Desrespeito à dignidade humana erá pratica comum em clínicas clandestinas Sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por cárcere privado, tortura e crimes sexuais cometidos em clínicas clandestinas de Montes Claros. Segundo informações divulgadas pelo MPMG, o grupo tem ligação com a Clínica Assistencial Fortalecer e com o Instituto Feminino Fortalecer, uma rede de clínicas clandestinas de internação que funcionava na cidade. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
📲Clique aqui para seguir o canal do g1 Grande Minas no WhatsApp A Inter TV tentou contato com o advogado do responsável pelos locais, mas ele disse que estava em audiência e que responderia posteriormente. O defensor não havia enviado o posicionamento até a última atualização desta reportagem.
Abuso sexual e tortura: 6 são presos em operação que apura crimes em clínicas clandestinas de Montes Claros “A denúncia aponta quinze vítimas mantidas em cárcere privado entre 2023 e 2026, nove delas adolescentes à época dos fatos e quatro mulheres com transtorno mental." Entre os denunciados estão o proprietário das unidades, apontado como líder do grupo, e funcionários que atuavam na coordenação, acompanhamento e vigilâncias dos internos.
O MPMG afirmou ainda que parte das vítimas era levada para internação compulsória, por meio de decisões judiciais, com despesas pagas pelos municípios. “Essas internações eram indevidas, porque a lei proíbe qualquer forma de internação em comunidades terapêuticas, que só podem acolher quem as procura voluntariamente.” O MPMG disse ainda que as vítimas não tinham acompanhamento de equipe técnica nem tratamento.
“Nas unidades, as internas ficavam trancadas, sem documentos e sem telefone, e só falavam com a família uma vez por semana, sob vigilância. A disciplina era imposta com psicotrópicos ministrados sem prescrição, amarração em camas com faixas de contenção, agressões e trabalho forçado.” A denúncia do MPMG apontou ainda que “o proprietário também se valia da privação de liberdade e da autoridade sobre as internas para submetê-las a abusos sexuais.
Adolescentes eram levadas a motéis, com a intermediação de integrantes do grupo, sob a promessa de liberação antecipada”. Os levantamentos apontaram que, entre 2022 e abril de 2026, a clínica recebeu mais de R$ 700 mil de pelo menos 23 municípios mineiros, além das mensalidades pagas pelas famílias.
“Mesmo depois da interdição judicial, em fevereiro de 2025, as unidades continuaram a funcionar na clandestinidade.” Investigação Promotoria de Justiça de Montes Claros Inter TV/Reprodução O MPMG esclareceu que a apuração do caso teve início em 2024. Durante o processo de investigação, as vítimas chegaram a mudar seus relatos após serem ameaçadas e por medo de represálias. “Em fevereiro de 2024, minutos antes de adolescentes serem ouvidas pelo MPMG, o proprietário orientou-as a negar os abusos.
Em novembro de 2025, abandonou uma adolescente de 15 anos à beira de uma rodovia, depois de ameaçar encontrá-la ‘até no inferno’ se ela contasse o que acontecia na clínica.” As investigações demonstraram, conforme o MPMG, que o grupo conseguia se antecipar às fiscalizações. “Em novembro de 2025, horas antes de uma operação do MPMG e da Polícia Militar, os internos foram levados de madrugada para um espaço de eventos.
Em agosto de 2026, durante uma operação policial, cerca de vinte mulheres foram escondidas em uma área de mata.” O trabalho investigativo contou com a participação de seis promotorias de Justiça, do Grupo de Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Polícia Civil de Minas Gerais, da Vigilância Sanitária e de conselhos tutelares.
“Com os fatos divididos em três procedimentos, o MPMG reuniu o material e ofereceu a denúncia com base nas provas já colhidas, enquanto prossegue a análise dos celulares apreendidos. Também pediu a prisão preventiva de quatro denunciados e a fixação de indenização mínima às vítimas.” O MPMG destacou que requisitou a abertura de novos inquéritos para apurar agressões a outras vítimas, novos abusos sexuais, mortes ocorridas nas unidades, ameaças com arma de fogo e a participação de outras pessoas no grupo.
Pessoas que passaram pelas clínicas ou seus familiares podem entrar em contato com as autoridades por meio das unidades da Polícia Civil e do Ministério Público ou pelo Disque 100.
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