Lagoa do João Aranha, em Paulínia (SP) Prefeitura de Paulínia O "boom" dos condomínios, a transformação das cidades com a expansão dos serviços e a integração regional pelas rodovias fizeram de Paulínia (SP) a cidade com o maior crescimento proporcional da região de Campinas nos últimos 20 anos. Estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a cidade passou de 62.132 habitantes, em 2006, para 117.554 em 2026, uma alta de 89,2%.
O crescimento significa aumento de 55.422 moradores no período, com Paulínia praticamente dobrando de tamanho. O percentual supera o de outros municípios que também apresentaram forte expansão populacional, como Louveira (87,2%), Holambra (85,6%) e Jaguariúna (80,5%). E contrasta com os de Campinas (SP).
A metrópole saiu de 1,05 milhão para 1,18 milhão de habitantes no mesmo intervalo, crescimento de 12,3% - veja números abaixo. Para o professor do Departamento de Demografia da Unicamp, Ednelson Mariano Dota, o avanço de Paulínia reflete um movimento já esperado de expansão urbana para municípios vizinhos da cidade-sede.
"O município-sede, por se tornar mais valorizado, tende a receber menos pessoas, e o crescimento da região vai se dando nos municípios do entorno, que têm ainda custo de terra mais baixo e custo de aluguel mais baixo", explica. 📲 Siga o g1 Campinas no Instagram Segundo o pesquisador, o caso de Paulínia é um dos exemplos mais evidentes desse processo na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Ele destaca que o crescimento foi impulsionado principalmente pela expansão imobiliária observada na região de Betel a partir dos anos 2000. "Especificamente o caso de Paulínia, o crescimento foi muito evidente, principalmente nessa região de Betel. Depois de 2010, esse crescimento ainda foi se expandindo, e surgiram muitos condomínios para além da região", afirma.
Veja os vídeos que estão em alta no g1 Eixos separados pela Anhanguera Ao analisar o crescimento populacional da região, Dota explica que ele não ocorre de forma homogênea. A Rodovia Anhanguera (SP-330), por exemplo, funciona como um divisor de dois grandes vetores de expansão urbana. No eixo Norte, que abrange metade de Campinas e cidades como Paulínia, Valinhos e Vinhedo, predominam empreendimentos voltados a moradores de renda mais alta.
Já no eixo Sul, com outra parte de Campinas, Hortolândia, Monte Mor e parte de Sumaré, o crescimento é associado a uma população de menor renda média. O pesquisador, no entanto, destaca que nos dois eixos as cidades estão se tornando mais complexas e concentrando cada vez mais serviços e oportunidades. "O comércio mais básico e até os serviços intermediários já estão presentes nesses municípios", afirma.
Imagem aérea de Campinas na região da Torre do Castelo Reprodução/EPTV Morar em Paulínia e trabalhar em Campinas A proximidade com Campinas e a facilidade de deslocamento também ajudam a explicar por que Paulínia continua atraindo moradores. Segundo Dota, a integração econômica e viária da região permite que muitas pessoas residam em uma cidade e trabalhem em outra sem grandes dificuldades. "Você não precisa morar em Campinas para trabalhar em Campinas", resume.
Na avaliação do especialista, a dinâmica regional mudou nas últimas décadas. Se antes os municípios vizinhos funcionavam principalmente como cidades-dormitório, hoje eles concentram uma quantidade cada vez maior de comércios, serviços e oportunidades. "Hoje a gente tem cidades muito mais complexas.
O comércio mais básico e até os serviços intermediários já estão presentes nesses municípios", diz. Condomínios e rodovias Outro fator apontado pelo professor é a expansão de condomínios fechados próximos às principais rodovias da região. Segundo ele, muitos desses empreendimentos foram planejados justamente para atender moradores que trabalham em Campinas ou em outros polos econômicos da região.
"Esses condomínios geralmente estão localizados na beira das rodovias ou em locais de fácil acesso, o que facilita muito o deslocamento diário", afirma. Além de atrair novos moradores, esse modelo de crescimento estimula a abertura de escolas, serviços de saúde, comércio e outras atividades econômicas, tornando os municípios cada vez mais autônomos. Foto de arquivo da Rodovia D.
Pedro I (SP-065) Reprodução/EPTV Tendência deve continuar Embora o Brasil caminhe para um cenário de desaceleração do crescimento populacional e envelhecimento da população, Dota avalia que municípios fortemente integrados à Região Metropolitana de Campinas devem continuar registrando expansão acima da média nos próximos anos. "A tendência de redução da demanda existe, sem dúvida.
Mas os municípios mais integrados a Campinas, que foram os que mais cresceram nas últimas décadas, continuam apresentando uma perspectiva de crescimento maior do que outras áreas menos conectadas à dinâmica metropolitana", afirma. Região com 3,5 milhão de habitantes Segundo as estimativas populacionais de 2026 do IBGE, as 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas somam 3.516.286 habitantes, crescimento de 22,1% desde 2006.
Há 20 anos a soma dos moradores desses municípios indicava uma população de 2.880.275 habitantes. Em números absolutos, Campinas é quem ganhou mais pessoas (130,3 mil), seguida por Indaiatuba (90,1 mil). No outro extremo Enquanto Paulínia liderou o crescimento populacional percentualmente, três municípios da região apresentaram redução no número de habitantes no intervalo de 20 anos.
Espírito Santo do Pinhal (SP) tinha 42.921 habitantes em 2006, e segundo a estimativa populacional de 2026, possui atualmente 40.547 moradores, uma redução de 5,5%. Com 18.277 habitantes atualmente, Águas de Lindóia (SP) tinha 19.240 moradoras em 2006, o que representa uma queda de 5%. Já Santo Antônio do Jardim (SP) saiu de 6.499 para 6.248 habitantes em 20 anos, queda de 3,9%.
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