Luana Piovani e Sari Corte Real Reprodução/Instagram/TV Globo O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou o recurso apresentado pela defesa de Sari Corte Real e manteve, por unanimidade, a decisão que rejeitou a ação que ela moveu contra a atriz Luana Piovani por danos morais. A ex-patroa da mãe do menino Miguel, que morreu ao cair do 9º andar de um prédio no Centro do Recife, pediu uma indenização de R$ 500 mil por comentários da influenciadora sobre o caso.
Além de rejeitar o pedido, a Justiça determinou que a autora da ação pague as custas do processo, fixadas em 20% do valor total da causa. O g1 tenta contato com a defesa de Sari Corte Real. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O julgamento foi realizado nesta quinta-feira (8) pela 3ª Câmara Cível do TJPE.
A ação tramita desde novembro de 2024 e envolve uma série de vídeos publicados no Instagram em que a artista pede a prisão de Sari e do marido dela, Sergio Hacker, que é ex-prefeito de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco, e cobra providências de autoridades (saiba mais abaixo).
Também nesta quinta, o tribunal rejeitou outro recurso de Sari no processo criminal sobre a morte de Miguel, mantendo a sentença que condenou Sari a 7 anos de prisão por deixar a criança sozinha no elevador e apertar o botão da cobertura (relembre o caso ao fim desta reportagem). Agora no g1 De acordo com o tribunal, a relatora do processo, a desembargadora Valéria Wanderley, votou pela rejeição do recurso e manter integralmente a sentença de primeira instância, publicada no dia 17 de dezembro de 2025.
Em seu voto, segundo a instituição, a magistrada considerou que as manifestações de Luana Piovani não ultrapassaram os limites da liberdade de expressão nem provocaram prejuízo à imagem da autora da ação. Além disso, na visão da desembargadora, o desgaste à imagem de Sari decorreu do episódio trágico que vitimou Miguel. O voto da relatora foi acompanhado pelos desembargadores Gabriel Cavalcanti, presidente da Câmara, e Dario Rodrigues Oliveira.
Após o julgamento, Luana Piovani comentou a decisão nos stories. "Ganhamos na primeira, ganhamos na segunda instância. E é isso.
Sari Corte tem que ser presa e pegar a máxima pena, de 12 anos. [...] Obrigada a todos que torcem pela Mirtes", declarou. Danos morais Ao abrir o processo contra Luana Piovani, a defesa de Sari Corte Real anexou três vídeos postados pela atriz nos stories do Instagram, no dia 18 de setembro de 2024.
Em um deles, a influenciadora cobra do governo de Pernambuco ajuda para agilizar o processo penal contra Sari e chama o marido dela de "corrupto", referindo-se às denúncias de que Sérgio Hacker pagava o salário de Mirtes Renata com dinheiro da prefeitura de Tamandaré. Em outro vídeo, a influenciadora compartilhou uma publicação da mãe de Miguel e pediu "cadeia para os criminosos Sari e Sérgio", marcando os perfis do presidente Lula (PT) e da primeira-dama, Janja da Silva.
No terceiro story, a atriz compartilhou outro vídeo de um influenciador que comenta sobre a suspensão da indenização à família de Miguel e escreveu na legenda: "Po***, façam alguma coisa!", marcando, novamente, os perfis de Lula e Janja e as páginas do governo de Pernambuco e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Na época, o advogado Danilo Heber de Oliveira Gomes, que representa Sari no processo, disse ao g1 que moveu a ação para conter o que chamou de "exageros" e de "campanha contra Sari" encampada pela influenciadora, com "declarações ácidas", nas redes sociais.
Relembre o caso VÍDEO: Morte de Miguel completa um ano; relembre o caso Em 2 de junho de 2020, Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do 9º andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, no Centro da cidade; Mirtes, mãe dele, era empregada doméstica na casa de Sari Corte Real, então primeira-dama de Tamandaré, cidade do Litoral Sul.
Seu marido é Sérgio Hacker, então prefeito da cidade; Mirtes tinha descido ao térreo para passear com a cadela dos patrões, enquanto a então patroa, responsável por cuidar do menino naquele momento, pintava as unhas com uma manicure; O garoto ficou no apartamento de Sari, localizado no 5º andar e, num determinado momento, correu até o elevador; Imagens de uma câmera de segurança mostram Sari Corte Real apertando um botão do elevador e deixando a porta fechar com o menino dentro (veja vídeo acima); Um laudo pericial concluiu que o botão que Sari apertou levava o elevador para a cobertura do edifício; O vídeo mostra, ainda, o equipamento parando no 9º andar e o garoto saindo da cabine; Perdido, Miguel caminhou até um vão onde fica o maquinário dos aparelhos de ar-condicionado e caiu no térreo, morrendo enquanto era socorrido; Sari foi presa em flagrante na época e autuada por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada; Em 2021, Mirtes Renata começou a cursar direito, para entender melhor os trâmites processuais do caso do filho; Com a repercussão do caso, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criou o Instituto Menino Miguel, voltado para discussões sobre infância, família e envelhecimento; Em 2022, em visita ao instituto, a mãe do garoto homenageou a cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que em 2020 compôs a canção "2 de Junho" sobre a morte de Miguel; Em maio de 2022, Sari foi condenada a oito anos de prisão e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte, porém, em novembro do ano seguinte, a pena foi reduzida a sete anos; Além do processo criminal, o casal Sari e Sérgio Hacker responde a uma ação trabalhista por convocar as ex-funcionárias Mirtes Renata Santana e Maria Marta, mãe e avó de Miguel, para trabalhar durante a pandemia e por pagar os salários delas com dinheiro da prefeitura de Tamandaré; O processo, que condenou o casal a pagar uma indenização de R$ 1 milhão à família do menino, foi suspenso pelo STJ em setembro de 2024; A família do menino também entrou com uma ação cível contra Sari por danos morais, pedindo uma indenização de R$ 1 milhão; Em maio de 2023, um abaixo-assinado com quase 2,8 milhões de assinaturas pediu celeridade no julgamento sobre o caso; No mês seguinte, Sari Corte Real se matriculou no curso de medicina numa faculdade particular; A defesa de Sari recorreu em todos os processos movidos contra ela, que segue em liberdade quase cinco anos após a morte de Miguel.
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