Romero Ferro canta com Àttooxxá e Ylana em 'Ouro', álbum que lançará amanhã, quinta-feira, 27 de agosto, com repertório basicamente autoral Gabriel Mesgo / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Ouro Artista: Romero Ferro Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Quando lançou o frevo “Carnaval do desejo” em fevereiro do ano passado, às vésperas do Carnaval de 2025, Romero Ferro revelou que aprontava o álbum “Ouro”, fecho de trilogia iniciada há dez anos com o disco “Arsênico” (2016) e desenvolvida após três anos com o álbum “Ferro” (2019).
Um ano e meio depois de “Carnaval do desejo”, o cantor e compositor pernambucano enfim apresenta “Ouro” e – já na foto feita por Gabriel Mesgo para a capa do álbum que aporta amanhã, 27 de agosto, nos aplicativos de áudio – Romero sinaliza que “Ouro” está enterrado nas raízes do artista, nascido em Garanhuns (PE), no coração do agreste pernambucano.
Com essas raízes filtradas por antenas que captam os sons do mundo contemporâneo, o álbum “Ouro” reveste com beats gêneros musicais como brega, brega-funk, coco, maracatu, forró, baião e rock. “Meio do caminho” traça a rota biográfica desse menino do mato que cresceu ouvindo o conterrâneo Dominguinhos (1941 – 2013) – evocado na faixa com sample intencionalmente distorcido de gravação de “Isso aqui tá bom demais” (1985) – e, no meio do percurso, beijou outro menino e encontrou a própria turma.
A rota sonora e existencial do álbum parte da música-título “Ouro” – gravada com o grupo Coco Raízes de Arcoverde – e inclui feats de Romero Ferro com Àttooxxá (cujo batidão encorpa “ExFinge”) e Luiz Lins, cantor e compositor pernambucano com quem o artista se une e se afina na sofrência de “Covardia”. Ainda na seara romântica, a canção “Da eternidade ao fim” versa harmonicamente sobre um amor em paz, como tema de filme-clichê da Sessão da Tarde, como entrega a letra.
Já “Safofo” põe a pimenta do desejo na fofura do amor com som típico dos bares e clubes do Nordeste do Brasil onde brega, brega-funk e piseiro convivem em harmonia. Essa pimenta arde mais em “Amor proibido”, música de alto teor erótico, recorrente no repertório de um artista da comunidade LGBTQIA+ que sempre brincou o Carnaval do desejo sem culpa. O prazer carnal também é o mote de “Racional (Tu tu)”, tema de pegada popular.
Já trazer Cazuza (1958 – 1990) para o universo do piseiro resultou na diluição da contundência da letra escrita pelo poeta para o rock “O tempo não para” (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988), faixa em que o álbum “Ouro” perde alguns quilates.
Entre joias e bijuterias, equacionadas em álbum cujo repertório autoral balança, Romero Ferro divide com a conterrânea pernambucana Ylana o canto de “O preço que a alma aguenta” – música sobre a resiliência diante das perdas e danos sofridos no caminho da vida – e celebra a existência no canto efusivo de “Mistério da mistura”, convite à festa da vida vivida na rua.
No fecho da rota de “Ouro”, o álbum ganha energia roqueira em “Deus me livre desse céu”, tema em que Romero Ferro e Catto rejeitam a culpa religiosa imposta por credos e seitas nas almas de meninos do mato e da cidade que, em algum ponto do caminho, põem fé no próprio amor e desejo. É quando Romero Ferro normaliza os desejos que o álbum “Ouro” mais brilha. Capa do álbum 'Ouro', de Romero Ferro Gabriel Mesgo com design de RozProduz / Divulgação
