Paraguaios relatam perdas no Ueno Bank e apreensão após renúncia de presidente do Paraguai Paraguaios que vivem em Pedro Juan Caballero, cidade na fronteira do Paraguai com o Brasil, tiveram prejuízos após a crise envolvendo o banco digital Ueno, que possui cerca de 3 milhões de clientes no país. A instituição financeira, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações.
Paraguai: entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BC Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco, que mede sua capacidade de honrar compromissos financeiros, caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas autoridades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A crise também provocou consequências políticas.
Nesta quinta-feira (5), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu renúncia ao cargo em meio à crise política desencadeada pelo fechamento de unidades do banco, que deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. No entanto, o Congresso paraguaio suspendeu a sessão que decidiria sobre o pedido de renúncia. A votação foi interrompida depois que deputados do Partido Colorado, legenda de Peña, deixaram o plenário, provocando a perda do quórum necessário para a continuidade dos trabalhos.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco Ueno. A oposição acusa o Banco Central do Paraguai de encobrir irregularidades. Clientes relatam perdas e falta de informações A estudante universitária Yeniffer Mendoza tinha um investimento de 1 milhão de guaranis, equivalente à cerca de R$ 900, mas o saldo desapareceu do aplicativo do banco.
"Eu tenho 1 milhão. Tinha, né? Meu pai trabalha no banco, aí ele avisou para mim e para minha mãe.
Quando eu acordei, eu olhei o celular e o aplicativo não funcionava e o saldo que a gente tinha desapareceu", contou ao g1. Segundo Yeniffer, a mãe também perdeu o dinheiro investido e tinha um valor superior ao dela. "A gente espera poder recuperar o dinheiro.
A gente que tem pouca quantidade, vai recuperar. Mas quem tem mais de 500 milhões vai perder uns 50%, como falaram", ressaltou. O auxiliar administrativo Elias Ruiz mantém investimentos no banco há dois anos.
Ele trabalha em uma universidade localizada em frente a uma agência da instituição, e acompanhou a movimentação de clientes nos dias que antecederam o fechamento. Na segunda-feira (2), ele observou a presença de muitas pessoas na agência. Na terça-feira (3), presenciou o fechamento da unidade, por volta das 7h.
Em entrevista ao g1, Elias afirmou que não esperava que a situação chegasse a esse ponto. Ele disse que teve prejuízos com o fechamento e que não recebeu orientações do banco sobre como proceder. Segundo ele, foi informado sobre um prazo de 15 dias para tentar recuperar parte do valor investido.
O trabalhador de almoxarifado Marco Antônio Vilhalba, que não possui conta no Ueno, também acompanhou os desdobramentos da crise. Ele disse que a população paraguaia foi surpreendida pela situação, principalmente porque, uma semana antes, o presidente havia afirmado que estava tudo bem e que os clientes poderiam confiar na instituição.
Investigações e medidas para proteger os depositantes Diante da situação, o Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar possíveis impactos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público também solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno. Nos últimos meses, o banco já estava sob maior fiscalização.
Órgãos reguladores investigavam se a instituição havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do banco. A instituição negava a operação. O caso também provocou desgaste para o governo de Peña e levantou questionamentos sobre a reputação do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros na América do Sul, especialmente de recursos provenientes do Brasil.
Nesse contexto, o então presidente paraguaio pediu a renúncia de Carvallo. O chefe do Banco Central comandou o próprio Ueno até agosto de 2023. Tanto ele quanto a autoridade monetária vinham sendo criticados por parlamentares em relação à fiscalização da instituição.
Peña também manteve vínculo com o grupo controlador do Ueno, do qual foi sócio até março de 2025. O banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Na terça-feira (3), clientes procuraram agências da instituição, mas encontraram as portas fechadas.
Em resposta à crise, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para realizar pagamentos aos depositantes. Ele afirmou ainda que a medida deverá assegurar a devolução de recursos públicos, incluindo valores mantidos pelo Instituto de Previdência Social (IPS) e por outros fundos públicos de previdência. A estudante universitária Yeniffer Mendoza tinha um investimento de 1 milhão de guaranis no banco Ueno.
Mauro Almeida/TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
