Atendimentos por engasgo aumentam 10% em SP Os casos de engasgo atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aumentaram 10% na cidade de São Paulo no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 624 atendimentos relacionados a engasgos. Neste ano, o número subiu para 689 ocorrências.
A maior incidência está entre crianças de 1 a 5 anos. Nessa faixa etária, os atendimentos passaram de 92 para 106 no período, um aumento de 15%. Os casos também chamam a atenção entre os idosos.
Apenas na faixa dos 70 aos 80 anos, o Samu registrou 90 chamados nos primeiros seis meses deste ano. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os alimentos que podem provocar engasgos estão pipoca, amendoim, balas, carne, sementes e castanhas, biscoitos, uvas, batata frita, salsicha e azeitona. A médica de emergência do Samu Gabriela Matielo Galli Rosalen explica que o engasgo acontece quando o alimento, em vez de seguir para o esôfago, acaba entrando na via respiratória.
Ambulância do Samu de São Paulo Divulgação “Quando a gente se alimenta, a epiglote se fecha e o alimento desce para o esôfago. Quando eu não mastigo o alimento, ou, no caso das crianças, elas estão brincando, correndo ou se distraem com alguma coisa, eu tenho uma falha nesse mecanismo e o alimento acaba se impactando na entrada ou na região da traqueia.” Foi o que aconteceu com a filha de dois anos da empresária Natália Geroldi. A menina comeu uma bolinha de queijo sem que a mãe percebesse.
Quando Natália notou o que estava acontecendo, a criança já estava com falta de ar e começando a ficar roxa. “Quando eu percebi, ela já tava engasgada, com falta de ar ali, ficando roxinha. E aí cheguei próxima dela sem pensar muito, sem chamar meu marido, já fui tomando ação e fazendo a manobra com ela.” Natália virou a filha de bruços e deu tapas nas costas da criança até que ela conseguisse voltar a respirar normalmente.
Mas nem sempre a história termina bem. Há um mês, a jornalista Deborah Silva perdeu a mãe, Severina, aos 70 anos, depois que ela se engasgou durante uma refeição em casa. Severina sofria de artrite reumatoide e havia perdido um implante dentário.
Por causa disso, tinha dificuldade para mastigar e havia passado por uma cirurgia na mandíbula. No dia do acidente, ela pediu à filha que comprasse feijoada. Disse que conseguiria comer pelo menos o caldo e a carne.
“Ela colocou na boca, começou a passar mal. Eu falei: ‘Tá engasgando’. Aí fui atrás dela, fiz a manobra, conseguiu soltar e saiu o pedaço de carne, mas ela não tava respirando ainda.” Severina foi internada e permaneceu no hospital por uma semana.
A família acompanhou a tentativa de reduzir a sedação, mas ela não apresentou sinais de atividade cerebral. “Aos poucos foram tirando a sedação dela, só que ela não apresentava mais sinais, sinais cerebrais.”
