Ediane Maria, reeleita deputada estadual Divulgação Ediane Maria (PSOL) foi reeleita neste domingo (4) deputada estadual por São Paulo. Em seu primeiro mandato, ela entrou para a história como a primeira empregada doméstica eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). “Eu quero agradecer esse momento histórico, uma reeleição não é fácil.

Várias pessoas não entraram nessa reeleição e nós entramos. Isso reafirma o nosso compromisso, primeiro, em tornar o Estado de São Paulo um território de racista, em continuar nossa luta, levando a voz da periferia, a voz dos movimentos sociais, a voz das trabalhadoras domésticas, pessoas, mulheres, que historicamente foram barridas da sociedade, colocada para fora da política.” “A minha reeleição significa um momento histórico, um momento de travessia e um momento de construção de um novo futuro.

A gente está pronto. Então, vamos embora.” Em 2022, Ediane foi eleita com 175.617 votos. Na ocasião, celebrou nas redes sociais a chegada à Alesp com a mensagem: “Simbora que vai ter mulher preta, trabalhadora doméstica e sem teto na Assembleia Legislativa de São Paulo!” Agora, após conquistar um novo mandato, ela destacou o significado da votação e saudou os eleitores que, segundo ela, ajudaram a garantir a reeleição.

“Estou muito feliz. Eu quero saudar as mais de 170 mil pessoas que foram para as urnas, que foram releger a primeira empregada doméstica, a primeira sem teto na Assembleia Legislativa. Vamos embora, nem um passo atrás.” Campanha Ediane afirmou que a campanha foi marcada pela participação de mulheres da periferia e da juventude e destacou as dificuldades enfrentadas durante o período eleitoral.

“Para quem achou que era fácil, não é fácil. Mas eu sei que nossa campanha foi linda. Foi uma campanha pautada pelas mulheres da periferia, por mulheres que vêm do lugar que eu venho, pela juventude.” “Nós fomos para as ruas muitas vezes, nessa chuva que foi quase a campanha inteira.

Nós fomos doentes, nós fomos cansadas, nós somos aquelas que não desistimos. Então, que bom, que bom que a democracia venceu, que bom que nós se reelegemos.” Da periferia à Alesp Negra, LGBT e mãe solo de quatro filhos, Ediane veio do sertão de Pernambuco para São Paulo aos 18 anos, há quase duas décadas. Na capital paulista, começou a trabalhar como empregada doméstica.

Em 2017, integrou a ocupação Povo Sem Medo de São Bernardo do Campo, que chegou a reunir mais de 12 mil famílias. Atualmente, faz parte da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores SemTeto (MTST) e foi uma das fundadoras do movimento negro Raiz da Liberdade. A entrada na política surgiu, segundo ela, para preencher lacunas na representação de grupos que historicamente ficaram fora dos espaços de poder.

Em 2022, Ediane afirmava que, apesar de São Paulo ter mais de 18 milhões de pessoas pretas, havia apenas cinco deputados negros na Alesp naquele momento. Também destacava a ausência de representantes dos trabalhadores sem-teto e das empregadas domésticas na Assembleia. "Só na cidade de São Paulo temos mais de 60 mil sem-teto e na Alesp, nenhum.

O Brasil é o país que tem mais empregada doméstica, e na Alesp não tem nenhuma, até agora", dizia na ocasião. O crescimento da campanha, segundo ela, foi para além do MTST e das comunidades. “Atingiu também o Centro de São Paulo.

Muita gente passou a acreditar na campanha”, explicou em 2022. “As pessoas viram que a política está mais próxima da gente do que a gente imagina, e que é possível fazer política de um jeito diferente”, completou. Novo mandato Para o novo mandato, Ediane afirmou que pretende continuar atuando ao lado de grupos que, segundo ela, historicamente não tiveram voz na Assembleia.

“Então, o meu compromisso é continuar atuando com quem nunca pôde ter voz naquela casa, continuar aprendendo naquela casa. Vamos embora, muito obrigada. Axé, Axé.” “E beijo, gente.

Beijo, São Paulo.” Ediane Maria, reeleita deputada estadual em SP Divulgação