Carros e ônibus boiam no túnel do Anhangabaú durante chuva forte em SP Arquivo Pessoal A cidade de São Paulo registrou em outubro de 2026 um volume de chuva 91% acima da normal climatológica dos últimos 30 anos. Na estação meteorológica de Interlagos, foram acumulados 271,2 milímetros de precipitação ao longo do mês, ante uma média de 141,8 milímetros para outubro no período entre 1991 e 2020.

🔎 "Normal climatológica" é uma referência calculada a partir de valores médios de variáveis meteorológicas observados durante um período longo e uniforme, de pelo menos três décadas consecutivas, e representa as características médias do clima em determinado local. O volume no mês também foi o maior já registrado para outubro na série histórica da estação de Interlagos, iniciada em 2018. O acumulado de 271,2 milímetros superou o recorde anterior, de 231,6 milímetros, registrado em 2023.

Ao todo, a estação de Interlagos registrou 19 dias com chuva superior a 1 milímetro durante outubro. Os dados usados para a análise foram os da estação de Interlagos porque houve falhas pontuais nos registros da estação do Mirante de Santana durante outubro de 2026. Segundo o Inmet, essas falhas impossibilitaram o cálculo da precipitação diária em alguns dias do mês.

Mês teve episódios de caos provocados pelos temporais O volume elevado de chuva registrado ao longo de outubro coincidiu com episódios de fortes temporais que provocaram morte, alagamentos, enchentes, deslizamentos e transtornos em diferentes regiões da capital paulista. No dia 14 de outubro, cerca de 1h30 de temporal com chuva intensa, granizo e ventos fortes deixou um rastro de destruição na cidade. Uma mulher de 47 anos morreu soterrada após a casa onde estava deslizar de uma encosta na Zona Norte.

O temporal também alagou ruas e o túnel do Anhangabaú, no Centro, deixou carros e ônibus submersos, derrubou árvores e provocou transtornos no transporte público e aéreo. Vídeos gravados por testemunhas mostraram veículos debaixo d'água no túnel do Anhangabaú e na Avenida 23 de Maio, além de uma mulher sendo arrastada pela enxurrada na Zona Norte. Ela foi salva por outra pessoa.

No túnel do Anhangabaú, 26 carros e dois ônibus ficaram completamente submersos. Quatro pessoas foram resgatadas pelos bombeiros no local. Segundo a Prefeitura de São Paulo, as seis bombas do túnel funcionaram, mas não deram conta de escoar toda a água acumulada.

O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrou 42 milímetros de chuva em apenas 40 minutos na região. Dois dias depois, na madrugada de 16 de outubro, outro episódio de chuva forte provocou uma grande enchente nas imediações da Avenida Cupecê, na Rua Horácio Alves da Costa, na Zona Sul de São Paulo, no limite entre a capital e Diadema. Pelo menos 29 carros foram arrastados pela água e ficaram amontoados no local.

Setembro também teve recorde de chuva A sequência com volumes elevados de precipitação já havia marcado setembro em São Paulo. Ainda no dia 14 de setembro, a cidade já havia acumulado 253,8 milímetros de chuva no mês, tornando setembro de 2026 o mais chuvoso da história da capital paulista desde 1943, início das medições do Inmet. Nos primeiros 14 dias daquele mês, o volume acumulado já havia superado o recorde anterior para setembro, registrado em 1983, quando foram contabilizados 243,1 milímetros de chuva.

Chuva causa uma morte e provoca transtornos em São Paulo