Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital A prisão da presidente e de parte da diretoria da Santa Casa, na última sexta-feira (11), ocorreu em meio a uma crise na prestação de serviços de saúde do hospital que, segundo a diretora técnica da instituição, Patrícia Berg, se arrasta há mais de um ano.

Conforme Patrícia, entre as medidas adotadas ao longo desse período estão a redução de cirurgias eletivas e a suspensão de atendimentos ambulatoriais, em razão da falta de insumos, materiais e medicamentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Os atrasos no pagamento de profissionais também seriam reflexo da instabilidade administrativa e financeira enfrentada pelo hospital, segundo a diretora.

Apesar das restrições, Patrícia afirmou que a Santa Casa mantém os atendimentos de urgência e emergência para pacientes de Campo Grande e de todo o Estado de Mato Grosso do Sul. 🔎 A Operação Antidotum, que levou à prisão a diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e parte da diretoria, investiga supostos desvios e prejuízos de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados ao hospital.

Redução nos atendimentos Patrícia Berg explicou que a redução da assistência já vinha ocorrendo antes das prisões. Segundo ela, os atendimentos ambulatoriais, que anteriormente recebiam mais de trezentas pessoas por dia, estão suspensos. Ministério Público em operação na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli As cirurgias também sofreram uma redução significativa.

Antes, eram realizados entre oitenta e cem procedimentos cirúrgicos diariamente. Atualmente, segundo a diretora técnica, o hospital opera com aproximadamente cinquenta a sessenta por cento de sua capacidade operacional. “A redução que nós vínhamos apresentando nas cirurgias eletivas e ambulatoriais se devia basicamente à redução dos insumos, materiais, medicamentos, além da falta de pagamento de alguns profissionais PJs da Santa Casa”, explicou.

Patrícia reforçou, no entanto, que as cirurgias de emergência continuam sendo realizadas no hospital. “Então, o número de cirurgias dentro da instituição foi reduzido de forma significativa. Os atendimentos da porta continuam sendo mantidos na urgência e emergência, as internações também.

E as cirurgias de urgência e emergência continuam sendo realizadas dentro da capacidade operacional da instituição”, afirmou. Crise se estende há mais de um ano Patrícia Berg também relatou que a Santa Casa enfrenta um período prolongado de dificuldades. Ela afirmou ter assumido a diretoria técnica em outubro do ano passado e que, desde então, o hospital tem atravessado momentos de instabilidade.

“Desde que eu assumi a diretoria, nós estamos atravessando um período de turbulência. Foram pouquíssimos momentos em que nós conseguimos fazer o hospital girar, com os atendimentos ambulatoriais novamente e as cirurgias eletivas”, afirmou. De acordo com a diretora, parte das dificuldades esteve relacionada ao pagamento de profissionais médicos contratados como pessoas jurídicas.

Ela relatou que, após períodos de retomada dos serviços, novos atrasos nos pagamentos voltaram a afetar o funcionamento da instituição, levando à redução dos atendimentos ambulatoriais. “Então, tem mais de um ano que o hospital atravessa essa crise e não consegue estar em seu pleno funcionamento”, resumiu. Comitê de crise busca garantir serviços essenciais A diretora também explicou que um comitê de crise foi criado para acompanhar a situação e definir as prioridades da instituição.

“Nós temos um comitê de crise, fazemos reuniões semanais e, quiçá, diárias. Hoje, agora mesmo, estávamos em reunião, fazendo a deliberação de todos os pagamentos de urgência desta semana, dos materiais e insumos mais críticos, para que a gente consiga manter, pelo menos, a urgência e emergência da melhor forma possível”, afirmou. Segundo Patrícia, as decisões relacionadas à gestão financeira e às tratativas com gestores devem ser esclarecidas pela diretoria corporativa.

Diretora garante funcionamento do hospital Após as prisões, a direção realizou uma reunião com o corpo clínico, chefes de serviços e coordenadores. A decisão foi manter os atendimentos de urgência e emergência e garantir a assistência aos pacientes dentro das possibilidades da instituição.

“Eu gostaria de deixar claro que a Santa Casa de Campo Grande mantém os seus atendimentos de urgência e emergência e, dentro de todas as suas capacidades técnica e operacional, vai manter o atendimento de Campo Grande e do Estado de Mato Grosso do Sul”, afirmou Patrícia.

Operação mira desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli, g1 MS Quem continua preso Além de Alir, continuam presos: Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa; Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro; Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto; Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística; Mauricio Aparecido Benites, empresário. As prisões são preventivas e não representam condenação.

O g1 não encontrou, até esta publicação, contato das defesas dos outros cinco investigados. O espaço segue aberto. O que a operação investiga Para o Ministério Público, a diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, trabalhava para dificultar a fiscalização sobre os contratos fechados com o advogado Paulo da Cruz Duarte e com o empresário Maurício Benites.

A Operação Antidotum foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados (MS) e Goiânia (GO). A investigação começou a partir de suspeitas em um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos.

O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano do contrato. A investigação também identificou suspeitas em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação.

Segundo o Ministério Público, os contratos foram firmados com empresas do mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria ligação com integrantes da diretoria do hospital. As empresas estariam registradas no mesmo endereço, mas, conforme a investigação, o imóvel estava desocupado. Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago cerca de R$ 9,6 milhões a essas empresas.

O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização, como o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. Até agora, o Ministério Público estima prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões. O valor ainda está sendo calculado e pode aumentar, segundo o órgão.

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