Tenente de 63 anos morre após sofrer mal súbito depois de teste de aptidão A morte do tenente da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) José Luzia da Silva, de 63 anos, após passar por uma etapa do Teste de Aptidão Física (TAF), em Teresina, levantou dúvidas sobre como funciona esse tipo de avaliação. O exame é exigido em concursos públicos e processos de promoção para carreiras como polícia e bombeiros, e tem o objetivo de verificar se o candidato possui condições físicas para exercer a função.

Na quarta-feira (26), o tenente José Luzia da Silva, de 63 anos, morreu ao sofrer um mal súbito após passar por uma das etapas do TAF, em Teresina. De acordo com a Polícia Militar do Piauí (PM-PI), José Luzia seria promovido ao posto de capitão na PM do Piauí em 19 de novembro de 2026. O TAF era uma das etapas do processo para a promoção ao novo posto.

✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Tenente da PM morre após infartar durante teste de aptidão Reprodução Em nota, a Polícia Militar do Piauí informou que o tenente havia apresentado exames médicos que atestavam sua aptidão para realizar o teste. Como funciona o TAF? Os exercícios exigidos no TAF variam conforme o edital de cada concurso ou processo de promoção.

Em geral, as provas incluem atividades como barra fixa, abdominais e corrida. No teste realizado pelo tenente, os participantes precisavam cumprir um treino de abdominal, flexão e corrida. No caso do tenente, caminhada, segundo a PM-PI.

A Polícia Militar informou que os critérios adotados no teste consideram as diferenças entre os participantes e seguem parâmetros definidos para cada faixa etária. Segundo a corporação, o tenente já estava em repouso quando começou a passar mal. Ao g1, o advogado Berto Igor Caballero explicou que os critérios dos testes de aptidão física são definidos pela legislação e pelas normas de cada estado.

Segundo ele, eventuais adaptações nos exercícios devem ser avaliadas internamente. "Existem níveis que se exigem de determinados candidatos para determinados tipos de promoção e isso é avaliado internamente. Presume-se que isso é feito de acordo com a literatura médica e literatura da educação física estabelecem", disse o advogado.

Cardiologista fala sobre riscos O cardiologista Fernando Giordano afirmou ao g1 que não é possível dizer se o TAF teve relação com a morte do tenente sem acesso ao prontuário médico e às circunstâncias exatas do caso. De forma geral, o médico recomendou que candidatos submetidos a esse tipo de avaliação façam exames antes do teste. Ele explicou que o eletrocardiograma é uma ferramenta importante, mas registra apenas um momento da atividade cardíaca.

Por isso, exames como o teste ergométrico e o teste cardiopulmonar também podem ser indicados. "Principalmente em pessoas acima dos 40/50 anos, a avaliação não deveria se limitar somente em saber se a pessoa está bem naquele momento. Dependendo da idade, fatores de risco, e intensidade do exercício que será realizado, pode ser necessário uma avaliação mais ampla.

São exames importantes, pois quem vai realizar um teste, nós podemos avaliar não apenas o coração em repouso", explicou o cardiologista. O cardiologista ressaltou que também é importante avaliar o histórico de saúde do candidato antes do teste. Entre os fatores que devem ser observados estão hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou morte súbita e sintomas durante atividades físicas.

Segundo Fernando Giordano, mortes súbitas durante testes de aptidão física são menos frequentes, mas podem ocorrer até mesmo em pessoas aparentemente saudáveis. O médico explicou que algumas doenças cardiovasculares podem permanecer sem sintomas por anos. Ele ressaltou que não é possível afirmar se o tenente tinha alguma condição de saúde relacionada ao caso.

"Existem doenças cardiovasculares que permanecem silenciosas durante muitos anos. Um exemplo importante, principalmente depois dos 40/50 anos, é a doença arterial coronariana. A pessoa pode não apresentar sintomas nas atividades habituais e manifestar somente quando o coração é submetido a uma demanda elevada", detalhou o cardiologista.

Por fim, o médico alertou para sinais que não devem ser ignorados durante atividades físicas, como dor ou pressão no peito, falta de ar acima do esperado, tontura, sensação de desmaio, palpitações, perda repentina de força em algum membro, confusão mental ou mal-estar intenso. "Com sinais do tipo, a pessoa deve interromper o exercício e passar por avaliação", completou o médico. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube