Mulher relata fuga de cárcere privado: ‘Pensei: vou morrer’ "Ele me pegava pelos cabelos, me batia muito, e me punha para dormir. Dava remédio para dormir. Terrível, porque eu pensei: eu vou morrer." O relato é de uma mulher vítima de cárcere privado que, submetida ao controle do então companheiro, acreditava que não sobreviveria.

Segundo a vítima que mora na região de Campinas e preferiu não se identificar, havia muito medo do pior desfecho, uma vez que o agressor tinha muitas facas "por todo quanto era lado". Ela relata que a chance escapar surgiu quando o homem acreditou que ela já não tinha forças para reagir. "Ele achou que eu estava muito fraca e deixou o portão aberto.

Foi onde eu saí correndo." Dias depois a fuga, ela voltou ao imóvel acompanhada pela Guarda Municipal para tentar recuperar parte dos pertences que deixou para trás, incluindo objetos pessoais e itens de necessidade básica. No entanto, o homem não abriu a porta. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Quase três meses depois de escapar do cárcere privado, a vítima ainda tenta se recuperar dos efeitos da violência.

"Eu pensei que eu não ia conseguir. As dores físicas, eu sentia as pancadas na cabeça. Hoje eu tomo remédio, passo pelo CAPS", disse.

Embora as marcas visíveis das agressões tenham desaparecido com o tempo, as consequências emocionais permanecem presentes no dia a dia. "As manchas roxas saem, mas o psicológico fica abalado. Até hoje eu sonho, tenho pesadelo", completou.

Os registros de cárcere privado aumentaram no estado de São Paulo; vítima na região de Campinas pensou que iria morrer por conta da violência sofrida Reprodução/EPTV Controle, isolamento e intimidação Especialistas apontam que o cárcere privado praticado em contextos de violência doméstica costuma ser acompanhado por mecanismos de controle, isolamento e intimidação.

A vítima passa a ter a liberdade restringida e, muitas vezes, perde o contato com familiares, amigos e redes de apoio, o que dificulta a denúncia e a ruptura da relação abusiva. Segundo Teresinha de Carvalho, especialista em violência doméstica, o agressor frequentemente tenta afastar a mulher de qualquer influência externa que possa ajudá-la a deixar o relacionamento.

"Se ele não está conseguindo mantê-la ao lado dele, se ela não quer nem conversar sobre terminar a relação, ele tenta trazê-la para o seu meio, para o seu aconchego, sem que ela tenha contato com o mundo e com outras pessoas", explicou. Teresinha destaca que parentes, vizinhos e amigos podem ajudar a identificar situações de violência. ⚠️ Entre os sinais de alerta estão mudanças bruscas de comportamento, desaparecimento do convívio social e dificuldade frequente de comunicação.

Para a vítima, a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência. "Na primeira vez que acontecer, as mulheres têm que denunciar, porque sempre vai haver uma segunda ou terceira vez", completou. Cárcere privado Dados da Polícia Civil de São Paulo mostram que os registros de cárcere privado aumentaram nos últimos anos.

Em 2021, foram instaurados 629 inquéritos. O número chegou a 910 em 2025, alta de quase 45% no período. Até setembro de 2026, a corporação já havia aberto 382 inquéritos para apurar ocorrências desse tipo em todo o estado.

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