Produção de renda renascença no Agreste de Pernambuco A Renda Renascença de Poção, no Agreste de Pernambuco, foi reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como Indicação Geográfica (IG). O registro foi concedido quatro meses após o protocolo do pedido e reconhece oficialmente a relação do produto com o município, conhecido como Capital da Renda.
A conquista foi resultado de uma iniciativa conjunta do Sebrae Pernambuco e da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), que trabalham para valorizar produtos associados à identidade dos territórios onde são produzidos. A Renda Renascença também foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco em julho de 2026.
✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp A Indicação Geográfica é um reconhecimento oficial concedido a produtos ou serviços que possuem características relacionadas ao local onde são produzidos. No caso da Renda Renascença de Poção, o registro estabelece uma proteção para os saberes e características associados à produção artesanal no município.
Peças de renda renascença confeccionadas em Poção, no Agreste de Pernambuco Felipe Eugênio/Fenearte Para o superintendente do Sebrae/PE, Murilo Guerra, o reconhecimento faz parte de uma estratégia de desenvolvimento territorial. Segundo ele, a IG pode agregar valor à produção e ampliar as oportunidades para os artesãos que mantêm a tradição.
“Quando um saber construído e preservado ao longo de gerações passa a ser também um ativo do território, buscamos criar condições para que essa riqueza gere oportunidades para quem a mantém viva. A Indicação Geográfica agrega valor à Renda Renascença de Poção e amplia as possibilidades de desenvolvimento para toda a região”, afirma.
Segundo Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe, a Renda Renascença de Poção é a primeira das 19 Indicações Geográficas que estão sendo trabalhadas pela agência em parceria com o Sebrae. “É uma conquista que valoriza o talento das rendeiras, protege um saber-fazer que atravessa gerações e fortalece a identidade cultural de Pernambuco.
Ao mesmo tempo, a IG é uma importante ferramenta de desenvolvimento econômico, que pode agregar valor ao produto, ampliar oportunidades de mercado e gerar mais renda para quem vive desse trabalho”, comenta. Processo de reconhecimento A conquista foi resultado de um processo de organização dos produtores e da governança territorial.
Também foram elaborados documentos necessários para o pedido ao INPI, entre eles o Caderno de Especificações Técnicas, que reúne características, padrões de qualidade e regras relacionadas à produção da Renda Renascença de Poção. O INPI é responsável pela análise dos pedidos de Indicação Geográfica e também atua no registro de marcas e patentes. A IG é considerada uma forma de propriedade intelectual relacionada a um território e aos produtos ou serviços associados a ele.
A Associação dos Artesãos e Artesãs, Rendeiros e Rendeiras de Poção (Renascença) representa os produtores e terá participação na gestão da Indicação Geográfica e no acompanhamento das regras estabelecidas para o uso do reconhecimento. Para o vice-presidente da associação, Lindenberg Nóbrega, a conquista representa uma reparação histórica para os artesãos responsáveis pela manutenção da tradição.
“Com essa conquista, os mestres e detentores do saber fazer da Renda Renascença de Poção ganharão visibilidade, impulsionando o vetor econômico da nossa cidade, que é basicamente construído pelas mãos de homens e mulheres artesãos. Essa indicação de procedência traz uma potencialidade que já existe e agora vamos trabalhar para levar essa renda ainda mais longe”, detalha.
Renda Renascença Peças de renda renascença confeccionadas em Poção, em Pernambuco Felipe Eugênio/Fenearte A Renda Renascença é uma técnica artesanal produzida com linha, agulha e lacê. A origem da técnica é atribuída à Itália, possivelmente a Veneza, no século XVI. Durante séculos, o saber-fazer foi transmitido principalmente em conventos e instituições religiosas.
No Brasil, acredita-se que a técnica tenha chegado também por meio de ordens religiosas. Em Pernambuco, teria chegado ainda no período colonial e foi preservada no Convento de Santa Teresa, em Olinda. Em Poção, a técnica chegou na década de 1930 por meio de Maria Pastora, que teria aprendido o ofício com freiras francesas e ensinado a amiga Elza Medeiros, conhecida como Lala.
A partir de um grupo inicial formado por oito mulheres, a produção foi se desenvolvendo no município. Durante períodos de seca, a atividade passou a ser uma alternativa de renda, principalmente para mulheres. Ao longo do século XX, a produção cresceu e alcançou mercados regionais.
Patrimônio Cultural Imaterial Renda renascença é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Pernambuco Além da Indicação Geográfica, a Renda Renascença de Poção foi reconhecida por unanimidade como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC). A aprovação ocorreu em 9 de julho de 2026, durante uma reunião ordinária realizada em Poção. O município é tradicionalmente conhecido como a Capital da Renda Renascença.
A técnica é uma das principais expressões do artesanato pernambucano e tem importância na geração de renda para centenas de famílias da região.
