Justiça nega liberdade à suspeita de matar Beatriz Vitória A Justiça de Minas Gerais negou o pedido de soltura imediata de Carla Luiza da Silva, presa preventivamente por suspeita de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A decisão é do desembargador Guilherme de Azeredo Passos, relator do habeas corpus apresentado pela defesa de Carla. Ele negou o pedido mas o caso ainda será analisado pela Justiça.

Carla e Samuel Castro Melo são investigados por feminicídio e ocultação de cadáver. Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro e teve o corpo encontrado enterrado em uma área de mata no Loteamento Terra dos Portugueses, na zona rural de Jaboticatubas. Segundo o boletim de ocorrência, Beatriz desapareceu após sair de um bar no bairro Bosque dos Coqueiros e entrar em um carro.

Antes, ela disse aos amigos que voltaria em poucos minutos e, segundo a irmã, demonstrou nervosismo após receber uma ligação. A jovem chegou a retornar ao estabelecimento e contou que estava com medo porque havia uma mulher que não conhecia no veículo. Depois, saiu novamente e não foi mais vista.

A alegação da defesa de Carla No habeas corpus, a defesa alegou que a decisão que converteu a prisão em flagrante de Carla em preventiva não teria apresentado, de forma individualizada, elementos que justificassem a manutenção dela na prisão. A defesa também afirmou que a investigação ainda está em andamento e que não há provas suficientes para apontar Carla como autora do crime.

A defesa afirmou ainda que Carla é ré primária, tem residência fixa e vínculo formal de trabalho e argumentou que medidas cautelares alternativas à prisão seriam suficientes. Outro ponto apresentado foi a alegação de que Carla teria sofrido coação física e moral durante a atuação policial, numa suposta tentativa de obter uma confissão. Ao analisar o pedido, o desembargador entendeu que, neste momento, não há prova de um constrangimento ilegal que justifique a libertação imediata da investigada.

"A concessão de liminar em Habeas Corpus pressupõe a prova pré-constituída de flagrante constrangimento ilegal, o que, por ora, não se verifica", afirmou o relator na decisão. O desembargador pediu mais informações sobre o caso e determinou que o Ministério Público se manifeste antes da decisão definitiva sobre o pedido de liberdade.

Em nota, a defesa de Carla afirmou que respeita a decisão judicial, mas avalia os fundamentos e possíveis medidas jurídicas, e reforçou que a investigação deve ser criteriosa e imparcial, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Juiz defende manutenção da prisão Nas informações encaminhadas ao Tribunal de Justiça, o juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo, da Vara Única de Jaboticatubas, defendeu os fundamentos que levaram à prisão preventiva de Carla e Samuel.Segundo o magistrado, a medida foi baseada na garantia da ordem pública, na conveniência da investigação e na aplicação da lei penal. Ainda de acordo com o documento, a adolescente levou policiais ao local onde o corpo de Beatriz foi encontrado.

O juiz também rebateu a alegação de coação policial apresentada pela defesa. Segundo as informações prestadas ao tribunal, Carla estava acompanhada de advogada na delegacia, permaneceu em silêncio e um exame médico-legal não constatou lesões corporais traumáticas. O caso segue em investigação.

Conforme as informações encaminhadas à Justiça, os autos ainda aguardam a conclusão de laudos periciais e o encerramento do inquérito policial. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e com o Ministério Público e aguarda retorno. Montagem de fotos com Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, jovem que desapareceu na Grande BH, e local onde corpo dela foi encontrado, em Jaboticatubas Reprodução/Redes sociais Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais