Crescer aumenta o tamanho de uma companhia. Mas também aumenta a complexidade das decisões. Para Caio Santomo, fundador e presidente da CSX Holding, essa diferença ajuda a explicar por que governança, autonomia e responsabilidade passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante na estrutura da companhia.

À frente de uma holding que reúne diferentes operações e áreas de atuação, Santomo defende que organizações consistentes não podem concentrar suas principais decisões em uma única pessoa. Na visão do empresário, quanto maior a estrutura, maior precisa ser a capacidade de analisar oportunidades, confrontar opiniões e compreender os impactos de cada movimento antes da execução. “Eu não preciso ser a pessoa que mais sabe sobre tudo dentro da companhia.

Preciso saber colocar as pessoas certas na mesa e criar um ambiente em que elas tenham liberdade para defender aquilo em que acreditam e responsabilidade sobre aquilo que decidem.” Essa lógica passou a fazer parte da forma como a CSX Holding organiza sua governança e conduz decisões consideradas estratégicas para seus negócios.

Caio Santomo na sede da CSX Holding Divulgação Governança como parte da estratégia de crescimento Na CSX Holding, profissionais de diferentes áreas participam das discussões relacionadas aos principais movimentos da companhia. Estratégia, finanças, jurídico, compliance, tecnologia, comunicação, operações e desenvolvimento de negócios estão entre as competências reunidas nessa estrutura.

A proposta é permitir que uma oportunidade seja observada não apenas pelo seu potencial econômico, mas também pelos possíveis impactos financeiros, jurídicos, operacionais, tecnológicos e reputacionais. Uma oportunidade comercial pode, por exemplo, parecer interessante sob a perspectiva de crescimento e, ao mesmo tempo, exigir uma análise mais profunda sobre estrutura financeira, capacidade operacional ou riscos jurídicos.

Para Santomo, é justamente nessa intersecção que está parte do valor de uma estrutura de governança. “Governança não pode existir para deixar a companhia mais lenta. Precisa existir para melhorar a qualidade da decisão.

O objetivo não é criar dificuldade para decidir. É criar inteligência para decidir.” A divergência também faz parte desse processo. Questionado sobre como administra opiniões contrárias às suas dentro de uma companhia que ele próprio fundou, Santomo responde: “Eu considero isso necessário.

Não quero pessoas ao meu redor para confirmar aquilo que eu já penso. Quero pessoas que enxerguem alguma coisa que eu não enxerguei. Se todo mundo concorda o tempo inteiro, provavelmente a discussão não está sendo profunda o suficiente.” Para o empresário, alinhamento não significa ausência de discordância.

Uma equipe pode compartilhar a mesma direção estratégica e, ainda assim, defender caminhos diferentes para chegar até ela. “Uma boa decisão precisa sobreviver à discussão antes de chegar à execução.” Conselho conecta diferentes competências Dentro desse modelo, o Conselho funciona como um ponto de encontro entre diferentes áreas da CSX Holding. Decisões que antes poderiam parecer restritas a um departamento passam a ser analisadas de maneira mais ampla.

Uma decisão de tecnologia pode afetar operação e experiência do cliente. Uma decisão financeira pode interferir na velocidade de expansão. Uma iniciativa de comunicação pode produzir reflexos sobre reputação e relacionamento com diferentes públicos.

A função da mesa, segundo Santomo, é enxergar essas conexões antes que a decisão seja colocada em prática. “Cargo não pode representar apenas autoridade. Quanto maior a cadeira, maior é a responsabilidade sobre as consequências das decisões que saem dela.” Esse entendimento também modifica o papel das lideranças.

Cada executivo continua responsável por sua área, mas é provocado a compreender os impactos de suas decisões sobre o restante da companhia. A intenção é combinar autonomia com visão do todo. Aos 36 anos, uma estrutura que ganhou escala Aos 36 anos, Caio Santomo está à frente de uma estrutura empresarial que reúne mais de 40 operações e marcas distribuídas entre diferentes verticais de negócios.

Ao longo desse processo, a companhia passou a participar de projetos e operações em escala bilionária, aumentando também a complexidade das decisões, a necessidade de controles e a responsabilidade de suas lideranças. Santomo evita associar crescimento apenas ao número de operações. Para ele, o amadurecimento do conglomerado passa principalmente pela capacidade de construir uma estrutura que continue funcionando sem depender permanentemente de seu fundador.

Questionado sobre qual deve ser o papel de quem fundou uma companhia conforme ela ganha escala, ele é direto: “Meu papel não é estar em todas as salas. É ajudar a definir direção, proteger os fundamentos da companhia e participar das decisões que realmente podem mudar o rumo do negócio.” Para Santomo, a necessidade de um fundador aprovar cada movimento pode revelar uma fragilidade estrutural. “Se eu precisar estar em todas as reuniões, aprovar tudo e resolver todos os problemas, alguma coisa foi construída errado.

Uma companhia precisa de direção, mas também precisa de autonomia.” Na prática, sua atuação está cada vez mais concentrada na direção estratégica da CSX Holding, no desenvolvimento de novos negócios, nas relações empresariais e institucionais e em decisões capazes de produzir impacto sobre diferentes operações. As atividades do dia a dia, por outro lado, precisam estar sob responsabilidade de executivos preparados para conduzi-las.

“Crescer sem criar autonomia é apenas aumentar a dependência de quem fundou o negócio.” Internacionalização entra na agenda da CSX Holding Essa construção de governança acompanha também uma nova etapa da companhia: a ampliação de sua agenda internacional.

Nos últimos anos, Caio Santomo passou a intensificar relações empresariais e institucionais fora do Brasil, aproximando-se de diferentes mercados e ampliando discussões relacionadas a turismo, hospitalidade, desenvolvimento imobiliário e novas oportunidades de negócios. A Suíça está entre os mercados presentes nessa agenda. Em um desses encontros, Santomo esteve com Fabien Clerc, diretor do Turismo da Suíça no Brasil, em uma agenda de relacionamento institucional e troca de experiências entre os dois mercados.

Caio Santomo e Fabien Clerc, diretor do Turismo da Suíça no Brasil, durante agenda de relacionamento institucional entre Brasil e Suíça. Divulgação Para Santomo, internacionalização não deve ser tratada simplesmente como presença física em outros países. Perguntado sobre o que esse movimento representa para a estratégia da CSX Holding, ele afirma: “Internacionalizar não é simplesmente colocar uma bandeira em outro país.

É entender cultura, mercado, legislação, parceiros e, principalmente, com quem você vai construir. Uma boa relação normalmente vem antes de um bom negócio.” O empresário considera que a aproximação com outros mercados também amplia o repertório utilizado nas decisões tomadas no Brasil. “Quando você se aproxima de outros mercados, não olha apenas para oportunidades.

Você observa modelos de gestão, hospitalidade, tecnologia, desenvolvimento e maneiras diferentes de fazer negócio. Isso amplia a visão.” A agenda internacional da companhia, segundo Santomo, precisa seguir a mesma disciplina aplicada às demais decisões estratégicas. “O objetivo não é estar em vários países apenas para dizer que estamos.

Precisamos saber por que estamos entrando, com quem estamos entrando e o que aquele movimento acrescenta à companhia no longo prazo.” Saber quando não avançar também é uma decisão Uma estrutura criada para avaliar oportunidades também precisa ser capaz de recusá-las. Para Santomo, uma das consequências do amadurecimento empresarial é entender que nem todo bom negócio precisa necessariamente fazer parte da estratégia de uma companhia. “Nem toda oportunidade precisa virar negócio.

Às vezes, maturidade é olhar para uma oportunidade boa e entender que ela não faz sentido para aquilo que você está construindo.” Esse processo de análise envolve capacidade financeira, estrutura operacional, riscos jurídicos, posicionamento de marca, prazo de execução e aderência aos objetivos de longo prazo. À medida que a CSX amplia sua exposição a novos projetos, mercados e relações internacionais, essa capacidade de seleção ganha importância.

Para Santomo, crescimento não deve ser medido apenas pela quantidade de negócios iniciados. Também deve ser avaliado pela qualidade das decisões que determinaram onde a companhia escolheu entrar e, principalmente, onde decidiu não entrar. Confiança como ativo empresarial Por trás da estrutura de governança, Santomo destaca outro elemento que considera essencial para negócios de longo prazo: confiança.

Ela aparece nas relações entre sócios, executivos, parceiros, clientes e pessoas que colocam capital, projetos ou responsabilidades sob a gestão de uma organização. Na visão do fundador da CSX Holding, administrar também significa compreender que determinadas decisões afetam recursos, reputações e interesses que vão além de quem ocupa uma posição executiva.

“Quando alguém coloca capital, uma reputação, um projeto ou uma responsabilidade nas suas mãos, você passa a responder também pela forma como aquilo será conduzido.” Por isso, Santomo associa autoridade diretamente à responsabilidade. Para ele, uma posição de liderança não deve ser medida apenas pelo poder de decisão que oferece, mas pelo nível de responsabilidade que exige de quem a ocupa. “Resultado você consegue medir em um balanço.

Confiança não. Ela é construída aos poucos, em cada decisão, e pode ser perdida muito rápido.” Essa visão ajuda a explicar por que decisões relevantes passam pela análise de diferentes áreas antes da execução. Não se trata, segundo Santomo, de eliminar riscos, algo inerente ao ambiente empresarial, mas de entender melhor quais riscos estão sendo assumidos e quais consequências podem produzir.

Uma companhia preparada para o longo prazo Para Caio Santomo, o amadurecimento de uma companhia acontece quando sua estrutura se torna mais forte do que a dependência sobre qualquer indivíduo. Nesse contexto, governança, autonomia e responsabilidade deixam de ser apenas conceitos administrativos e passam a integrar a própria estratégia de crescimento da CSX Holding. O papel do fundador também evolui.

Em vez de concentrar todas as respostas, passa a ser responsável por construir um ambiente no qual diferentes pessoas tenham capacidade para formular perguntas, confrontar decisões e assumir responsabilidades. “A companhia não pode depender da minha presença para funcionar. Ela precisa depender da qualidade das pessoas, da clareza da direção e da responsabilidade com que as decisões são tomadas.” Santomo também associa esse processo à capacidade de pensar no longo prazo.

Para ele, patrimônio, faturamento e expansão são consequências relevantes de uma construção empresarial, mas não suficientes para garantir sua permanência. “Você pode construir patrimônio, companhias e resultados. Mas confiança demora muito mais para ser construída e pode ser perdida em uma única decisão.

No final, é a forma como você decide que determina a qualidade daquilo que está construindo.” Sobre Caio Santomo Caio Santomo é fundador e presidente da CSX Holding. Atua na direção estratégica da companhia, no desenvolvimento de negócios, nas relações empresariais e institucionais e nas decisões relacionadas ao crescimento e à construção de valor de suas operações. Sobre a CSX Holding A CSX Holding é responsável pela governança e pelo direcionamento estratégico de suas operações.

Sua estrutura reúne competências em estratégia, finanças, jurídico, compliance, tecnologia, comunicação, operações e serviços compartilhados, com atuação orientada por responsabilidade na tomada de decisões, autonomia das lideranças e visão de longo prazo.