Carlos José Queiroz Vianna, policial morto na frente de casa em Niterói em outubro de 2025 Reprodução O Ministério Público pediu, em suas alegações finais em dois processos, que os cinco réus pela morte do policial Carlos José Queiroz Vianna sejam levados a júri popular. O crime aconteceu em outubro do ano passado em Piratininga, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Entre os réus pelo crime, estão os policiais militares Felipe Ramos Noronha, do 15º BPM (Duque de Caxias), e Fábio de Oliveira Ramos, do 3º BPM (Méier). No dia 1 de agosto, a PM determinou a expulsão de ambos pelo Conselho Disciplinar da corporação. Ambos foram presos no Jeep utilizado na fuga dos criminosos, onde estava armas e outros itens usados no homicídio.
Na decisão, a corporação citou que Fábio e Felipe cometeram uma " transgressão de disciplina de natureza grave" por ter dirigido veículos furtados, roubados ou clonados, além de envolvimento com porte ilegal de arma de fogo. A defesa de Felipe Ramos pediu um habeas corpus para anular o processo e revogar a prisão preventiva, além de impedir que ele fosse transferido para um presídio comum.
A 1ª Câmara Criminal concedeu uma decisão parcial favorável no início de setembro, determinando que Fábio permaneça preso no Batalhão Especial Prisional da corporação até o julgamento do mérito do habeas corpus. A defesa de outro policial militar envolvido, Fábio de Oliveira Ramos, pediu que os efeitos da decisão também fossem aplicados ao seu caso.
Vídeo mostra policial civil sendo executado em Niterói, Rio A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí segue investigando qual foi a motivação do crime e quem foi o mandante da execução. A delegacia faz análises da quebra de sigilo dos celulares apreendidos durante a investigação.
São réus e estão presos pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e adulteração de placa de veículo: Fábio de Oliveira Ramos, policial militar do 3º BPM (Méier), acusado de seguir os passos da vítima, dirigir o veículo usado na fuga e transportar armas e placas clonadas. Felipe Ramos Noronha, policial militar do 15º BPM (Duque de Caxias), por também seguir a vítima e atuar diretamente no momento da execução.
Mayck Júnior Pfister Pedro; réu por seguir os passos da vítima, filmada por ele na porta de casa e na 29ª DP (Madureira). Dênis da Silva Costa: por ter atuado como "batedor" após o homicídio e por ajudar a destruir o Jeep Compass utilizado no crime. José Gomes da Rocha Neto, o Kiko, apontado como coordenador do grupo pela Polícia e pelo MPRJ.
Fabio de Oliveira Ramos, Felipe Ramos Noronha e Mayck Junior Pfister Pedro Reprodução Em um dos processos, Fábio, Felipe, Mayck e Dênis são julgados em conjunto. Os três primeiros foram presos no mesmo dia do crime. Polícia Civil prende Dênis da Silva Costa, suspeito do assassinato de policial civil em Piratininga Divulgação Já Dênis foi identificado e preso meses depois da execução, após a quebra de sigilo dos celulares apreendidos com os acusados.
José Gomes da Rocha Neto, o Kiko, foi preso em janeiro de 2026, acusado de ter sido o coordenador da empreitada criminosa. Todos os réus negam as acusações. Kiko foi preso na Ilha do Governador Divulgação/PCERJ O que diz o MPRJ O Ministério Público alega que Felipe, Fábio e Mayck foram presos em flagrante em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, próximo de um Jeep Compass que tinha acabado de pegar fogo.
Segundo as investigações, os acusados tentavam se livrar de provas do crime. Com eles, foram encontradas armas, placas de veículos clonadas e outros objetos usados no monitoramento e execução da vítima. Carro usado no crime foi achado incendiado Reprodução/TV Globo Segundo as alegações finais do Ministério Público, Fábio Oliveira Ramos dirigia o Jeep Compass e também monitorou as atividades de Carlos José Vianna em casa e sua rotina de forma geral.
Foram encontradas diversas fotos de ruas e vias próximas à casa da vítima do crime no celular do PM. De acordo com o Ministério Público, ele participou diretamente do planejamento do crime. Felipe Ramos Noronha, segundo o MP, também foi preso no mesmo dia do crime e mantinha contato direto com Fábio nos dias anteriores ao crime.
Para a acusação o conjunto de provas aponta para sua participação no crime. Vídeos mostram policial monitorado antes de execução Mayck Junior Pfister Pedro, que também foi preso no dia do crime, foi responsável por filmar a vítima no trabalho, na 29ª DP (Madureira), e no momento em que o policial chegava em casa, em Piratininga, em Niterói. Uma das filmagens foi feita na véspera do crime, segundo as investigações da Delegacia de Homicídios.
Policial foi filmado chegando em casa, em Niterói, na véspera do crime Reprodução Dênis, por sua vez, foi identificado segundo a polícia por impressões digitais deixadas em um carro utilizado no crime. Ele também aparece de moto em imagens obtidas pela polícia acompanhando toda a ação dos criminosos, no trajeto que sai de Duque de Caxias, vai até Piratininga e depois volta para o município da Baixada Fluminense.
A Delegacia de Homicídios também encontrou registros de comunicação de Dênis com Fábio em um horário compatível com a morte do policial. Morte de policial civil em Niterói é investigada Reprodução/ TV Globo Segundo o Ministério Público, José Gomes da Rocha Neto, o "Kiko", manteve contato direto com Fábio Ramos, inclusive por chamada de vídeo no momento em que o Jeep Compass usado na fuga era queimado em Duque de Caxias.
Outros registros de ligações entre Fábio e Kiko, de acordo com o MPRJ, apontam que Kiko sabia de todos os passos do PM durante o monitoramento da vítima em Niterói. Kiko foi o único que quis prestar depoimento em juízo. Ele reconheceu que conhecia o PM Fábio, mas negou qualquer participação no crime.
Armas ligadas a outros crimes Suspeito da morte de empresário em 2023 é preso; crime está ligado à máfia do cigarro O Ministério Público apontou que duas armas encontradas com os criminosos foram utilizadas nas execuções de Cristiano de Souza, em 2023, e de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, em 2024. A morte de Cristiano, que era dono de uma tabacaria, é relacionada à atuação da máfia dos cigarros ilegais no Estado, segundo a Delegacia de Homicídios da Capital.
Dono de bar é executado em Vila Isabel Já Antônio Gaspazianne, de acordo com a mesma delegacia, teria sido morto por tentar embolsar o dinheiro de máquinas caça-níquel do jogo do bicho em seu bar, Parada Obrigatória, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. Nos dois casos, a suspeita da Polícia é que o mandante dos crime seja Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, bicheiro e apontado como chefe da máfia ilegal de cigarros no Rio.
O que alegam as defesas Todas as defesas pediram a despronúncia e absolvição dos seus clientes nos dois processos. As acusações do MPRJ foram chamadas de genéricas, por não descreverem os atos executórios concretos de cada um dos réus. Outros chamam as provas de meras "suspeitas e conjecturas".
A defesa de Mayck Junior pediu a impugnação de provas encontradas no seu celular, alegando quebra da cadeia de custódia, e que as conclusões do inquérito possuem "Interpretações subjetivas" dos investigadores. Os advogados alegam que não há provas que indiquem ordem, acerto financeiro ou qualquer plano de execução.
A defesa de Kiko diz que não há indícios concretos de autoria ou participação no crime, e que a sua comunicação com Fábio no dia do crime decorre unicamente da amizade antiga mantida entre eles, "sem qualquer conotação ilícita". Kiko alega que que fez uma chamada de vídeo para convocar Fábio para fazer exercícios, chamando-o de "sedentário". Os advogados afirmam que houve uma "esquizofrenia processual" por parte do MPRJ.
