Como é o trabalho da professora que garante o direito de estudar para crianças em Bauru Garantir que o direito de aprender não pare, mesmo diante de um tratamento de saúde complexo, é a missão da professora Giselda Santiago Dias da Silva no Hospital Estadual de Bauru (SP). Há sete anos, ela comanda as aulas da Classe Hospitalar do HEB, voltadas a pacientes de 2 a 17 anos que passam por hemodiálise ou quimioterapia. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Classe Hospitalar criada em Hospital Estadual de Bauru atende alunos de 2 a 17 anos Arquivo pessoal

Nesta quinta-feira (15), é celebrado no Brasil o Dia do Professor. A data faz referência ao dia 15 de outubro de 1827, quando o imperador Dom Pedro I assinou o decreto imperial que instituiu o Ensino Elementar no país, a base do ensino regular do qual Giselda faz parte e que, segundo ela, não pode parar.

LEIA TAMBÉM Zoológico em SP abre votação para nomear filhotes de onça-parda Fãs relembram 36 anos de show histórico de Xuxa no interior de SP: 'Grandioso' Por que animais silvestres aparecem em áreas urbanas no Oeste Paulista? Em entrevista ao g1, a educadora explica que as atividades pedagógicas na unidade hospitalar são desenvolvidas e adaptadas de acordo com as condições de saúde e as possibilidades de participação de cada estudante.

Os atendimentos, individuais ou em grupo, são feitos em diversas dependências do hospital, como na sala da Classe Hospitalar, na brinquedoteca da Pediatria ou nos próprios setores de Quimioterapia e Hemodiálise. Em casos mais severos, as aulas acontecem à beira do leito.

Atividades pedagógicas são desenvolvidas de acordo com as condições de saúde dos alunos em hospital de Bauru (SP) Arquivo pessoal “Tudo é organizado de acordo com as condições clínicas do estudante, as orientações da equipe hospitalar e as possibilidades de realização das atividades naquele momento”, descreve. Diferente de uma escola, a didática é flexível e específica para cada caso, levando em conta as condições físicas e emocionais da criança.

Leitura, contação de histórias, jogos educativos, atividades lúdicas, desenhos e propostas interdisciplinares estão entre os recursos utilizados pela docente. “Os materiais utilizados são disponibilizados pela unidade escolar à qual pertenço, o que contribui para o desenvolvimento de um trabalho alinhado ao currículo escolar e às diretrizes da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc)”, acrescenta. Hospital ou escola?

De acordo com a professora, a condição na qual o ensino se estabelece é a principal diferença no que diz respeito à administração de aulas em uma escola e em um hospital. “Na escola ou na universidade, geralmente contamos com uma rotina mais estruturada, horários definidos, turmas organizadas e um planejamento que pode ser desenvolvido de maneira contínua”, afirma.

“Já no ambiente hospitalar, precisamos considerar a rotina dos procedimentos médicos, das consultas, dos exames e das internações, além das condições de saúde dos estudantes, que podem mudar a qualquer momento”, diferencia. Educadora é a única docente do Hospital Estadual de Bauru (HEB) Arquivo pessoal Além disso, as atividades não seguem prazos rígidos, como no ambiente tradicional de ensino, já que nem sempre é possível concluí-las devido à rotina e ao tratamento dos pacientes.

Ao mesmo tempo em que as aulas ocorrem no hospital, os conteúdos da escola de origem de cada paciente precisam estar alinhados com a Classe Hospitalar. “É a necessidade de manter o diálogo e a parceria com a equipe hospitalar e com a escola de origem, para que as atividades estejam alinhadas ao currículo e à trajetória escolar de cada aluno”, explica.

O lado de quem leciona Para Giselda, que é a única professora responsável pelos atendimentos da Classe Hospitalar no Hospital Estadual de Bauru e realiza o trabalho semanalmente, às quartas e sextas-feiras, a vivência com os estudantes a transformou enquanto profissional. “É uma experiência profundamente significativa, que transforma a maneira como enxergamos a educação e a própria vida”, avalia.

“São crianças e adolescentes que, em determinado momento, precisam se afastar da rotina escolar para cuidar da saúde, mas que continuam tendo o direito de aprender, brincar, conviver e sonhar”, ressalta. Professora detalha aulas com estudantes de Classe Hospitalar no Hospital Estadual de Bauru (HEB) Arquivo pessoal Segundo a professora, o intuito é mostrar aos alunos que eles podem continuar aprendendo e sonhando, mesmo durante o diagnóstico e o tratamento.

Para ela, perceber a satisfação do estudante por meio de gestos ou olhares é o que faz o dia valer a pena. “São pequenos sinais que demonstram que aquele momento de aprendizagem fez diferença para eles. Essas experiências reforçam minha certeza de que a educação também pode oferecer acolhimento, esperança e momentos de leveza em períodos difíceis”, pontua.

Educação é educação em todo lugar Com a Classe Hospitalar, aqueles que têm as próprias vidas alteradas pelo tratamento possuem direitos semelhantes aos que não convivem com essas doenças. “A Classe Hospitalar nos mostra que a educação não se limita ao espaço físico da escola. Afinal, mesmo durante o tratamento de saúde, a criança e o adolescente continuam sendo estudantes e têm o direito de aprender”, reforça.

Em comemoração ao Dia do Professor, educadora de Bauru (SP) explica como ministra aulas aos pacientes do Hospital Estadual Arquivo pessoal Embora seja a única docente para uma gama de pacientes, Giselda ressalta a importância de ter uma “ficha individual” para cada estudante. A partir de um plano de aulas personalizado aos alunos, a profissional tem controle da eficiência do paciente em relação aos conteúdos aprendidos no hospital.

“Mesmo sendo a única professora, procuro garantir um trabalho pedagógico acolhedor, organizado e comprometido com a continuidade da escolarização”, afirma. Sonho para a Classe Hospitalar Professora dá aulas semanais para alunos que são pacientes no Hospital Estadual de Bauru (HEB) Arquivo pessoal Ao g1, a educadora expressa o desejo de que a profissão especializada para ambientes hospitalares seja reconhecida ainda mais.

“É um trabalho que vai muito além de ensinar conteúdos escolares, pois envolve acolhimento, sensibilidade, dedicação e compromisso com o direito à educação de crianças e adolescentes que estão em tratamento de saúde”, destaca. Além disso, a profissional também pede por mais investimentos em materiais pedagógicos e jogos educativos, já que conta apenas com a ajuda de uma escola da região. A Escola Estadual Dr.

Luiz Zuiani auxilia Giselda com materiais didáticos voltados aos ensinamentos ministrados no hospital. “Esse suporte faz diferença no planejamento e na realização das atividades, pois me permite oferecer propostas diversificadas, despertar o interesse dos estudantes e respeitar suas necessidades individuais”, finaliza. *Colaborou sob supervisão de Paulo Piassi Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região