Sucuris aparecem entrelaçadas fora da época de acasalamento no Pantanal de MT Duas sucuris-amarelas foram flagradas entrelaçadas em meio às pedras na região de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito na última semana por Lyessa Scarlet, que trabalha com turismo na região. A posição das serpentes chamou a atenção pela possibilidade de elas estarem acasalando, mas uma especialista ouvida pelo g1 explica que não é possível confirmar a reprodução apenas pelo vídeo.
Nas imagens, as duas sucuris aparecem praticamente imóveis, enroladas uma à outra (assista acima). Lyessa contou que observou os animais no mesmo ponto durante dois dias seguidos. "Elas estavam praticamente paradas.
Eu cheguei a observá-las em dois dias seguidos, no mesmo local. No primeiro dia, estavam naquela posição que aparece no registro; no dia seguinte, a fêmea já estava com o rosto voltado para frente. A fêmea é maior e mais amarelada, enquanto o macho é menor e mais escuro", contou.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Segundo ela, dias antes do registro, guias que trabalham na região haviam visto a mesma fêmea acompanhada por outros dois machos. Era acasalamento? Apesar de as duas sucuris aparecerem entrelaçadas no vídeo, a bióloga Angélica Gomes da Silva explicou ao g1 que as imagens, sozinhas, não permitem confirmar que os animais estavam acasalando.
Um dos pontos que levantam essa dúvida é justamente a época em que o registro foi feito. Segundo a especialista, serpentes também podem permanecer juntas e entrelaçadas durante momentos de repouso. "Às vezes as serpentes gostam de ficar em repouso dessa forma.
Geralmente, o período de acasalamento da espécie ocorre entre abril e maio. Estamos bem fora desse período", explicou. Durante a época reprodutiva, as fêmeas liberam feromônios capazes de atrair vários machos.
Com mais de um indivíduo disputando a oportunidade de copular com a mesma fêmea, podem se formar os chamados "bolos de serpentes", caracterizados justamente por vários animais entrelaçados. Mesmo sem ser possível confirmar o que ocorria no momento do vídeo, a bióloga destaca que presenciar a reprodução desses animais na natureza não é comum. "O acasalamento de serpentes é sempre raro, ainda mais com indivíduos desse porte", afirmou.
No último dia 8, um trabalhador registrou o acasalamento entre três cobras caninanas em uma propriedade rural próxima a Cáceres, a 220 km de Cuiabá. Nas imagens, as três serpentes aparecem inicialmente entrelaçadas. Em seguida, dois dos animais erguem parte do corpo e começam uma disputa que, à primeira vista, se assemelha a uma luta ou até mesmo a uma dança.
Enquanto os dois machos se enfrentam, a fêmea permanece entrelaçada, acasalando com um deles (assista abaixo). Cobras 'dançam' durante disputa por fêmea e formam 'bolo nupcial' em MT A bióloga também reforça que, mesmo durante um possível comportamento reprodutivo, as serpentes não devem ser incomodadas. Além do risco de uma reação defensiva dos animais, a aproximação pode interferir no comportamento natural da espécie.
"Se aproximar e mexer com esses bichos é sempre um risco. Primeiro porque eles estão focados na reprodução e qualquer aproximação pode ser vista como ameaça. Segundo, porque não podemos atrapalhar a biologia natural da espécie".
Carrapatos chamam atenção Carrapatos presos aos corpos das sucuris Lyessa Scarlet Outro detalhe que aparece nas imagens são carrapatos presos aos corpos das duas sucuris. Embora esses parasitas sejam normalmente associados aos mamíferos, a presença deles nas serpentes é relativamente comum, segundo Angélica. Eles se fixam em regiões onde as escamas são mais finas ou em pequenas dobras na pele.
No entanto, a quantidade de parasitas dependem de alguns comportamentos. "Como elas trocam de pele e permanecem na água, às vezes não têm muitos. Quando elas ficam muito tempo fora da água, ficam mais suscetíveis à infestação".
A sucuri-amarela Sucuri-amarela Regina Cardozo/VC no TG A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), também conhecida como sucuri-do-Pantanal, não é venenosa. O nome está relacionado à coloração amarelada do corpo. As fêmeas são maiores e podem atingir cerca de 4 metros de comprimento, enquanto os machos chegam a aproximadamente 2,5 metros.
A espécie pode se alimentar de peixes, aves, jacarés, lagartos e mamíferos. As sucuris são serpentes semiaquáticas e podem permanecer imóveis dentro ou perto da água à espera do momento adequado para capturar uma presa. Essa estratégia permite economizar energia e diminuir a exposição a predadores.
Os olhos e as narinas ficam posicionados na parte superior da cabeça, o que permite que mantenham apenas uma pequena parte do focinho fora da água enquanto respiram. Quando atacam, as sucuris mordem a presa e usam o corpo para envolvê-la. A constrição comprime a vítima e impede a respiração adequada.
Ao contrário de uma crença popular, a estratégia não tem como objetivo quebrar os ossos da presa. Como são animais ectotérmicos, as sucuris dependem da temperatura do ambiente para regular o próprio metabolismo. Depois de consumir uma presa grande, podem permanecer imóveis e camufladas durante a digestão.
Caso sejam perturbadas após se alimentarem, também podem regurgitar a presa. Isso reduz o peso e o volume do corpo e facilita uma eventual fuga. Sucuris-amarelas foram flagradas entrelaçadas em meio às pedras no Pantanal de MT Lyessa Scarlet
