Delegada Monah Zein se trancou em apartamento, fez live e ameaçou policiais civis com arma Reprodução/ TV Globo A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou que a ex-delegada da Polícia Civil Monah Zein seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri por quatro tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis.

A decisão reformou uma sentença de primeira instância que havia impronunciado Monah em relação a três acusações de tentativa de homicídio e desclassificado a acusação referente à quarta vítima para um crime de competência da Justiça comum. Os desembargadores decidiram por unanimidade. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O episódio aconteceu em 21 de novembro de 2023, em um apartamento no bairro Ouro Preto, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Segundo a denúncia, equipes da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e profissionais da área psicossocial foram ao imóvel após informações de que Monah, então delegada, não havia comparecido ao trabalho e havia feito postagens em um grupo corporativo que indicavam possível risco de suicídio. De acordo com os elementos analisados pelo TJMG, Monah estava armada e passou a ameaçar os agentes que tentavam negociar com ela. Posteriormente, uma equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) assumiu a ocorrência.

Agora no g1 Durante a negociação, segundo os relatos registrados no processo, Monah saiu do apartamento portando uma pistola e avançou em direção aos policiais. Ela teria apontado a arma para os agentes e encostado o armamento no escudo balístico utilizado por um dos policiais. Os agentes utilizaram um dispositivo elétrico incapacitante, mas o equipamento não produziu o efeito esperado.

Na sequência, segundo os autos, Monah efetuou disparos na direção da equipe. O acórdão registra quatro tiros. Ninguém foi atingido.

Após retornar ao apartamento, a então delegada teria jogado uma pistola e dois carregadores para fora do imóvel. Mais tarde, segundo os autos, passou a fazer transmissões ao vivo pelas redes sociais e ainda estaria com outra arma. Monah foi presa em flagrante quase dois dias depois e, posteriormente, conseguiu liberdade provisória.

Em março deste ano, ela foi demitida da Polícia Civil após um processo administrativo conduzido pela Corregedoria-Geral da instituição. Decisão de primeira instância havia afastado júri Monah foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em agosto de 2024, por tentativa de homicídio e resistência. Em julho de 2025, a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para concluir, naquela fase do processo, que ela tivesse intenção de matar os policiais.

Com isso, Monah foi impronunciada em relação a três acusações de tentativa de homicídio, e a acusação referente ao quarto policial foi desclassificada para um crime que não é de competência do Tribunal do Júri. O Ministério Público recorreu. TJMG determina julgamento pelo Tribunal do Júri Ao analisar o recurso apresentado pelo Ministério Público, o relator, desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama, concluiu que existem elementos suficientes para que Monah seja submetida ao Tribunal do Júri.

Segundo o desembargador, nesta fase do processo não cabe ao juiz decidir definitivamente se houve intenção de matar. Essa análise deverá ser feita pelos jurados. O relator apontou a existência de indícios de que os disparos foram realizados com dolo eventual, hipótese que deverá ser analisada pelo Tribunal do Júri.

A decisão também manteve a qualificadora relacionada a crimes praticados contra agentes de segurança pública no exercício da função. Além das quatro tentativas de homicídio qualificado, o TJMG determinou que o crime de resistência também seja analisado pelo Tribunal do Júri, por ser considerado conexo aos crimes dolosos contra a vida. Os três desembargadores que participaram do julgamento acompanharam o voto do relator.

Advogado dos policiais O advogado Tiago Lenoir, que representa os quatro policiais civis, afirmou que a decisão foi acertada. “Meus clientes foram chamados para salvar uma vida e quase perderam as suas”, afirmou. Segundo o advogado, um dos disparos passou próximo à cabeça do policial responsável pela negociação.

A decisão não representa condenação. Monah Zein foi pronunciada, o que significa que o tribunal entendeu haver elementos suficientes para que a acusação seja submetida ao julgamento popular. A decisão final sobre a responsabilidade criminal caberá ao Tribunal do Júri.

A defesa de Monah Zein foi procurada para comentar a decisão, mas não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.