Expedição científica marca 14 tubarões com transmissores acústicos em Noronha Pesquisadores do Projeto Tubarões e Raias marcaram 14 tubarões-tigre durante uma expedição científica em Fernando de Noronha (veja vídeo acima). Na operação, foram identificas fêmeas grávidas por ultrassonografia e reencontra uma fêmea monitorada há quatro anos. A expedição ocorreu entre 27 de setembro e 8 de outubro.
Durante o trabalho, os pesquisadores reencontraram uma fêmea de tubarão-tigre de 3,61 metros, batizada de Agnes, acompanhada pela equipe há mais de quatro anos. O exame de ultrassom confirmou que ela está grávida. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Agnes Agnes foi capturada pela primeira vez em maio de 2022.
Em julho de 2025, recebeu um transmissor acústico e, desde então, foi detectada em 268 dias de monitoramento. Nesse período, circulou por diferentes áreas de Fernando de Noronha, principalmente no mar de fora, entre as praias do Leão e da Caieira. “Reencontrar Agnes grávida nos permite conectar informações sobre seus deslocamentos com dados sobre sua reprodução.
Esse acompanhamento de longo prazo é fundamental para entender como os tubarões-tigre usam Noronha e gerar conhecimento que contribua para a gestão do arquipélago e conservação da espécie”, afirmou a coordenadora do Projeto Tubarões e Raias. Bianca Rangel, que também é pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Tubarão-tigre monitorado em Fernando de Noronha Bruno Galvão/Projeto Tubarões e Raias Ao todo, a equipe capturou 15 tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier).
Desse grupo, 14 receberam novos transmissores acústicos via satélite. Os transmissores ajudam os pesquisadores a acompanhar os deslocamentos dos tubarões e a identificar as áreas do arquipélago que eles frequentam ao longo do tempo. Exames de ultrassom Uma das novidades da expedição foi a participação da médica-veterinária Veronica Takatsuka, especialista em ultrassonografia e colaboradora do projeto.
Ao todo, foram realizados cinco exames de ultrassom. Os exames identificaram duas fêmeas grávidas e outras duas adultas aptas à reprodução, mas sem sinais de gestação. A técnica permite estudar mais de perto a reprodução dos tubarões em seu ambiente natural.
Pesquisadores fazem ultrassom em tubarões em Fernando de Noronha Rafael Mesquita/Projeto Tubarões e Raias de Noronha LEIA TAMBÉM: Pesquisadores flagram caça e patrulha de tubarões em Fernando de Noronha; VÍDEO Marcação de tubarões jovens A marcação de dois tubarões-tigre jovens também trouxe novas informações sobre a presença da espécie em diferentes fases da vida em Noronha. Até então, a equipe tinha apenas um registro de um filhote com idade estimada entre cinco e seis meses.
Não havia registros confirmados de tubarões-tigre recém-nascidos em Fernando de Noronha. “É muito importante conseguir marcar filhotes com aproximadamente um ano de idade. Ainda não temos registros de recém-nascidos no arquipélago, o que levanta a possibilidade de que esses animais nasçam em regiões costeiras do continente e migrem posteriormente para Noronha.
Precisamos de mais dados para investigar essa hipótese”, explicou Bianca Rangel. Outras espécies Além dos tubarões-tigre, os pesquisadores capturaram um tubarão-bico-fino (Carcharhinus perezi), quatro tubarões-lixa (Ginglymostoma cirratum) e um filhote de tubarão-limão (Negaprion brevirostris), na Baía do Sueste. Dois dos tubarões-lixa já haviam sido capturados anteriormente.
Apesar das outras espécies, Bianca explicou que a pesquisa é focada nos tubarões-tigre. Por isso, a equipe realiza capturas em pontos onde essa espécie costuma ser encontrada durante atividades de pesca. “Isso não significa que existam mais tubarões-tigre do que tubarões de outras espécies ao redor da ilha.
As capturas refletem a estratégia de amostragem adotada para responder às nossas perguntas científicas, e não a abundância relativa das espécies”, esclareceu Bianca. Instituições envolvidas A pesquisa reúne especialistas de diferentes instituições. Entre os colaboradores estão o professor Jones Santander-Neto, do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), Veronica Takatsuka, Raquel Lubambo e outros pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (KAUST), na Arábia Saudita.
Os dados coletados vão ajudar os pesquisadores a entender como a reprodução e as condições dos tubarões se relacionam com as áreas que eles frequentam. “Identificar fêmeas grávidas, acompanhar os deslocamentos de indivíduos conhecidos e marcar animais jovens nos permite compreender melhor como os tubarões-tigre utilizam o arquipélago ao longo de seu desenvolvimento”, afirmou Bianca Rangel.
Transmissores acústicos ajudam a monitorar tubarões-tigre em Noronha Rafael Mesquita/Projeto Tubarões e Raias VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias :
