações relacionadas à doença. No entanto, não há evidências suficientes para afirmar que a retirada das lesões, por si só, aumenta as chances de gravidez em todas as pacientes.
Quando a mulher pretende realizar fertilização in vitro (FIV), por exemplo, a retirada de lesões profundas antes do tratamento não é uma recomendação automática. A presença de dor, as condições clínicas e a preferência da paciente também entram na decisão. Por que operar um endometrioma exige atenção?
Nos casos em que a doença forma cistos nos ovários (os endometriomas), as diretrizes recomendam cautela. "A cirurgia para retirar o endometrioma exige cuidado extremo e técnica refinada. O uso inadequado de energia ou a tração excessiva podem remover tecido ovariano saudável junto com a cápsula do cisto, reduzindo ainda mais a reserva da paciente", alerta Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Quando tentar engravidar antes da cirurgia pode ser uma opção? Em mulheres com sintomas leves, sem alterações que exijam intervenção cirúrgica e com condições favoráveis de fertilidade, tentar uma gestação antes de operar pode ser uma possibilidade. Isso não significa deixar a doença sem acompanhamento.
O planejamento precisa considerar a idade da mulher, o tempo de tentativa, a reserva ovariana e possíveis alterações nas tubas uterinas e nos ovários. A avaliação também deve incluir a fertilidade do parceiro. Afinal, as dificuldades para engravidar podem estar relacionadas a fatores femininos, masculinos ou à combinação dos dois.
Quando existe indicação, o acompanhamento de um especialista em reprodução humana ajuda a avaliar se vale a pena manter as tentativas naturais por determinado período ou considerar alternativas, como a inseminação artificial e a fertilização in vitro. Para entender melhor como o endometrioma afeta a fertilidade, veja o artigo Cisto de chocolate: o que é o endometrioma e por que ele ameaça sua fertilidade. E, para avaliar o seu caso, veja como funciona o atendimento do Tiago Castilho.
Quais fatores ajudam a definir o melhor caminho? Não é apenas o estágio da endometriose que determina a necessidade de cirurgia. A avaliação considera diferentes informações sobre a saúde reprodutiva da mulher e o histórico da doença.
Entre os principais pontos estão: Idade: é um dos fatores mais importantes para avaliar o potencial reprodutivo e o tempo disponível para planejar uma gestação. Reserva ovariana: exames de sangue e ultrassonografia ajudam a estimar a quantidade de óvulos disponíveis e a resposta esperada dos ovários. Localização e extensão das lesões: a doença pode atingir diferentes órgãos e estruturas, com impactos distintos sobre a fertilidade.
Intensidade da dor: sintomas importantes podem pesar na indicação de tratamento cirúrgico, independentemente do planejamento da gravidez. Histórico reprodutivo: tentativas anteriores, gestações, cirurgias e possíveis fatores de infertilidade do casal também precisam ser considerados. Após a cirurgia, quando indicada, o Índice de Fertilidade da Endometriose (EFI) pode ajudar a estimar as chances de gravidez espontânea.
A pontuação considera informações como idade, histórico reprodutivo e condições das tubas e dos ovários observadas durante o procedimento. O resultado auxilia no planejamento dos próximos passos, mas não representa uma garantia de gravidez. Planejamento individualizado faz diferença A escolha entre operar e tentar engravidar primeiro precisa considerar não apenas a endometriose, mas também os planos e as condições de cada mulher.
Há mais de 10 anos atendendo e operando pacientes com endometriose, Tiago Castilho atua no planejamento de casos que podem necessitar de tratamento cirúrgico. Sua abordagem inclui videolaparoscopia e cirurgia robótica, além do acompanhamento estruturado pelo Cuidado 360º. Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161.
Sobre o especialista Tiago Castilho é cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença. CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.
