Grupos inspirados no 'Exército de Janones' crescem nas redes. Reprodução/Caixa A virada histórica de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições passou pela forte mobilização digital feita pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Inspirados pelo modelo do “Exército do Lula”, grupos políticos da Europa e da Argentina passaram a reproduzir a estratégia com foco em suas próprias lideranças.
Em poucos dias, alguns desses grupos mais que dobraram no número de integrantes: Na Argentina, o Ejército del Peronismo (Exército do Peronismo), ligado à ala jovem e mais à esquerda do peronismo, principal força de oposição a Milei, cresceu 46,34% em dois dias, de 41 mil para 60 mil integrantes.
Na França, o L’équipe de Mélenchon officielle (A equipe oficial de Mélenchon), que reúne apoiadores do líder da esquerda francesa Jean-Luc Mélenchon, fundador do França Insubmissa (LFI), cresceu 157,89% no período, de 57 mil para 147 mil integrantes. Na Espanha, o La fuerza de la gente (A força das pessoas), criado em apoio ao primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), teve alta de 68%, passando de 25 mil para 42 mil integrantes em dois dias.
No total, os três grupos tinham 123 mil integrantes e cresceram para 249 mil, um aumento de 102,44%. Para além da criação dos grupos, a estratégia de Janones também despertou o interesse de lideranças políticas de outros países, que convidaram o deputado para colaborar em suas iniciativas. Na Espanha, Sánchez convidou Janones para contribuir com sua campanha política.
As eleições espanholas estão previstas para o fim de novembro deste ano. Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, convidou o deputado para uma visita de trabalho. No país, as próximas eleições presidenciais estão marcadas para 6 de junho de 2027.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Grupo "L’équipe de Mélenchon officielle" (A equipe oficial de Mélenchon). Reprodução/WhatsApp No entanto, para o cientista político, Giuliano Salvarani, a estratégia do grupo de WhatsApp, não vai necessariamente ser replicada em outros países.
Isso porque, segundo ele, as diferenças nos hábitos de uso das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, assim como as particularidades da conjuntura política de cada lugar, dificultam uma reprodução direta da estratégia. "Não acredito que a estratégia de Janones tenha o mesmo impacto nesses outros países, até porque eles possuem outra forma de se socializar nas redes sociais e nos aplicativos, que inclusive são diferentes dos que usamos frequentemente aqui.
É um modelo que pode ser aproveitado, mas não necessariamente replicado", disse. Isso não significa que a influência de Janones não terá impacto em outros países, mas que ela será adaptada para cada cultura. Além disso, para Salvarani, a dimensão do eleitorado brasileiro, a polarização e a presença das discussões sobre política no cotidiano também ajudam a explicar o resultado.
"O Brasil é um dos países que mais utiliza plataformas digitais do mundo. Além disso, a política faz parte da nossa cultura. É sobre política que discutimos nos grupos, entre amigos, no família e no trabalho.
Hoje em dia mais do que futebol, fofoca ou cultura", contou o cientista. Por fim, ele avalia que a estratégia deve influenciar as próximas campanhas eleitorais no Brasil e pode se tornar um produto de exportação. "O que funcionou aqui certamente vai ditar o rumo das campanhas eleitorais no Brasil pra próxima década e tenho certeza que será produto de exportação em todo o mundo.
Janones inventou uma forma de mobilizar igual Guardiola aperfeiçoou o “Tik-taka” no futebol do Barcelona ou como João Gilberto tocou seu violão na Bossa-Nova."
