Instituto Irmãos Nogueira, dos gêmeos Minotauro e Minotouro, muda a vida de jovens com ensinamentos da luta O Instituto Irmãos Nogueira já ensinou artes marciais a mais de 16 mil crianças e jovens desde que foi fundado, em 2010. Criado pelos campeões de MMA e artes marciais Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, o projeto usa a luta como ferramenta de transformação social.

A proposta é fazer com que valores desenvolvidos durante os treinos, como paciência, disciplina e respeito, ultrapassem os limites do tatame e façam parte do dia a dia dos alunos. “Nossa intenção é que esse menino saia daqui confiante, de alguma forma resiliente. Que ele aguente as pressões do mundo.

Mas que ele tenha confiança e siga os caminhos do bem, dos valores. Quando a gente fala sobre honestidade, um juramento todo dia, a repetição vai entrando no subconsciente dele e, quando ele for tomar uma decisão, ele pensa sobre os valores”, disse Rogério Minotouro, presidente do Instituto Irmãos Nogueira.

✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Alunos do Instituto Irmão Nogueira na Penha, na Zona Norte do Rio Valentina Duprat/ TV Globo Atualmente, o projeto atende 2,4 mil alunos: 1,6 mil no estado do Rio de Janeiro e 800 na Bahia. Crianças e adolescentes de escolas públicas têm aulas gratuitas de jiu-jitsu, muay thai e boxe. Uma das academias fica na Penha, na Zona Norte do Rio.

No estado, o projeto também está presente em comunidades e municípios que vão do Jacarezinho, na capital, a Maricá e Macaé. Entre os alunos, alguns sonham em seguir carreira no esporte, enquanto outros já participam de competições. Para eles, porém, os efeitos dos treinos não se limitam ao desempenho esportivo.

“O jiu-jitsu me ajudou bastante a controlar minha força, meu equilíbrio, meu caráter como atleta e como pessoa também. Tem criança aqui que sofreu depressão e outras coisas e foi salva pelo jiu-jitsu. Eu sofri muitas coisas, como bullying na escola, e o jiu-jitsu me salvou.

Para não brigar na escola, a obedecer aos meus pais. Então, o jiu-jitsu significa mudar vidas e histórias”, contou o atleta Gabriel Silva. O projeto é mantido com recursos de leis de incentivo e convênios.

Os professores que trabalham nas academias são treinados pelos irmãos Nogueira e seguem uma metodologia que combina o ensino das técnicas das artes marciais com valores que devem ser aplicados fora do tatame. “Sempre falamos aqui: ‘vocês vão ser campeões da vida, do tatame e fora dele’. Para obedecer ao pai e à mãe, estudar, obedecer ao professor e ao mestre.

E, através dessas pequenas pílulas de valores que eles recebem todos os dias, eles têm que praticar”, afirmou Minotouro. Projeto criado por Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro já atendeu mais de 16 mil pessoas desde 2010. Valentina Duprat/ TV Globo Na unidade da Penha, o coordenador Igor Chatubinha conhece de perto o impacto que o esporte pode ter.

Ele conta que teve a própria trajetória transformada pelas artes marciais e, com a esposa, levou o projeto para a comunidade. “Eu era uma criança muito rebelde, revoltada, e o projeto me deu uma direção. Fui para a equipe do Minotauro, virei um atleta profissional.

Hoje em dia, sou uma pessoa do bem. Agreguei princípios e valores que levei para a minha vida”, disse Igor. No jiu-jitsu, a troca de faixa pode levar anos e exige treino, disciplina e paciência.

A aposta do instituto é que o aprendizado desse processo também seja levado para a vida fora das academias. “Não só formar faixas-pretas no tatame, mas faixas-pretas na vida”, resumiu Igor.