Senador Flavio Bolsonaro após visitar o pai preso na Superintendência da PF em Brasília, em 9 de dezembro de 2025 Reuters/Adriano Machado O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que, caso sejam comprovadas suspeitas de envolvimento do magistrado com o empresário Daniel Vorcaro, Moraes, na avaliação dele, não teria condições de permanecer na Corte.

Flávio também se referiu ao ministro como “advogado de Daniel Vorcaro”. As declarações foram dadas a jornalistas em Brasília nesta terça-feira (1º). “A minha primeira percepção é de ficar bem impactado, porque ali está comprovado que o Alexandre de Moraes era o advogado, de fato, do Vorcaro”, afirmou Flávio em coletiva de imprensa no Senado.

Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou da elaboração de um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A conclusão se baseia em registros digitais e metadados de arquivos obtidos pelos investigadores. As informações foram publicadas nesta terça-feira (1º) pelo jornal “O Estado de S.

Paulo” e confirmadas pela TV Globo. Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que consultou o ministro sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação. Segundo o escritório, não foram identificados impedimentos e, por isso, o contrato foi assinado.

Flávio Bolsonaro também citou suspeitas envolvendo mensagens de Vorcaro que mencionam o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. “São muitas acusações graves e que eu espero, de verdade, que ele esclareça, porque, caso contrário, se ele não esclarecer e se comprovar essas suspeitas que estão sendo reveladas agora por vocês da imprensa, ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, declarou o candidato.

Segundo a apuração, os metadados de uma versão digital do documento, extraída durante investigações a partir do celular de Vorcaro, trazem o nome e o usuário vinculado a Moraes como autor da última modificação ou edição do arquivo. O contrato previa a prestação de serviços advocatícios e de consultoria estratégica pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e estabelecia honorários que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões.

Mensagens de Vorcaro Também nesta terça, foi revelado pela que o ministro André Mendonça, do STF, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um documento da Polícia Federal que contém mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor. As referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. A PF aponta a suspeita de que o interlocutor que recebeu a mensagem seja Alexandre de Moraes.

Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento. Ao comentar as informações, Flávio afirmou que Moraes, a esposa do ministro, Gonet e Rodrigues devem prestar esclarecimentos. “Ele tem que dar as explicações que caibam a ele, caibam à esposa dele.

Eu acho que, como foram citados ali também, o procurador-geral da República e o chefe da Polícia Federal, eles também devem dar as explicações”, afirmou. Flávio voltou a dizer que, em sua avaliação, Moraes não teria condições de permanecer no Supremo diante das suspeitas. “Ele não tem, no meu posicionamento, nenhuma condição mais [...] de continuar [...] na Corte, porque ele, mais uma vez, está trazendo toda a Corte, toda a credibilidade da Corte, para um problema que não é da Corte”, disse.

Dark Horse Flávio também foi questionado sobre a relação de Daniel Vorcaro com o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador voltou a defender o aporte feito pelo banqueiro ao projeto e afirmou que não houve irregularidade no investimento. “Mais uma vez, gente, não tem absolutamente nada de errado em um patrocínio privado para um filme privado sobre o presidente Bolsonaro.

Não houve nenhuma contrapartida por parte de qualquer autoridade pública”, disse. Questionado sobre quanto Vorcaro teria colocado na produção, Flávio afirmou que os detalhes deveriam ser solicitados à produtora do filme. “Perguntem à produtora.

Está tudo feito, a prestação de conta, a perícia está feita, a conclusão foi que não há nenhum dinheiro público”, afirmou.