Alexandre Pires é alvo da PF em investigação sobre venda de cassiterita na Terra Yanomami As investigações da Polícia Federal que apuram um esquema milionário de lavagem de dinheiro com a venda de cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, apontaram que o grupo criminoso usava um sistema financeiro paralelo conhecido como dólar-cabo para lavar o dinheiro.
Entre os alvos da investigação estão o cantor Alexandre Pires e dois irmãos empresários, Diego Possebon, apontado como principal articulador do esquema, e Matheus Possebon, que era empresário de Alexandre. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 🔎 Dólar-cabo é uma prática financeira usada para transferir dinheiro entre diferentes países sem que o dinheiro seja enviado de um país para outro.
Nesse tipo de operação, o interessado entrega o valor correspondente em reais a um doleiro no Brasil, que uma conta própria ou de terceiros no exterior para fazer o pagamento. No caso investigado, o fluxo ocorria no sentido contrário. A defesa de Alexandre Pires disse que o cantor nunca teve envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena.
Disse ainda que Alexandre foi tomado de surpresa diante dos novos desdobramentos da operação da Polícia Federal e que jamais cometeu qualquer ilícito. Em nota, a defesa de Diego Possebon informou que "atuou regularmente como vem demonstrando quando questionado, inclusive voluntariamente, e segue à disposição para outros esclarecimentos que se façam necessários. A defesa de Matheus disse que ele "é empresário dos setores de música e entretenimento e nunca atuou no comércio ou na exportação de minérios".
Acrescentou ainda que "sempre esteve à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Leia as notas na íntegra mais abaixo. O g1 tenta contato com a defesa dos outros citados nesta reportagem.
LEIA TAMBÉM: Pó de brita no lugar de cassiterita: como fraude levou PF a descobrir esquema e elo com Alexandre Pires Entenda o que liga Alexandre Pires à investigação da PF sobre venda ilegal de cassiterita da Terra Yanomami Alexandre Pires é alvo da PF em operação que investiga venda ilegal de cassiterita Empresários suspeitos de vender areia no lugar de minério são alvos de buscas da Polícia Federal no RS Operação Disco de Ouro II mira esquema de lavagem de dinheiro com venda de cassiterira na Terra Yanomam, em Roraima Arte g1 Como funcionavam as operações Segundo as investigações, em janeiro de 2023, advogados intermediaram o contato entre Diego Possebon e duas empresárias responsáveis pelas empresas Empire Strong, nos Estados Unidos, e Global Soluções, no Brasil.
As duas faziam operações de câmbio paralelo, conhecidas como dólar-cabo. Uma empresa suíça, compradora da cassiterita, pagava os valores à uma intermediadora norte-americana, que, por sua vez, depositava o dinheiro nas contas usadas pelas doleiras. Após a primeira fase da operação, ainda em 2023, as duas empresárias perceberam que tinham movimentado dinheiro para pessoas ligadas ao esquema de extração ilegal de cassiterita e denunciaram à PF.
Na investigação, elas são citadas como “colaboradoras premiadas”. Para prestar os serviços de câmbio, elas cobravam uma comissão de 3% sobre o valor total movimentado. O fluxo das operações ocorria quando uma empresa intermediária norte-americana, contratada pela empresa suíça, depositava os pagamentos feitos pela firma suíça na conta bancária da Empire.
Os valores eram compensados no Brasil por meio da Global Soluções, que fazia os pagamentos equivalentes em reais. Diego Possebon enviava os comprovantes dos depósitos em dólares em um grupo de WhatsApp mantido com as operadoras, chamado "GRUPO CONTA USD". Ele também informava os dados bancários de pessoas físicas, empresas de fachada e laranjas no Brasil.
Entre as contas estava a de uma empresa de Alexandre Pires, uma produtora musical. Segundo a investigação, Alexandre Pires e a produtora musical ligada a ele receberam R$ 31 milhões de firmas apontadas como parte da organização criminosa. O cantor e a empresa são suspeitos de terem sido usados para fracionar, ocultar e dissimular valores obtidos com a fraude.
Ao denunciarem o esquema para a PF, as empresárias fizeram um acordo de colaboração. Em troca dos benefícios previstos, entregaram documentos bancários, planilhas e conversas que ajudaram os investigadores a rastrear o caminho do dinheiro e identificar outros envolvidos. Fraude no envio de cassiterita Cassiterita, minério também conhecido como 'ouro negro'.
PRF/Divulgação/Arquivo As investigações começaram após uma empresa suíça de comércio de metais apresentar uma notícia-crime — um pedido de investigação — à Polícia Federal. A empresa denunciou que um grupo criminoso, liderado por Diego Possebon, vendeu pó de brita como se fosse cassiterita e causou um prejuízo estimado em US$ 48 milhões (cerca de R$ 247 milhões na cotação atual).
🔎 A cassiterita é o principal minério utilizado na produção de estanho, metal empregado na fabricação de diversos produtos, como latas de alimentos, peças automotivas, vidros e equipamentos eletrônicos, incluindo celulares e computadores. Por ter alto valor de mercado e grande demanda da indústria, a cassiterita é frequentemente alvo de exploração ilegal. A empresa suíça havia contratado, em 2021, uma firma norte-americana para intermediar a compra de cassiterita.
Segundo a investigação, a suspeita é de que a intermediadora comercial já conhecia o mercado de mineração no Brasil e atuava no setor em parceria com Diego Possebon. Por intermédio de Diego, a empresa norte-americana passou a adquirir cassiterita da mineradora Betser, de Christian Costa dos Santos, apontado como um dos líderes do grupo investigado. A Betser tinha licença para extrair minério em Itaituba (PA).
A PF identificou que a autorização era usada para dar aparência de legalidade ao minério extraído ilegalmente da Terra Yanomami, em Roraima. Em fevereiro de 2022, a PF apreendeu mais de 100 toneladas de cassiterita na sede e no depósito de uma filial da Betser, em Rorama,. Segundo a investigação, depois da apreensão, o grupo ficou sem o minério para cumprir o contrato com a empresa suíça e enviou pó de brita no lugar da cassiterita.
Em abril de 2023, a empresa suíça enviou um representante ao Brasil para inspecionar a operação. Ele visitou os armazéns da firma responsável por guardar o minério em Manaus (AM), e acompanhou o carregamento dos contêineres que seriam enviados. Diego e Christian também estavam no local.
Segundo a investigação, Diego e Christian simularam nos armazéns o empacotamento do minério. Para que os embarques ocorressem, eles emitiram laudos de inspeção e testes químicos falsificados que indicavam que a suposta cassiteria tinha até 75% de estanho. Em maio de 2023, cerca de um mês após a visita ao Brasil, a empresa suíça constatou que os contêineres recebidos estavam carregados de areia e formalizou a denúncia à Polícia Federal.
Isso deu origem à segunda fase da Operação Disco de Ouro, deflagrada na quarta-feira (23). Nota da defesa de Alexandre Pires Na qualidade de advogado do cantor e compositor Alexandre Pires, eu, Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso, venho a público, diante das notícias veiculadas pela mídia em geral, esclarecer que o cantor Alexandre Pires não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena.
Destaco que o referido cantor e compositor é uma das mais importantes referências da música brasileira, sendo possuidor de uma longa e impecável carreira artística. Alexandre Pires foi tomado de surpresa diante dos novos desdobramentos da operação da Polícia Federal que indevidamente envolveu seu nome. Por fim, saliento que o cantor e compositor Alexandre Pires jamais cometeu qualquer ilícito, o que já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações, reiterando sua confiança na Justiça brasileira.
Nota da defesa de Diego Possebon "Os fatos que deram ensejo às medidas de busca e apreensão hoje cumpridas são antigos e foram objeto de explicações às Autoridades Públicas pelo empresário Diego Possebon. A operação, realizada por intermédio da empresa internacional MLS Berkovitz Investments, tinha como destinatária final a multinacional Gerald Metals, uma das maiores importadoras de minério do mundo, que possui sérias medidas de compliance em relação as operações.
O empresário gaúcho atuou regularmente como vem demonstrando quando questionado, inclusive voluntariamente, e segue à disposição para outros esclarecimentos que se façam necessários. Alexandre Wunderlich" Nota da defesa de Matheus Possebon "A defesa de Matheus Possebon recebeu com surpresa a nova fase da operação deflagrada nesta quarta-feira e, até o momento, não teve acesso à decisão que a fundamentou.
De todo modo, os fatos investigados são antigos, remontam aos anos de 2022 e 2023, e integram uma apuração que já se estende por mais de quatro anos, período em que Matheus sempre esteve à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Matheus é empresário dos setores de música e entretenimento e nunca atuou no comércio ou na exportação de minérios, circunstância que já pôde ser verificada ao longo da própria investigação.
Tanto é assim que, ainda em 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogou sua prisão por reconhecer que os elementos então apresentados contra ele não bastavam para caracterizar os crimes investigados, destacando que ele exerce atividade empresarial lícita e compatível com seus rendimentos. Fábio Tofic Simantob OAB/SP – 220.540" Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
