Prefeito de São Miguel do Araguaia é cassado após atraso no pagamento de servidores O prefeito de São Miguel do Araguaia, Jeronymo José de Siqueira Neto, teve o mandato cassado após atrasar o pagamento dos servidores, informou a Câmara Municipal. Nas redes sociais, o prefeito contou que os atrasos ocorreram devido a uma dívida milionária deixada por gestões anteriores (veja acima). ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Jeronymo foi cassado nesta segunda-feira (27).

Em nota a Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia informou que a cassação ocorre devido ao fato do repasse do duodécimo ao Poder Legislativo ter sido menor do que o previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para o primeiro semestre de 2026, e do atraso contínuo no pagamento da folha dos servidores municipais.

"A Câmara Municipal registra que cumpriu o seu dever constitucional de fiscalização com serenidade, respeito ao devido processo legal e transparência, e reafirma o compromisso de colaborar com o Poder Executivo para que os serviços públicos e o pagamento dos servidores sigam normalmente", informou a Câmara Municipal (veja a nota completa ao final da reportagem).

Prefeito de São Miguel do Araguaia tem mandato cassado após atraso no pagamento de servidores Reprodução/Instagram de Jeronymo Siqueira LEIA TAMBÉM: CNJ suspende a cassação do mandato da vereadora Aava Santiago Aava Santiago: entenda caso de vereadora que recebeu mais de 120 mil votos para deputada, não foi eleita e pode perder mandato na Câmara por mudança de partido Três vereadores do PT de Goiânia têm mandatos cassados pela Justiça Durante o processo de cassação, o prefeito se defendeu em um vídeo publicado nas redes sociais, explicando que a cessação não ocorre por crimes como roubo ou desvio de dinheiro.

Segundo ele, a prefeitura acumula uma dívida milionária, que sua gestão herdou das gestões anteriores. O prefeito afirmou que, por conta do pagamento da dívida, o orçamento que sobrava era destinado para serviços para população.

"Por ter que, obrigatoriamente, pagar essas dívidas do passado, eu tive que escolher do orçamento que sobrava, se eu abastecia os ônibus para continuar o transporte escolar, se a gente garantia para os nossos alunos uma merenda escolar de qualidade, escolher entre abastecer a farmácia básica, fazer o serviço de tapa-buraco, honrar o salário dos servidores ou passar o duodécimo para esse dinheiro ficar parado na conta da Câmara", argumentou.

Para o g1, uma servidora aposentada que não quis se identificar contou que os pagamentos para os servidores da educação chegavam a atrasar um mês, mas que tiveram outros servidores sem pagamento. "As pessoas que ficaram sem receber são garis, que está atrasando demais, não está pagando, e da área da saúde", contou.

Cassação Segundo a Câmara Municipal, o processo de cassação do mandato do prefeito foi aberto após uma denúncia do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Miguel do Araguaia contra os atrasos no pagamento dos salários. Na denúncia, o sindicato afirma que todos os salários de 2026 foram pagos atrasados, com exceção do mês de janeiro.

A denúncia do sindicato aponta que o atraso no pagamento descumpre a determinação da Lei Orgânica e que os servidores vinculados ao Fundeb são os únicos que são pagos em dia, o que aponta que a prefeitura dispõe de verbas para cumprir com os pagamentos dentro do prazo. A Câmara informou que o prefeito não compareceu à sessão de cassação, e que agora o vice-prefeito, Natanael Martins Coelho, deve tomar posse do cargo.

Após a cassação nesta segunda-feira (27), o prefeito se manifestou nas redes sociais e revelou que sabe de casos de assédios sexuais, traições, casos de corrupção e desvio de dinheiro de vereadores. "Infelizmente, por esse jogo de ego, ganância e desrespeito para ter a força, o poder, São Miguel retorcederá", declarou.

NOTA À IMPRENSA A Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia informa que concluiu hoje o julgamento do Processo Político-Administrativo nº 205/2026, instaurado a partir de denúncia apresentada por eleitor do Município em face do Prefeito Jerônymo José de Siqueira Neto, em razão do repasse a menor do duodécimo ao Poder Legislativo no primeiro semestre de 2026 e do atraso reiterado no pagamento da folha dos servidores municipais.

O julgamento ocorreu em sessão pública, transmitida e gravada, conduzida conforme o Decreto-Lei nº 201/1967. Após a leitura da denúncia e do parecer final da Comissão Processante, os vereadores votaram de forma nominal e aberta cada uma das cinco infrações imputadas, e todas foram acolhidas por 9 votos a 2, número superior aos dois terços exigidos pela lei. O resultado foi proclamado às 13h49 e formalizado pelo Decreto Legislativo nº 3/2026, que declarou a cassação do mandato.

Ao longo de todo o processo, o denunciado foi notificado e intimado de todos os atos e teve oportunidade de apresentar defesa em todas as fases, inclusive na sessão de hoje, à qual optou por não comparecer. Os pedidos de suspensão do processo apresentados ao Poder Judiciário foram indeferidos em seis decisões, pelo Juízo da Comarca, pelo Tribunal de Justiça de Goiás e pelo Supremo Tribunal Federal.

Nos termos da Lei Orgânica do Município, o cargo passa ao Vice-Prefeito, Natanael Martins Coelho, que prestará compromisso e tomará posse como Prefeito Municipal em sessão solene que será realizada hoje. O resultado do julgamento foi comunicado à Justiça Eleitoral, como determina a lei.

A Câmara Municipal registra que cumpriu o seu dever constitucional de fiscalização com serenidade, respeito ao devido processo legal e transparência, e reafirma o compromisso de colaborar com o Poder Executivo para que os serviços públicos e o pagamento dos servidores sigam normalmente. Os autos do processo estão disponíveis para consulta na sede da Câmara. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.

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