James Talarico, democrata eleito ao Senado pelo Texas, venceu o republicano Ken Paxton, que recebeu US$ 150 milhões de Elon Musk. O bilionário investiu quase US$ 500 milhões em candidaturas republicanas. REUTERS/Gonzalo Fuentes As eleições de meio de mandato de 2026 nos Estados Unidos, cujos resultados começaram a surgir nesta quarta-feira (4), alteraram o mapa político de Washington e impuseram uma severa derrota ao governo do presidente Donald Trump.
Impulsionados pela insatisfação dos eleitores com o custo de vida, que foi impactado por políticas como as tarifas e a guerra no Irã, os democratas garantiram o controle das duas Casas do Congresso. Sem a maioria republicana no Capitólio, a gestão Trump agora precisará negociar com os democratas para seguir com as políticas do governo federal.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Eleições nos EUA: MAPA mostra se partido de Trump vai conseguir manter a maioria no Congresso Confira abaixo as principais vitórias e derrotas nas eleições de 2026 nos EUA.
Agora no g1 As principais vitórias da eleição A 'Onda Azul' democrata e o controle total do Congresso americano O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Deputados ao atingir pelo menos 228 cadeiras e assumir o controle do Senado ao somar 54 assentos, revertendo 7 vagas que pertenciam aos republicanos nos estados do Texas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Iowa, Kansas e Maine. Para tomar o controle do Congresso, eles precisavam atingir 218 cadeiras na Câmara e 51 no Senado.
A vitória acachapante, para além das expectativas, garantiu aos democratas poder para barrar projetos e nomeações da Casa Branca, além de abrir investigações sobre a gestão federal. Esta é a primeira vez desde 2006 que ambas as casas do Congresso mudaram de partido durante a mesma eleição de meio de mandato. ➡️ Nos Estados Unidos, os senadores têm mandatos de seis anos, com a renovação de um terço das cadeiras do Senado a cada dois anos.
Já os integrantes da Câmara cumprem mandatos de dois anos, o que significa que todas as cadeiras da Casa são renovadas a cada eleição. Em resposta à vitória democrata, o presidente Donald Trump disse que aceitou o resultado, mas publicou um imagem com a palavra "veto".
O sol nasce atrás do Capitólio dos EUA após as eleições de meio de mandato em Washington, DC, EUA, 4 de novembro de 2026 Eric Lee/Reuters Virada histórica no Senado e no governo do estado do Texas Os democratas quebraram décadas de domínio republicano no estado tradicionalmente conservador do Texas, o segundo maior dos EUA. Na disputa pelo governo, Gina Hinojosa superou o atual governador Greg Abbott por 57,1% contra 41,6%.
Um dos principais quadros do Partido Republicano, Abott defendia a quarta reeleição no estado e era apoiado por Donald Trump. Hinojosa tornou-se a primeira mulher latina a ocupar o cargo no Texas. Ela é deputada estadual desde 2016 e quebrou um jejum de 36 anos sem democratas no governo estadual texano.
Já no Senado, James Talarico venceu Ken Paxton com 55,1% dos votos, conquistando a primeira vaga democrata pelo estado na Casa desde 1988. Paxton recebeu mais de US$ 150 milhões de Elon Musk para a campanha. Evangélico e ex-seminarista, Talarico usou a fé cristã na campanha para se contrapor ao nacionalismo cristão de Donald Trump.
O democrata também fez campanha questionando os altos custos de vida e criticando bilionários e a política de imigração de Trump. SAIBA MAIS: Talarico e Gina Hinojosa garantem vitória histórica dos democratas no Texas; entenda Fim de hegemonias conservadoras no Kansas e no Maine No Kansas, o democrata Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall com 50,9% dos votos, elegendo o primeiro senador democrata pelo estado desde 1932. Hamilton é pastor metodista da maior igreja do estado.
Democrata Adam Hamilton venceu o republicano Roger Marshall e quebrou o jejum de 94 anos de democratas eleitos para o Senado no Kansas Nathan Howard/Reuters; AP/Charlie Riedel, Pool No Maine, Troy Jackson derrotou a senadora republicana veterana Susan Collins com 53,8% dos votos. Collins estava no cargo desde 1997 e tentava manter uma postura moderada e independente a Donald Trump.
Com críticas ao custo de vida e à gestão federal, a republicana ainda carregou o desgaste de ter apoiado Trump na maioria dos projetos propostos no Congresso. Troy Jackson venceu Susan Collins na eleição para o Senado pelo Maine. Taylor Coester/Reuters; Robert F.
Bukaty/AP Os perdedores das midterms Perda da maioria republicana no Congresso e revés para Trump A principal derrota do pleito foi sofrida pelo Partido Republicano, que perdeu a liderança legislativa na Câmara e no Senado. O resultado encerra um período em que o Congresso atuava de forma alinhada às propostas do presidente Donald Trump.
Os próximos dois anos da gestão federal, com a maioria democrata nas duas Casas, prometem um maior escrutínio das políticas de Trump por parte dos democratas, que agora conquistaram o poder de barrar projetos, nomeações e investigar membros do Executivo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante um comício de campanha para as eleições de meio de mandato, no Ocean Center, em Daytona Beach, na Flórida, em 30 de outubro de 2026.
Brendan SMIALOWSKI / AFP Perda multimilionária de Elon Musk Elon Musk, que atualmente reside no Texas, sofreu uma severa derrota política e financeira nas eleições de meio de mandato. O bilionário investiu quase US$ 500 milhões para apoiar campanhas republicanas, tornando-se o maior doador individual em um ciclo eleitoral federal desde 2010. Destes, Musk direcionou US$ 158 milhões especificamente para apoiar o republicano Ken Paxton na disputa pelo Senado texano.
Contudo, a vitória do democrata James Talarico, somada à queda do governador republicano Greg Abbott, enfraqueceu a articulação política do bilionário no Texas. Em entrevista ao jornal The New York Times, o democrata chegou a dizer que concorria contra o "homem mais rico do mundo" e o "mais poderoso do mundo", em referência a Musk e Trump, respectivamente.
O investimento de Musk em candidatos locais estava fortemente atrelado ao seu interesse na expansão de infraestrutura de tecnologia e na construção de data centers de inteligência artificial no estado. Um levantamento do jornal local Texas Tribune havia apontado o planejamento de pelo menos 248 data centers no estado idealizados por diversas empresas, não apenas as de Musk.
Eleita a primeira mulher latina no governo do estado do Texas, a democrata Gina Hinojosa já prometeu frear a construção dos centros até que as empresas se responsabilizem pelos custos de energia. Além das perdas milionárias na campanha, Musk, que atuou como conselheiro do presidente Donald Trump, passa a figurar entre os alvos prioritários de possíveis investigações parlamentares da nova maioria democrata no Congresso. Pelas redes sociais, Musk ironizou o resultados das urnas.
Em uma postagem, declarou que os data centers no espaço pareciam "bastante atraentes no momento". Depois, disse, em outra publicação, que os "lasers espaciais para interferir nas eleições não funcionaram desta vez".
Initial plugin text Initial plugin text Elon Musk recebe uma chave de ouro do presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca REUTERS/Nathan Howard Fracasso democrata em retomar a Flórida e o Arkansas Apesar do avanço democrata em âmbito nacional, o partido sofreu derrotas relevantes em redutos conservadores — e que apostavam numa possível virada. Na Flórida, o republicano Byron Donalds garantiu o governo estadual com 50,0% contra 48,7% de David Jolly.
No Arkansas, o senador republicano Tom Cotton assegurou a reeleição com 54,3% dos votos. Estado com a maioria hispânica e forte influência latina, democratas apostavam que a controversa política imigratória do governo Trump pudesse alterar o voto latino, que lhe deu a vitória em 2024, mas se viu impactado pelas apreensões do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE.
Eleições nos EUA: alvos do ICE e pressionados pela inflação, latinos se viram contra Trump e são trunfo dos democratas Ambientalistas e manifestantes protestam contra construção da prisão 'Alcatraz dos Jacarés' em frente ao Aeroporto de Treinamento e Transição Dade-Collier, na Flórida, em 28 de junho de 2025. Mike Stocker /South Florida Sun-Sentinel via AP
